[Imagem: Canva]
Os mercados começam esta quarta-feira relativamente comportados, mas com dois focos bem claros.
Nos Estados Unidos, o CPI de setembro deve ajudar a calibrar as próximas altas do Fed em um momento de petróleo ainda acima de US$ 100 e juros longos pressionados. No Brasil, a discussão voltou a ser doméstica: a proximidade do segundo turno e novas medidas fiscais aumentaram novamente o prêmio de risco dos ativos locais.
00:35 — O CPI vai mostrar até onde chegou o choque do petróleo
A inflação americana é o principal evento desta manhã. O consenso aponta para alta de 0,6% no mês e 3,6% em 12 meses, com boa parte da aceleração explicada pela gasolina.
O núcleo, porém, deve subir 0,2%, abaixo dos 0,3% registrados anteriormente. E essa diferença é importante: uma coisa é energia pressionar temporariamente o índice cheio e outra é esse choque começar a se espalhar para serviços e outras categorias mais persistentes.
O mercado já precifica pelo menos três altas de 25 pontos-base do Fed nos próximos 12 meses, enquanto o Treasury de dez anos segue perto de 5,20% e o Brent ronda US$ 106,50.
As falas recentes de dirigentes do Fed também apontam para a possibilidade de mais uma alta ainda neste ano. John Williams, de Nova York, afirmou que continua considerando apropriado um último aumento em 2026, mas não vê, por enquanto, necessidade de novos apertos em 2027.
Susan Collins, de Boston, também defendeu algum ajuste adicional antes do fim do ano, destacando principalmente os riscos de uma inflação persistentemente elevada.
01:45 — Tecnologia ainda ajuda, mas a sustentação está mais seletiva
As bolsas americanas seguem próximas da estabilidade, mesmo com juros elevados, graças em boa parte à resiliência de alguns nomes ligados à inteligência artificial.
Mas o movimento está longe de ser uniforme. Fabricantes de chips vêm passando por alguns pregões mais difíceis, e a preocupação com concorrência e capacidade de entrega começa a separar melhor vencedores e perdedores dentro do próprio tema.
A ASML, por exemplo, avançou depois de indicar que não consegue atender integralmente à demanda pelos próximos dois anos – um sinal de que a procura por infraestrutura segue forte. Ao mesmo tempo, a régua para os resultados continua cada vez mais alta.
Com juros de dez anos acima de 5%, crescimento de lucros continua sendo essencial. Só que o mercado tem menos espaço para perdoar decepções.
02:45 — No Brasil, a eleição voltou a mexer com os preços
Por aqui, o pregão de ontem foi marcado por uma clara reabertura do prêmio de risco.
O Ibovespa caiu 1,04%, para 206.888 pontos, enquanto os juros futuros avançaram mais de 20 pontos-base em alguns vencimentos. O DI para janeiro de 2029 foi de 12,22% para 12,44%, e o janeiro de 2031 subiu de 12,23% para 12,475%. O dólar também avançou, fechando em R$ 5,0198.
A leitura do mercado foi de aumento da cautela eleitoral após pesquisas indicarem recuperação de Lula e diante do anúncio de novas medidas com impacto fiscal. A proximidade do segundo turno tende a manter essa sensibilidade elevada.
Hoje teremos uma nova pesquisa Quaest, que provavelmente continuará ajudando a formar preço nos ativos domésticos.
03:45 — Atividade também entra no radar
Hoje também teremos dados importantes da economia brasileira.
O volume de serviços de agosto deve avançar 0,5% no mês, depois de estabilidade anteriormente. Na comparação anual, a expectativa é de alta de 1,3%, contra 0,9% na leitura anterior.
O dado ajuda a medir até que ponto a atividade continua resistente mesmo depois de um longo período de juros elevados.
O Banco Central também divulga o fluxo cambial semanal à tarde e realiza mais uma operação de rolagem de swaps.
Portanto, o dia deve continuar dividido entre dois vetores: lá fora, inflação e Fed; aqui, eleição e prêmio fiscal.
04:55 — JURO11: a cota ficou para trás
Hoje existem duas histórias diferentes acontecendo no JURO11. A cota patrimonial já recuperou boa parte da queda de setembro, principalmente com o fechamento dos juros reais, e está próxima de R$ 103,58. A cota negociada em Bolsa, porém, continua perto de R$ 100. Ou seja: a recuperação aconteceu dentro do fundo, mas ainda não chegou integralmente ao preço de mercado.
A carteira continua bastante diversificada e, em setembro, a Sparta mantinha uma exposição aos juros reais acima do IMA-B 5 — posicionamento que se beneficia justamente do movimento recente da curva.
Com deságio superior a 3%, o investidor hoje combina o carrego da carteira com uma segunda fonte potencial de retorno: o fechamento da distância entre a cota de mercado e a patrimonial. Por isso, vemos o nível atual como um ponto interessante para montar ou reforçar posição no JURO11.