1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Ibovespa: Trump encontra Xi Jinping, Lula discursa na Assembleia da ONU e expectativa de negociações no Oriente Médio acalma os mercados globais; veja destaques da semana

Comércio, tarifas, cadeias de suprimentos, Taiwan e inteligência artificial devem ocupar o centro das discussões entre Donald Trump e Xi Jinping

Por Matheus Spiess

21 set 2026, 10:51

Atualizado em 21 set 2026, 10:51

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Os mercados globais começam a semana em tom positivo, apoiados pela expectativa de avanços diplomáticos no Oriente Médio e por sinais mais construtivos nas relações entre Estados Unidos e China.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, viaja a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, enquanto Donald Trump terá uma agenda intensa de encontros com líderes internacionais e Xi Jinping chegará a Washington para uma visita de Estado, com reunião prevista para quinta-feira. Comércio, tarifas, inteligência artificial, terras raras, controles tecnológicos e uma possível extensão da trégua comercial estarão no centro das conversas entre Washington e Pequim.

Esse ambiente ajudou a sustentar altas nas bolsas da Ásia, Europa e nos futuros de Wall Street, enquanto o petróleo recua pelo quarto pregão consecutivo, com Brent e WTI em queda de cerca de 2%. A melhora do fluxo pelo Estreito de Ormuz e novas iniciativas diplomáticas contribuíram para reduzir o prêmio de risco, embora ataques dos houthis, ameaças à infraestrutura saudita e a tensão em Bab el-Mandeb mantenham o mercado de energia vulnerável a novos episódios de volatilidade.

· 00:59 — A fala brasileira na ONU

O mercado brasileiro encerrou a última semana em tom mais cauteloso. O Ibovespa recuou 0,41% na sexta-feira, aos 185.229 pontos, e acumulou perda de 1,06% no período, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de alta. O dólar, por sua vez, fechou a R$ 5,1440, com valorização de 0,37% na semana.

A agenda doméstica agora se volta para a Pesquisa Focus, a ata do Copom, o IPCA-15 e o Relatório de Política Monetária, que devem oferecer novas pistas sobre a trajetória da Selic após o corte para 13,75%. O quadro fiscal também seguirá no centro das atenções, especialmente depois do reajuste de 15% do Bolsa Família e da revisão das projeções para a dívida bruta, que pode alcançar 90% do PIB em 2030.

Ao mesmo tempo, a corrida presidencial continua influenciando a precificação dos ativos, com pesquisas recentes apontando uma disputa apertada entre os dois principais candidatos. Nesse contexto, medidas econômicas com potencial repercussão eleitoral, como o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%, também passaram a ocupar espaço crescente no debate político.

No exterior, as atenções se concentram na agenda de Lula em Nova York, às vésperas da Assembleia Geral da ONU. O presidente deve reforçar temas como soberania, multilateralismo, combate a barreiras comerciais e cooperação internacional, ao mesmo tempo em que busca ampliar o diálogo com lideranças democratas nos Estados Unidos em meio às tensões tarifárias com o governo Trump.

Há ainda expectativa em torno de um eventual encontro informal entre Lula e o presidente americano. Em paralelo, Brasil, Canadá, Quênia e União Europeia anunciaram uma iniciativa conjunta, o P4M, voltada à coordenação entre potências médias e países em desenvolvimento diante de uma ordem internacional cada vez mais fragmentada.

· 01:45 — Encontro entre gigantes

A semana começa com uma agenda relativamente leve de indicadores econômicos nos Estados Unidos, o que tende a deslocar a atenção dos investidores para eventos corporativos e, sobretudo, para a geopolítica. No campo empresarial, a Costco divulga seus resultados na quinta-feira, enquanto Darden Restaurants, Cintas, Paychex e General Mills também apresentam balanços.

A Meta realiza, a partir de quarta-feira, o evento Connect, com foco em inteligência artificial, óculos inteligentes e tecnologias de realidade virtual e mista, enquanto o McDonald’s promove um encontro com investidores. Também entram no radar os PMIs preliminares de setembro e um anúncio aguardado do Tesouro americano sobre recompra de títulos públicos.

Em paralelo, os mercados seguem atentos à comunicação do Federal Reserve após a alta de 25 pontos-base da semana passada. Neel Kashkari reforçou que as pressões inflacionárias permanecem disseminadas para além de energia e alimentos, especialmente no setor de serviços, e a probabilidade implícita de uma nova elevação dos juros já em outubro subiu para perto de 55%.

O principal evento da semana, porém, será o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, em Washington, na quinta-feira. Comércio, tarifas, cadeias de suprimentos, Taiwan e inteligência artificial devem ocupar o centro das discussões, após uma rodada considerada positiva entre Scott Bessent e o vice-premiê chinês He Lifeng. Os dois lados avançaram na criação de um mecanismo bilateral de notificação para incidentes envolvendo IA com possíveis implicações para a segurança nacional e também discutem uma nova extensão da trégua tarifária, ainda sem consenso sobre sua duração.

Para Taiwan, o encontro é particularmente sensível, diante das dúvidas sobre eventuais concessões americanas a Pequim e da preocupação com uma possível mudança na linguagem de Washington em relação à independência da ilha. A apreensão aumentou após relatos de retenção de um pacote de armas de US$ 14 bilhões, em um momento em que a opinião pública taiwanesa se mostra cada vez mais dividida sobre a disposição dos Estados Unidos de manter seu apoio militar.

· 02:31 — Petróleo recua, mas o risco no Oriente Médio permanece elevado

O petróleo abriu em queda pelo quarto pregão consecutivo, com Brent e WTI recuando mesmo diante da escalada militar no Oriente Médio. A melhora recente do fluxo pelo Estreito de Ormuz, o aumento das exportações via Golfo e a expectativa de recuperação parcial do oleoduto saudita Leste-Oeste ajudaram a reduzir o prêmio de risco de curto prazo.

Ainda assim, o quadro está longe de uma normalização efetiva: Ormuz continua operando abaixo dos níveis anteriores ao conflito, o corredor até Yanbu permanece comprometido e Bab el-Mandeb também segue sob pressão após o avanço dos houthis e os novos ataques contra a Arábia Saudita. A ofensiva do grupo, apoiado pelo Irã, incluiu o lançamento de mísseis e drones contra Riad e instalações da Saudi Aramco, ampliando a vulnerabilidade das principais rotas de escoamento de energia da região.

Em paralelo, mecanismos alternativos, como transferências entre navios ao largo de Omã, permitiram recuperar parte dos embarques, embora a custos mais elevados de transporte e seguro. A China também tem funcionado como um importante amortecedor, apoiada por estoques estratégicos próximos de 1,4 bilhão de barris e pela redução das importações no segundo trimestre.

No campo diplomático, a escalada militar convive com novas tentativas de negociação. Donald Trump afirmou estar em “modo decisão” e disse estar aberto a se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral da ONU, enquanto Teerã sinaliza disposição condicional para retomar as conversas. A retórica, contudo, permanece dura, e Trump voltou a ameaçar a economia e a liderança iranianas caso não haja acordo.

Os efeitos do conflito também começam a se espalhar de forma mais clara para outros mercados: refinarias europeias foram informadas de cortes nas alocações de petróleo saudita, aumentando a busca por fontes alternativas de suprimento e pressionando referências físicas como o Dated Brent, que chegou a superar US$ 130 por barril.

Em paralelo, os Estados Unidos devem avançar em um pacto de segurança com Dinamarca e Groenlândia para ampliar sua presença militar no Ártico. O quadro, portanto, combina algum alívio recente nos preços com uma estrutura de oferta e logística ainda bastante frágil, na qual novos ataques a Ormuz, Yanbu, Bab el-Mandeb ou à infraestrutura saudita podem rapidamente devolver pressão às cotações do petróleo.

· 03:28 — Diesel em alerta: o gargalo que pode pesar sobre o Brasil

O diesel nos Estados Unidos ultrapassou US$ 6,50 por galão pela primeira vez, reforçando a percepção de perda de poder de compra em um ambiente no qual os preços ao consumidor acumulam alta desde 2025 e os combustíveis subiram ainda mais. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico permanece delicado. Mesmo com a sinalização de Trump para conversar com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a retórica entre Washington e Teerã segue hostil e a falta de confiança entre as partes limita a probabilidade de uma solução rápida. Nesse contexto, qualquer avanço diplomático ajuda, mas o mercado de energia continua operando com prêmio elevado de risco.

O principal problema, porém, não parece estar apenas na disponibilidade de petróleo bruto, mas na oferta de derivados, especialmente diesel. Petróleo e diesel fazem parte da mesma cadeia, mas não são o mesmo mercado: o barril precisa ser refinado antes de virar combustível. Quando há interrupções em refinarias ou quando a capacidade global de processamento fica apertada, pode haver petróleo disponível e, ainda assim, faltar diesel.

Isso faz o preço do derivado subir mais rapidamente, aumenta as margens das refinarias e incentiva os produtores a direcionarem combustível para os mercados que pagam mais. Os Estados Unidos têm papel central nessa dinâmica porque possuem grande capacidade de refino e são exportadores relevantes de diesel, de modo que uma eventual restrição às exportações poderia aliviar os preços domésticos, mas apertar ainda mais o mercado internacional.

Para países importadores como o Brasil, esse quadro exige atenção porque a diferença entre o preço doméstico e o custo de importação pode comprometer a entrada de produto estrangeiro. Se o diesel internacional estiver muito caro, somado a frete e demais custos, enquanto o preço interno permanecer significativamente mais baixo, a arbitragem deixa de funcionar e as importações privadas tendem a cair. Isso aumenta a dependência da produção doméstica, dos estoques e da Petrobras. Não significa que haverá necessariamente falta de diesel, mas quanto maior e mais persistente for essa defasagem entre preços internos e externos, maior o risco de dificuldades de abastecimento.

· 04:17 — Europa sob pressão: fragmentação política e guerra redesenham o cenário regional

Na Alemanha, as eleições regionais ampliaram a pressão sobre o governo do chanceler Friedrich Merz e evidenciaram uma perda expressiva de espaço da CDU. Em Mecklenburg-Vorpommern, a AfD terminou em primeiro lugar, com 38,2% dos votos, enquanto a CDU obteve apenas 4,9% e ficou fora do Parlamento estadual, registrando seu pior desempenho em uma eleição regional no período pós-guerra. Em Berlim, o Die Linke venceu com 25,7%, à frente da CDU, que alcançou 18,8%.

Embora esses resultados não alterem diretamente a composição do governo federal, eles enfraquecem politicamente Merz, que afirmou pretender permanecer no cargo, e reforçam um movimento mais amplo de fragmentação do eleitorado alemão. Esse ambiente político mais disperso tende a tornar mais difícil a formação de maiorias e, consequentemente, a implementação de reformas econômicas e fiscais, justamente em um momento em que a Europa convive com desafios relevantes de crescimento, competitividade e segurança.

Esse pano de fundo europeu se conecta a outro elemento central do cenário geopolítico: a Rússia. As eleições legislativas realizadas entre 18 e 20 de setembro preservaram o domínio do partido governista Rússia Unida sobre a Duma Estatal. Os resultados preliminares apontaram cerca de 58% dos votos na lista partidária e uma projeção de 355 das 450 cadeiras, em um pleito marcado pela ausência de parcela relevante da oposição e por fortes restrições políticas.

Foi a primeira eleição para a Duma desde a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022, e a votação também ocorreu em territórios ucranianos ocupados e anexados pela Rússia. Além disso, foram abertas seções eleitorais na Transnístria, apesar das objeções apresentadas pelo governo da Moldávia. O resultado, portanto, reforça a continuidade política interna em Moscou ao mesmo tempo em que o conflito permanece como um dos principais vetores de risco para a região.

E é justamente na Ucrânia que esse risco segue se materializando de forma mais concreta. As atenções agora se voltam para a perspectiva de mais um inverno especialmente difícil, diante da intensificação dos ataques russos contra a infraestrutura energética e produtiva e dos efeitos acumulados da guerra sobre a economia. Ao mesmo tempo, Kiev ampliou sua ofensiva contra alvos em território russo: no último dia das eleições parlamentares, um ataque de grande escala atingiu a região de Moscou e uma refinaria de petróleo na capital, enquanto autoridades russas afirmaram ter abatido mais de 1.600 drones desde sábado, dos quais cerca de 450 teriam sido direcionados a Moscou.

A combinação entre os ataques à infraestrutura energética russa e a necessidade de preservar o próprio sistema energético ucraniano reforça a perspectiva de um novo inverno marcado por pressões crescentes sobre abastecimento, atividade econômica e capacidade militar de ambos os lados.

· 05:02 — Assistentes de IA avançam e a segurança precisa acompanhar

A corrida pelos assistentes pessoais de inteligência artificial entrou em uma nova etapa. Empresas como Meta, Google, OpenAI, xAI e Apple avançam no desenvolvimento de agentes capazes de realizar compras, organizar agendas, reservar viagens e executar tarefas de forma cada vez mais autônoma.

O interesse do público e dos investidores cresce rapidamente, como mostram a popularidade recente do Muse, da Meta, e a elevada avaliação atribuída à startup Instinct. A proposta é transformar a IA em uma espécie de assistente pessoal permanente, integrado à rotina e capaz de reduzir fricções em diversas tarefas do dia a dia.

Essa conveniência, no entanto, vem acompanhada de riscos relevantes. Para funcionar de maneira efetiva, esses agentes precisam ter acesso a informações altamente sensíveis, como compromissos, dados financeiros e outros registros pessoais. Casos recentes envolvendo invasões de sistemas, falhas de segurança e decisões autônomas inadequadas mostram que a tecnologia ainda pode se comportar de forma imprevisível quando opera além dos limites esperados.

Surge, assim, um dos principais dilemas do setor: quanto maior o nível de autonomia concedido aos assistentes, maior também a necessidade de controles, testes e salvaguardas. A adoção em larga escala dependerá, portanto, não apenas da capacidade desses sistemas de executar tarefas com eficiência, mas principalmente da confiança de que conseguirão fazê-lo sem ultrapassar limites ou comprometer a segurança dos usuários.

Para investidores interessados nesse tema, o segmento oferece caminhos relativamente diretos de exposição. ETFs como o Global X Cybersecurity ETF (BUG) e o First Trust Nasdaq Cybersecurity ETF (CIBR) reúnem empresas relevantes em defesa digital, com receitas recorrentes, atuação global e incorporação crescente de inteligência artificial aos seus modelos de negócio. No Brasil, o BBUG39 aparece como uma alternativa local de acesso ao setor. Ainda assim, a cautela continua sendo essencial: investimentos temáticos, por mais promissores que possam parecer, devem ocupar uma parcela limitada e adequadamente dimensionada da carteira. Uma alocação entre 1% e 2,5% do portfólio por tema, e de no máximo 5% considerando a soma de todas as exposições temáticas específicas, tende a ser suficiente para capturar parte desse potencial de crescimento sem comprometer a diversificação. Segurança, afinal, também começa pela disciplina na estratégia de alocação.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.