1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Mercados globais começam ano em tom construtivo e aguardam dados de emprego nos EUA; veja os destaques do dia

JOLTS e ADP são os dados mais importantes desta quarta-feira (7) e podem ajustar expectativas em torno da política monetária do Fed

Por Matheus Spiess

07 jan 2026, 10:04

Atualizado em 07 jan 2026, 10:08

investir brasil foguete bolsa mercado

Imagem: iStock/ @Rasi Bhadramani

Os mercados globais começaram o ano em tom construtivo, reforçando a leitura de um “efeito janeiro” mais intenso em 2026.

Nos EUA, o histórico favorável do Nasdaq e a antecipação de fluxos de capital dão sustentação à continuidade da alta, enquanto o foco dos investidores se desloca para a agenda de indicadores do mercado de trabalhoJOLTS, ADP e, ao final da semana, o payroll — fundamentais para ajustar as expectativas em torno da trajetória da política monetária do Federal Reserve.

Mesmo diante da crise política na Venezuela e das declarações do presidente Trump sobre o envio de petróleo ao mercado americano, os ativos de risco mantiveram desempenho robusto, repetindo um padrão recente em que episódios geopolíticos, ao menos no curto prazo, não têm sido suficientes para abalar o apetite por ações.

Na Ásia e nos mercados emergentes, o movimento também foi positivo, com destaque para a melhora das perspectivas de lucros, especialmente em setores ligados à inteligência artificial.

No universo das commodities, o petróleo inicia o dia em queda após as notícias envolvendo a Venezuela, ainda que o impacto macro esperado seja limitado, dada a escala relativamente modesta do volume envolvido e a natureza mais pesada do petróleo venezuelano.

Em contraste, o cobre segue em trajetória de forte valorização, impulsionado menos por fatores de demanda imediata e mais por uma restrição estrutural de oferta, à medida que estoques globais são direcionados ao mercado americano.

Na Europa, as bolsas operam de forma mista, refletindo cautela antes da divulgação dos dados dos EUA e sinais de resiliência do consumo, em especial na Alemanha. Embora o pano de fundo geopolítico siga relevante — com avanços nas discussões sobre garantias de segurança à Ucrânia e novas tensões envolvendo Groenlândia e Ásia —, o eixo central das decisões de investimento continua sendo o crescimento econômico, a leitura dos dados macro e a expectativa para os juros.

· 00:56 — Em busca do recorde histórico

Por aqui, com uma agenda econômica mais leve e ausência de novos ruídos políticos imediatos, o mercado doméstico começou o ano em tom claramente construtivo. A crise na Venezuela ficou em segundo plano, enquanto o apetite por risco aumentou de forma consistente.

O Ibovespa avançou pelo segundo pregão consecutivo e encerrou aos 163.664 pontos, muito próximo de renovar seu recorde histórico, em um dia de bom volume financeiro. O dólar, por sua vez, recuou pela quarta sessão seguida, fechando em R$ 5,39.

O movimento foi puxado principalmente pelas ações de bancos e pela Vale, que se beneficiou da alta do minério de ferro, em um ambiente favorecido pela entrada de capital estrangeiro, pela Selic elevada sustentando estratégias de carry trade e pela expectativa em torno dos próximos dados de inflação, que devem ajudar a calibrar os juros e o comportamento dos ativos nas próximas semanas.

Apesar do bom humor nos mercados à vista, a curva de juros segue pressionada, refletindo a ausência de notícias positivas no campo fiscal — algo que não deve mudar em 2026. Qualquer ajuste mais estruturado tende a ficar para depois das eleições, em 2027.

A questão eleitoral, aliás, continua no radar. Flávio Bolsonaro voltou a afirmar, em entrevista na tarde de ontem, que sua candidatura é real. Como carrega elevada rejeição — que pode, inclusive, aumentar à medida que o calendário eleitoral avança —, o mercado o enxerga como menos competitivo do que nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Jr.

Ainda assim, não se trata de um blefe: se Flávio se perceber viável até março, mesmo com chances reduzidas de vitória, tende a manter a candidatura, o que eleva a probabilidade de reeleição de Lula. Esse cenário, por sua vez, pressiona a curva de juros, dado o ceticismo do mercado quanto à disposição do atual governo em promover um ajuste fiscal profundo.

É evidente que algum ajuste será necessário, pois a dinâmica fiscal o impõe; o receio, porém, é que a solução adotada seja apenas paliativa, uma “gambiarra” para adiar o problema. Alternativamente, Flávio pode optar por recuar até março, ou uma candidatura de centro-direita, como a de Ratinho Jr., pode ganhar tração caso o eleitorado passe a enxergá-la como mais competitiva já no primeiro turno, via voto útil. Até lá, o cenário permanece incerto, e maior clareza só virá mais perto do fim do trimestre.

No campo dos dados, a balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, abaixo dos US$ 74 bilhões registrados em 2024. A diferença reflete, sobretudo, o forte crescimento das importações ao longo do ano, puxadas por bens de capital e favorecidas por um câmbio mais apreciado, mesmo em um ambiente de política monetária restritiva.

As exportações cresceram 3,5% no acumulado do ano, apesar da queda nos preços do petróleo, com a retração das vendas para os Estados Unidos (-6,6%) mais do que compensada pelo avanço das exportações para a China (+6%) e, de forma ainda mais expressiva, para a Argentina (+31%). Pelo lado das importações, a desaceleração observada no último trimestre já sinaliza perda de fôlego da atividade econômica, em linha com a leitura de que há espaço para o início de um ciclo de cortes de juros no começo do ano, possivelmente já a partir de março.

  • VEJA MAIS: Estas criptomoedas ainda nem foram lançadas, mas já carregam alto potencial lucrativo aos futuros investidores; saiba como conhecê-las. 

· 01:43 — Renovando máximas

Os mercados de ações dos Estados Unidos mantiveram um movimento consistente de alta ontem, renovando máximas históricas. O S&P 500 avançou 0,6% e alcançou seu primeiro fechamento recorde do ano, enquanto o Dow Jones Industrial Average subiu 1%, equivalente a 485 pontos, superando pela primeira vez o patamar de 49 mil pontos.

A performance do Dow foi sustentada principalmente por ações dos setores industrial e financeiro, algo coerente com sua metodologia de ponderação por preço, que confere peso maior a papéis como Goldman Sachs e Caterpillar.

Já o Nasdaq também fechou em alta de 0,7%, mesmo em meio a um desempenho heterogêneo das empresas de tecnologia, reagindo de forma seletiva aos anúncios durante a CES.

O setor de consumo foi outro destaque positivo da sessão, com forte valorização das ações de varejo, refletindo a expectativa de que a Suprema Corte dos Estados Unidos possa rever — ao menos parcialmente — as tarifas comerciais implementadas pelo governo Trump nesta semana. Uma eventual decisão nesse sentido representaria alívio relevante de custos para importadores e varejistas, com efeitos positivos sobre margens e preços.

Hoje, a atenção dos investidores se concentra em indicadores, como o relatório de emprego JOLTS, antes do payroll de sexta-feira.

· 02:38 — A maior do mundo

A CES 2026, a maior feira de tecnologia do mundo, já está em andamento reunindo mais de 130 mil participantes e cerca de 4 mil expositores, e deixa claro desde os primeiros dias que a inteligência artificial é o eixo central das inovações apresentadas.

A tecnologia permeia praticamente todos os segmentos expostos no evento: desde avanços em direção autônoma com novas plataformas da Nvidia, passando por soluções de automação industrial e máquinas inteligentes da Caterpillar, até a evolução dos semicondutores com chips mais sofisticados da AMD e da Intel. Esse movimento também se reflete no design de produtos voltados ao consumidor final, como o novo smartphone dobrável em três partes da Samsung, que ilustra como a IA e a engenharia de hardware caminham juntas para redefinir a experiência de uso.

A robótica e a automação ganham destaque adicional, reforçando tendências que vão além do entretenimento ou da conveniência doméstica. Entre os exemplos mais comentados estão o CLOiD, da LG, voltado a tarefas do dia a dia como dobrar roupas e organizar utensílios, e o humanoide Atlas, da Boston Dynamics, projetado para aplicações industriais e com implantação prevista nas fábricas da Hyundai a partir de 2028.

O evento também trouxe soluções criativas e pragmáticas, como os tijolos inteligentes da Lego e dispositivos portáteis capazes de detectar alérgenos em alimentos. Com a presença de grandes empresas globais e uma agenda fortemente orientada à aplicação prática das novas tecnologias, a CES reforça seu papel como termômetro do que está por vir: a expectativa é que o mercado de tecnologia de consumo dos EUA cresça 3,7% em 2026, alcançando cerca de US$ 565 bilhões em receita, consolidando a feira como uma vitrine privilegiada do futuro a indústria.

· 03:24 — Onde está o petróleo?

O presidente dos EUA anunciou que as autoridades da Venezuela concordaram em transferir entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, que seriam vendidos a preço de mercado, com os recursos controlados por Washington.

A transferência ocorre em meio às negociações e pressões após a ação militar que resultou na captura de Maduro e Trump afirmou que pretende envolver grandes petrolíferas americanas e discutir investimentos e o aumento da produção venezuelana. O plano também prevê que o secretário de Energia, Chris Wright, supervise o acordo e o transporte do petróleo para portos norte-americanos.

A questão é interpretada como parte de um movimento mais amplo dos EUA para assegurar influência sobre os recursos energéticos venezuelanos — relatos indicam que a Casa Branca busca uma parceria exclusiva no setor petrolífero, exigindo que Caracas reduza ou rompa laços com países como China e Rússia, o que pode ter impactos nas relações econômicas e estratégicas da Venezuela no contexto global.

· 04:19 — Lei do mais forte

Sob uma perspectiva geopolítica mais abrangente, a intervenção na Venezuela reforça a interpretação de que os Estados Unidos passaram a atuar de forma explícita para neutralizar o país como um polo de projeção de influência de China, Rússia e Irã no Hemisfério Ocidental, reinterpretando e atualizando a Doutrina Monroe para os desafios do século XXI.

A iniciativa sinaliza uma política externa mais dura, assertiva e unilateral no segundo mandato de Donald Trump, deliberadamente conduzida à margem das estruturas multilaterais que marcaram o período pós-Guerra Fria e acompanhada de declarações que ampliam o mapa de potenciais focos de tensão global.

Esse reposicionamento contribui para enfraquecer o arcabouço institucional construído a partir de 1945, eleva o grau de incerteza no sistema internacional e pressiona os prêmios de risco geopolítico, impondo aos investidores a necessidade de maior prudência, diversificação e gestão ativa de riscos.

Em um ambiente global mais instável e menos previsível, os ativos de proteção voltam a ocupar um papel central nas estratégias de alocação. O ouro apresentou valorização relevante, refletindo não apenas o choque geopolítico imediato, mas também forças estruturais de longo prazo, como a fragmentação da ordem internacional, políticas fiscais persistentemente expansionistas, o aumento do endividamento público e o movimento consistente de compras do metal por bancos centrais.

Paralelamente, o setor de defesa se consolida como uma tese estrutural de longo prazo: ações europeias do segmento avançaram com a elevação do risco geopolítico, enquanto os gastos militares globais seguem em trajetória ascendente, sustentados por planos de rearmamento da OTAN e pela intensificação de investimentos em tecnologia, cibersegurança e sistemas avançados.

Para o investidor, a mensagem é objetiva e prática: um cenário marcado por maior incerteza e tensões recorrentes favorece abordagens mais defensivas e exposições estruturais a temas ligados à segurança, resiliência e preservação de valor ao longo do tempo.

· 05:01 — A próxima geração

A Nvidia comunicou que sua próxima geração de hardware voltada à inteligência artificial, batizada de Vera Rubin, já se encontra em plena produção, conforme afirmou o CEO Jensen Huang durante a CES, em Las Vegas.

Embora a companhia…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.