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Os mercados internacionais iniciam mais uma semana particularmente intensa, com a atenção dos investidores dividida entre a temporada de balanços — que reúne dezenas de companhias do S&P 500 e nomes relevantes do Dow Jones Industrial Average, após o índice superar a marca histórica dos 50 mil pontos — e uma agenda carregada de indicadores macroeconômicos.
Nos Estados Unidos, os dados de vendas no varejo, o payroll e o CPI devem ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária, enquanto no Brasil o foco recai sobre IPCA, números de serviços e varejo, em um momento em que o mercado busca confirmar apostas de cortes de juros pelo Copom. No cenário internacional, a vitória expressiva da primeira-ministra Sanae Takaichi impulsionou o Nikkei a novas máximas e trouxe algum alívio ao iene, estimulando um apetite maior por risco nos mercados asiáticos.
Ao mesmo tempo, seguem no radar temas sensíveis, como o comportamento do mercado de criptomoedas após a recente aversão ao risco, sinais de cautela estrutural vindos de grandes instituições financeiras globais, as discussões em torno da dívida americana e da demanda por Treasuries, além do petróleo operando em alta diante das negociações entre Estados Unidos e Irã. Na Europa, as bolsas operam de forma mista.
· 00:58 — Na expectativa pela inflação
No Brasil, a temporada de resultados começa a ganhar mais tração, com a divulgação dos números de mais bancos e também da Vale (VALE3), aumentando a sensibilidade do mercado aos fundamentos corporativos. A agenda de dados econômicos também é relevante, com a inflação oficial de janeiro no centro das atenções, podendo reforçar a expectativa de um corte de 50 pontos-base na reunião de março do Copom. Leituras mais fracas de inflação, assim como sinais de desaceleração em varejo e serviços, tenderiam a consolidar esse cenário, o que seria, em princípio, positivo para os ativos.
No plano político, o país entra de forma cada vez mais clara no calendário eleitoral e o mercado passa a precificar a chance de vitória de algum projeto minimamente mais pró-mercado, reformista e, sobretudo, comprometido com a agenda fiscal. Nesse contexto, a reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores no fim de semana reacendeu o debate sobre política monetária, ao defender a revisão da meta de inflação de 3% e questionar o atual modelo de autonomia do Banco Central. O episódio reforça a leitura de que a eleição tende a ser marcada por retórica agressiva e elevada polarização, um ambiente que historicamente aumenta a volatilidade e pode pressionar os ativos de risco, dependendo do grau de previsibilidade (ou imprevisibilidade) associado ao projeto que ganhe tração ao longo do processo.
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· 01:44 — Leve recuperação em um ambiente complexo
Nos Estados Unidos, após uma semana marcada por elevada volatilidade, os mercados americanos encerraram o período com um rali de alívio, impulsionado sobretudo por compras na baixa e por uma mudança no humor dos investidores. O Dow Jones Industrial Average avançou cerca de 1.200 pontos e superou, pela primeira vez, a marca simbólica dos 50 mil pontos, enquanto o S&P 500 subiu 2% e o Nasdaq Composite avançou 2,2%, ainda que permaneça abaixo de seu recorde histórico.
Ainda assim, o pano de fundo segue complexo. A curva de juros dos Treasuries atingiu o maior grau de inclinação em quatro anos, refletindo preocupações persistentes com a trajetória fiscal dos Estados Unidos e com a elevada oferta de dívida pública. Em paralelo, dados recentes apontam para uma aceleração nos anúncios de demissões, adicionando incerteza ao cenário de atividade. A semana tende a ser decisiva, com a divulgação de indicadores-chave — como o relatório de emprego (payroll), atrasado da semana passada, e o índice de preços ao consumidor — que podem recalibrar as expectativas do mercado em relação à condução da política monetária pelo Fed.
· 02:33 — Ceticismo com o capex
As grandes empresas de tecnologia projetam investir, em conjunto, mais de US$ 600 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial em 2026 — um patamar histórico de capex, liderado por Amazon (US$ 200 bilhões), Alphabet (até US$ 185 bilhões), Meta (até US$ 135 bilhões) e Microsoft (cerca de US$ 105 bilhões). A magnitude desses números reacendeu o debate sobre uma possível “bolha de IA”, não apenas pelo tamanho absoluto, mas porque o ritmo de construção de capacidade lembra ciclos históricos de overbuild — como a expansão ferroviária no século XIX e o boom de telecomunicações nos anos 1990, períodos em que a infraestrutura foi erguida muito à frente da demanda visível e, em alguns casos, terminou em correções relevantes.
A reação do mercado, por ora, tem sido de cautela: após os anúncios, as ações de algumas big techs recuaram, refletindo a preocupação com retorno sobre capital, disciplina de gastos e o risco de investimentos excessivos em um ambiente competitivo. Em contrapartida, fornecedores da “pá e picareta” do ciclo — como a Nvidia — tendem a se beneficiar da aceleração do capex, já que são eles que entregam os componentes essenciais para essa expansão. No fundo, a dúvida central dos investidores segue a mesma: estamos diante de um excesso de investimento motivado pelo medo de ficar para trás, ou da construção antecipada de uma nova camada tecnológica que, com o tempo, se tornará indispensável para a economia digital?
· 03:26 — Alternativa?
A Hims & Hers Health recuou de forma rápida e abrupta após anunciar — e suspender poucos dias depois — a venda de um comprimido alternativo ao Wegovy, um episódio que ilustra a crescente tensão no mercado de medicamentos para perda de peso. O caso trouxe à tona a zona cinzenta regulatória em torno dos chamados medicamentos manipulados: com o fim da escassez de GLP-1 no final de 2024 e início de 2025, a Food and Drug Administration (agência reguladora americana) determinou que as farmácias de manipulação interrompessem a produção de cópias de fármacos aprovados, mas manteve aberta a brecha da chamada “personalização” de formulações. A resposta firme do regulador, acompanhada de alertas explícitos sobre possíveis ações legais, reforçou a disposição das grandes farmacêuticas, como Novo Nordisk e Eli Lilly, em proteger tanto seus direitos de patente quanto a reputação de seus produtos. Ao mesmo tempo, evidencia o dilema de mercado: enquanto empresas alternativas tentam atender consumidores mais sensíveis a preço, o ambiente regulatório e competitivo se torna cada vez mais delicado, elevando o risco jurídico e tornando o setor significativamente mais sensível a intervenções das autoridades.
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· 04:11 — Vitória importante
As eleições parlamentares antecipadas no Japão consolidaram uma vitória expressiva da coalizão liderada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, garantindo ao Partido Liberal Democrata e a seus aliados ampla maioria na Câmara Baixa e, com isso, um mandato político mais robusto para avançar sua agenda. Na prática, o resultado abre espaço para uma combinação de medidas de expansão fiscal, cortes de impostos, estímulos à indústria e aumento dos gastos com defesa — reforçando o alinhamento de Tóquio com os EUA em um ambiente geopolítico mais competitivo na Ásia.
Do ponto de vista de mercado, o desfecho reduziu a incerteza política no curto prazo, impulsionou o Nikkei a novos recordes e ajudou a estabilizar o sentimento após semanas de volatilidade. Ainda assim, o iene segue pressionado e os rendimentos dos títulos públicos permanecem sensíveis às preocupações com sustentabilidade fiscal. Para o Bank of Japan, o quadro fica mais desafiador: será necessário calibrar a política monetária para compatibilizar a meta de inflação com um impulso fiscal mais forte, sem perder de vista o câmbio — que pode voltar a se aproximar do patamar crítico de 160 ienes por dólar, um ponto historicamente sensível para a condução da política econômica. No longo prazo, a vitória também reabre discussões de natureza estrutural, incluindo a possibilidade de revisão da Constituição pacifista, um movimento que tenderia a elevar ainda mais as tensões dos japoneses com Pequim.
· 05:07 — Um dólar mais fraco
A sinalização de maior tolerância a um dólar mais fraco por Donald Trump pode estar abrindo uma janela estratégica relevante para a China avançar em uma ambição de longo prazo…