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Itaúsa (ITSA4): redução da dívida no 4T22 pode abrir espaço para mais dividendos?

Grande destaque do resultado de Itaúsa foi a redução da alavancagem financeira, que impedia uma distribuição maior de dividendos; veja os números

Por Larissa Quaresma, CFA

21 de março de 2023, 15:45

Itaúsa (ITSA4)
Imagem: Itaúsa

Ontem (20), após o fechamento do mercado, a Itaúsa (ITSA4) divulgou seus resultados do 4T22, que vieram em linha com a expectativa.

O lucro líquido ficou em R$ 3,3 bilhões (-19% a/a), com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 18,7% (-7,3 p.p. a/a). Enquanto o resultado em si foi impactado pelos negócios cíclicos do conglomerado, a redução de alavancagem é notável, podendo abrir espaço para um aumento de dividendos no médio prazo, na nossa visão.

O resultado recorrente das empresas investidas, maior componente do lucro consolidado, foi de R$ 3,0 bilhões, queda anual de 16%.

Resultados do Itaú Unibanco e da Copa Energia foram destaques

Na ponta positiva, contribuíram os resultados de Itaú Unibanco (+8% a/a) e de Copa Energia (+461% a/a), esta última influenciada pelas sinergias com a adquirida Liquigás.

Já na ponta negativa, os resultados de XP (-60% a/a), Dexco (-43% a/a), Alpargatas (-55% a/a) e NTS (-102% a/a) foram os principais detratores. No caso de XP, a queda vem tanto da performance operacional da investida (-21% a/a) quanto da redução de participação por parte da Itaúsa, que diminuiu seu percentual na fintech de 13,7% no final de 2021 para 6,6% no final de 2022.

Por sua vez, o resultado próprio da holding foi de R$ 810 milhões, crescimento anual de 13%. A alta vem principalmente do ganho de capital com a venda de participação na XP. Durante a teleconferência de resultados, os executivos da companhia afirmaram que seguem com o objetivo de zerar a participação na investida, à medida que o mercado abre janelas favoráveis.

Após as despesas financeiras e imposto de renda, o lucro líquido ficou em R$ 3,3 bilhões, com ROE de 18,7%

Redução da alavancagem é a melhor notícia do resultado

O grande destaque positivo, na nossa visão, foi a redução da alavancagem financeira: a venda de participação na XP permitiu que a companhia pré-pagasse R$ 1,8 bilhão em debêntures.

Isso eliminou os vencimentos de dívida antes previstos para 2023 e 2024, além de reduzir o índice dívida líquida / passivo total de 7,0% (3T22) para 4,6% (4T22).

Com isso, a companhia eliminou um dos empecilhos que a impediam de distribuir mais proventos, o que agora passa a depender mais do aumento de payout por parte do Itaú Unibanco, ainda a principal fonte de proventos do conglomerado.

Esperamos que o conglomerado volte ao seu payout histórico (35%) no médio prazo – hoje, a Itaúsa distribui 25% dos seus lucros aos acionistas.

ITSA4: Empiricus Research tem visão neutra para a ação

Do nosso lado, vemos com bons olhos a redução da alavancagem na holding; entretanto, entendemos que a natureza cíclica de algumas das investidas (Dexco, Alpargatas) ainda pode pesar nos resultados consolidados no curto prazo.

Entretanto, pelo seu valuation bem descontado (5x lucro 2023), temos uma visão neutra para ITSA4.

Sobre o autor

Larissa Quaresma, CFA

Analista de Ações focada em Bancos e Instituições Financeiras, integra a equipe da Carteira Empiricus, o portfólio multimercado da casa. Mais de 5 anos de experiência em análise de empresas, com passagens pela Núcleo Capital e pelo Credit Suisse. Administradora formada pelo Ibmec-MG, com certificações CFA, CNPI e CGA.