Imagem: iStock/ Victoria Kaipetskaya
A semana termina com alguns dos principais temas dos últimos meses novamente dividindo espaço nas telas.
Nos Estados Unidos, a inteligência artificial continua no centro das atenções, mas agora por uma razão diferente. O crescimento segue forte, enquanto investidores passam a olhar com mais cuidado para o financiamento dessa expansão e para a capacidade de os projetos entregarem retorno sobre o capital investido.
No Brasil, porém, o movimento foi na direção oposta: novas discussões fiscais elevaram o prêmio de risco doméstico e pressionaram Bolsa, câmbio e curva.
Nesta manhã, a atividade econômica entra na equação com a divulgação do IBC-Br.
00:30 – Techs sob tensão
Começando pelo mercado acionário americano, a tensão envolvendo inteligência artificial ganhou uma nova camada. Após declarações de executivos do setor, vimos nova pressão sobre empresas mais alavancadas ligadas à infraestrutura de IA, especialmente a CoreWeave.
O movimento se espalhou pelos mercados de crédito e colocou os investidores em alerta para estruturas de financiamento, retorno sobre o capital e capacidade de geração de caixa dos projetos. Empresas ligadas a chips chegaram a acumular sete sessões consecutivas de queda.
Segue valendo a cautela: o movimento continua relativamente ordenado, mas ainda é cedo para falar em fim do estresse de crédito nessa cadeia.
01:31 – O silêncio de Warsh ajudou
Durante uma conversa em Bangkok, o presidente do Fed não fez qualquer referência à política monetária ou às perspectivas para a economia americana, mesmo após os dados de inflação divulgados na quinta-feira.
Warsh foi mais explícito ao falar de inteligência artificial. Na sua avaliação, a tecnologia representa um enorme benefício para a economia, embora também possa estimular a demanda no curto prazo — um ponto relevante em um momento no qual o Fed ainda convive com pressões inflacionárias.
Por enquanto, portanto, o mercado interpretou o silêncio como sinal de cautela. Sem indicação de urgência, cresce a percepção de que o Fed pode preferir esperar por mais dados antes de voltar a apertar a política monetária.
Uma postura mais cautelosa do Fed, combinada à busca por segurança nos títulos públicos durante a turbulência no setor de tecnologia, ajudou a derrubar os yields americanos.
02:20 – Prêmio de risco doméstico
No Brasil, a sessão de ontem foi um caso claro de prêmio de risco em movimento. A perspectiva de novas renúncias fiscais em meio ao ciclo eleitoral levou o investidor a reduzir exposição aos ativos locais: o Ibovespa recuou 1,1%, com as blue chips cedendo em bloco, enquanto a liderança das perdas ficou com nomes do setor imobiliário, após prévias operacionais consideradas fracas.
No câmbio, o dólar terminou perto de R$ 5,09, em um movimento contrário ao observado pela moeda americana no exterior. Ou seja, tratou-se principalmente de prêmio local, e não de força global do dólar.
Na curva de juros, os vértices intermediários abriram cerca de 25 pontos-base, refletindo as dúvidas sobre a origem dos recursos para bancar as medidas anunciadas.
03:45 – Atividade sob o microscópio
O Banco Central divulgou hoje o IBC-Br de agosto, indicador utilizado como uma espécie de termômetro mensal da atividade econômica. O índice registrou alta de 0,34%, acima das expectativas de mercado (0,20%).
O dado ganha relevância porque o mercado ainda trabalha com duas forças em direções diferentes.
De um lado, a atividade dá sinais de perda gradual de fôlego, especialmente no varejo, abrindo espaço para a continuidade do ciclo de cortes da Selic. De outro, a inflação segue pressionada, inclusive pela energia, enquanto o cenário eleitoral produz movimentos bastante expressivos na parte longa da curva.
A pergunta que fica é: quanto espaço o Banco Central realmente terá para acelerar os cortes de juros?
05:03 – Escritórios de qualidade ainda com desconto
Entre os FIIs de tijolo, seguimos vendo valor em nomes que combinam ativos de alta qualidade, boa localização e desconto patrimonial. É justamente onde o JS Real Estate (JSRE11) se encaixa. O fundo reúne lajes corporativas de alto padrão em São Paulo, com vacância controlada e exposição a regiões que vêm ganhando demanda no mercado de escritórios.
A tese também passou por uma transformação importante nos últimos meses. Depois da desalavancagem, o JSRE11 ampliou sua exposição imobiliária por meio do JSRI, aumentando o potencial de captura de valor em uma eventual recuperação do segmento.
A contrapartida é que a participação em cotas subordinadas reduz a previsibilidade de parte das receitas e torna uma parcela dos ganhos mais dependente da futura monetização dos ativos.
Do lado operacional, seguimos construtivos. O deslocamento da demanda da Faria Lima para regiões como Berrini, Chucri Zaidan e Paulista pode favorecer a ocupação do portfólio e abrir espaço para revisões positivas dos aluguéis nos próximos anos.
Em nossa visão, o cenário oferece uma oportunidade de ganho de capital de dois dígitos para o JSRE11, aliada a um dividend yield projetado de 8,8% para os próximos 12 meses. A combinação entre qualidade dos imóveis, melhora da estrutura de capital e desconto segue sustentando a tese.