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Investimentos

Ibovespa hoje: resultados do 4T25 atraem atenção dos investidores e petróleo sobe com negociação entre EUA e Irã; veja destaques do dia

A agenda da semana reúne vários indicadores relevantes que podem direcionar os próximos passos de política monetária no Brasil e EUA.

Por Matheus Spiess

09 fev 2026, 09:37

Atualizado em 09 fev 2026, 09:37

mercado ibovespa ações bolsa b3

Imagem: iStock.com/spawns

Os mercados internacionais iniciam mais uma semana particularmente intensa, com a atenção dos investidores dividida entre a temporada de balanços — que reúne dezenas de companhias do S&P 500 e nomes relevantes do Dow Jones Industrial Average, após o índice superar a marca histórica dos 50 mil pontos — e uma agenda carregada de indicadores macroeconômicos.

Nos Estados Unidos, os dados de vendas no varejo, o payroll e o CPI devem ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária, enquanto no Brasil o foco recai sobre IPCA, números de serviços e varejo, em um momento em que o mercado busca confirmar apostas de cortes de juros pelo Copom. No cenário internacional, a vitória expressiva da primeira-ministra Sanae Takaichi impulsionou o Nikkei a novas máximas e trouxe algum alívio ao iene, estimulando um apetite maior por risco nos mercados asiáticos.

Ao mesmo tempo, seguem no radar temas sensíveis, como o comportamento do mercado de criptomoedas após a recente aversão ao risco, sinais de cautela estrutural vindos de grandes instituições financeiras globais, as discussões em torno da dívida americana e da demanda por Treasuries, além do petróleo operando em alta diante das negociações entre Estados Unidos e Irã. Na Europa, as bolsas operam de forma mista.

· 00:58 — Na expectativa pela inflação

No Brasil, a temporada de resultados começa a ganhar mais tração, com a divulgação dos números de mais bancos e também da Vale (VALE3), aumentando a sensibilidade do mercado aos fundamentos corporativos. A agenda de dados econômicos também é relevante, com a inflação oficial de janeiro no centro das atenções, podendo reforçar a expectativa de um corte de 50 pontos-base na reunião de março do Copom. Leituras mais fracas de inflação, assim como sinais de desaceleração em varejo e serviços, tenderiam a consolidar esse cenário, o que seria, em princípio, positivo para os ativos.

No plano político, o país entra de forma cada vez mais clara no calendário eleitoral e o mercado passa a precificar a chance de vitória de algum projeto minimamente mais pró-mercado, reformista e, sobretudo, comprometido com a agenda fiscal. Nesse contexto, a reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores no fim de semana reacendeu o debate sobre política monetária, ao defender a revisão da meta de inflação de 3% e questionar o atual modelo de autonomia do Banco Central. O episódio reforça a leitura de que a eleição tende a ser marcada por retórica agressiva e elevada polarização, um ambiente que historicamente aumenta a volatilidade e pode pressionar os ativos de risco, dependendo do grau de previsibilidade (ou imprevisibilidade) associado ao projeto que ganhe tração ao longo do processo.

· 01:44 — Leve recuperação em um ambiente complexo

Nos Estados Unidos, após uma semana marcada por elevada volatilidade, os mercados americanos encerraram o período com um rali de alívio, impulsionado sobretudo por compras na baixa e por uma mudança no humor dos investidores. O Dow Jones Industrial Average avançou cerca de 1.200 pontos e superou, pela primeira vez, a marca simbólica dos 50 mil pontos, enquanto o S&P 500 subiu 2% e o Nasdaq Composite avançou 2,2%, ainda que permaneça abaixo de seu recorde histórico.

Ainda assim, o pano de fundo segue complexo. A curva de juros dos Treasuries atingiu o maior grau de inclinação em quatro anos, refletindo preocupações persistentes com a trajetória fiscal dos Estados Unidos e com a elevada oferta de dívida pública. Em paralelo, dados recentes apontam para uma aceleração nos anúncios de demissões, adicionando incerteza ao cenário de atividade. A semana tende a ser decisiva, com a divulgação de indicadores-chave — como o relatório de emprego (payroll), atrasado da semana passada, e o índice de preços ao consumidor — que podem recalibrar as expectativas do mercado em relação à condução da política monetária pelo Fed.

· 02:33 — Ceticismo com o capex

As grandes empresas de tecnologia projetam investir, em conjunto, mais de US$ 600 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial em 2026 — um patamar histórico de capex, liderado por Amazon (US$ 200 bilhões), Alphabet (até US$ 185 bilhões), Meta (até US$ 135 bilhões) e Microsoft (cerca de US$ 105 bilhões). A magnitude desses números reacendeu o debate sobre uma possível “bolha de IA”, não apenas pelo tamanho absoluto, mas porque o ritmo de construção de capacidade lembra ciclos históricos de overbuild — como a expansão ferroviária no século XIX e o boom de telecomunicações nos anos 1990, períodos em que a infraestrutura foi erguida muito à frente da demanda visível e, em alguns casos, terminou em correções relevantes.

A reação do mercado, por ora, tem sido de cautela: após os anúncios, as ações de algumas big techs recuaram, refletindo a preocupação com retorno sobre capital, disciplina de gastos e o risco de investimentos excessivos em um ambiente competitivo. Em contrapartida, fornecedores da “pá e picareta” do ciclo — como a Nvidia — tendem a se beneficiar da aceleração do capex, já que são eles que entregam os componentes essenciais para essa expansão. No fundo, a dúvida central dos investidores segue a mesma: estamos diante de um excesso de investimento motivado pelo medo de ficar para trás, ou da construção antecipada de uma nova camada tecnológica que, com o tempo, se tornará indispensável para a economia digital?

· 03:26 — Alternativa?

A Hims & Hers Health recuou de forma rápida e abrupta após anunciar — e suspender poucos dias depois — a venda de um comprimido alternativo ao Wegovy, um episódio que ilustra a crescente tensão no mercado de medicamentos para perda de peso. O caso trouxe à tona a zona cinzenta regulatória em torno dos chamados medicamentos manipulados: com o fim da escassez de GLP-1 no final de 2024 e início de 2025, a Food and Drug Administration (agência reguladora americana) determinou que as farmácias de manipulação interrompessem a produção de cópias de fármacos aprovados, mas manteve aberta a brecha da chamada “personalização” de formulações. A resposta firme do regulador, acompanhada de alertas explícitos sobre possíveis ações legais, reforçou a disposição das grandes farmacêuticas, como Novo Nordisk e Eli Lilly, em proteger tanto seus direitos de patente quanto a reputação de seus produtos. Ao mesmo tempo, evidencia o dilema de mercado: enquanto empresas alternativas tentam atender consumidores mais sensíveis a preço, o ambiente regulatório e competitivo se torna cada vez mais delicado, elevando o risco jurídico e tornando o setor significativamente mais sensível a intervenções das autoridades.

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· 04:11 — Vitória importante

As eleições parlamentares antecipadas no Japão consolidaram uma vitória expressiva da coalizão liderada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, garantindo ao Partido Liberal Democrata e a seus aliados ampla maioria na Câmara Baixa e, com isso, um mandato político mais robusto para avançar sua agenda. Na prática, o resultado abre espaço para uma combinação de medidas de expansão fiscal, cortes de impostos, estímulos à indústria e aumento dos gastos com defesa — reforçando o alinhamento de Tóquio com os EUA em um ambiente geopolítico mais competitivo na Ásia.

Do ponto de vista de mercado, o desfecho reduziu a incerteza política no curto prazo, impulsionou o Nikkei a novos recordes e ajudou a estabilizar o sentimento após semanas de volatilidade. Ainda assim, o iene segue pressionado e os rendimentos dos títulos públicos permanecem sensíveis às preocupações com sustentabilidade fiscal. Para o Bank of Japan, o quadro fica mais desafiador: será necessário calibrar a política monetária para compatibilizar a meta de inflação com um impulso fiscal mais forte, sem perder de vista o câmbio — que pode voltar a se aproximar do patamar crítico de 160 ienes por dólar, um ponto historicamente sensível para a condução da política econômica. No longo prazo, a vitória também reabre discussões de natureza estrutural, incluindo a possibilidade de revisão da Constituição pacifista, um movimento que tenderia a elevar ainda mais as tensões dos japoneses com Pequim.

· 05:07 — Um dólar mais fraco

A sinalização de maior tolerância a um dólar mais fraco por Donald Trump pode estar abrindo uma janela estratégica relevante para a China avançar em uma ambição de longo prazo…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.