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Investimentos

Meta (M1TA34): Resultados do 3T26 superam expectativas, impulsionados por novos modelos e pelo agente de IA Muse

Receita totaliza US$ 64,6 bilhões e ações da Meta chegam a subir 3% no after-market

Matheus Spiess 2026

Por Matheus Spiess

22 out 2026, 11:11

•

Atualizado em 22 out 2026, 11:11

meta-M1TA34

Imagem: Finbold

Das Magnificent 7, a Meta Platforms (B3: M1TA34 | Nasdaq: META) foi uma das primeiras a divulgar seus resultados nesta temporada, juntamente com a Tesla. Mesmo após a forte valorização das ações nos últimos meses, impulsionada pelos novos modelos e pelo agente de IA Muse, resultados acima das expectativas deram um impulso adicional aos papéis, que chegaram a subir cerca de 3% no after-market.

Receita e publicidade crescem, mas metaverso segue no prejuízo

No período, a receita totalizou US$ 64,60 bilhões (+26% a/a), mais de US$ 1 bilhão acima do consenso estimado pelo mercado e do guidance da companhia, que previa entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões.

A receita com publicidade atingiu US$ 63,06 bilhões (+26% a/a), apoiada pelo avanço simultâneo de 10% nas impressões de anúncios e de 14% no preço médio. A Família de Aplicativos, que reúne Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp, faturou US$ 64,16 bilhões.

Fonte: Meta Platforms. Elaboração: Empiricus.

O número médio de pessoas ativas diariamente também avançou marginalmente, chegando a 3,64 bilhões ao final do período, ante 3,6 bilhões no período anterior. O crescimento da receita bem acima da expansão da base de usuários reflete uma maior monetização por usuário.

Fonte: Meta Platforms. Elaboração: Empiricus.

Já a Reality Labs, divisão de realidade virtual e metaverso, registrou receita de US$ 443 milhões (+6% a/a), mas segue gerando prejuízo, apesar de apresentar uma leve melhora na comparação anual, com perdas de US$ 4,13 bilhões, ante US$ 4,43 bilhões um ano antes.

A margem bruta consolidada sofreu uma leve retração, ficando em 79,3% (-2,7 p.p. a/a), refletindo o crescimento dos custos de infraestrutura acima da expansão da receita.

Acordo judicial aparece nos resultados

A companhia reconheceu em seus resultados parte dos encargos relacionados ao acordo judicial com os 52 estados americanos. O valor registrado no período ficou em US$ 9,89 bilhões, levando o lucro operacional a US$ 12,9 bilhões.

Desconsiderando esse item, o lucro operacional ajustado foi de US$ 22,88 bilhões, o que corresponde a uma margem operacional ajustada de 35,4% (-4,6 p.p. a/a), ainda pressionada pela expansão das despesas de pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura.

Vale lembrar que o reconhecimento contábil não implica necessariamente um desembolso no período. A Meta não informou se houve pagamento nem o valor eventualmente pago.

Na linha final, o lucro líquido ajustado foi de aproximadamente US$ 19,05 bilhões, com lucro por ação ajustado de US$ 7,40 (+2% a/a), acima dos US$ 6,54 esperados. O ajuste exclui tanto o encargo jurídico deste trimestre quanto o efeito tributário correspondente.

Criação de ação Classe C e crescimento do Muse

Para o 4T26, a companhia apresentou guidance de receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. O ponto médio, de US$ 74,5 bilhões, ficou acima do consenso de aproximadamente US$ 73,7 bilhões.

O conselho também aprovou a criação de uma ação Classe C sem direito a voto, prevista para janeiro de 2027. Cada ação Classe A ou B dará direito a uma ação Classe C, em uma operação semelhante a um desdobramento de ações. A medida amplia a flexibilidade para captações, remuneração e aquisições sem diluir o controle de Mark Zuckerberg.

Além disso, a teleconferência respondeu a uma das principais dúvidas dos analistas, relacionada às métricas de uso do Muse. Em seis semanas, mais de 10 milhões de pessoas nos EUA utilizaram o agente, das quais 25% acessam a ferramenta diariamente e outras 25% semanalmente para comparar produtos e passagens, com gasto médio de US$ 200 por compra.

Adicionalmente, a Meta espera que os novos negócios de inteligência artificial comecem a gerar receita incremental em 2027 e está construindo capacidade para atender mais de 1 bilhão de usuários nos próximos anos.

Capacidade computacional sustenta recomendação de compra

Diante dos números e dos destaques operacionais, vemos como a capacidade computacional que a companhia construiu ao longo dos anos e continua expandindo contribui tanto para o negócio central, ao aprimorar o direcionamento dos anúncios, quanto para abrir novas oportunidades de monetização, com o direcionamento de parte dessa capacidade para outros produtos que utilizam essa tecnologia, como seus modelos e agentes Muse.

Negociada a 21,8x os lucros projetados para os próximos 12 meses, seguimos confiantes na capacidade da companhia de rentabilizar todo o investimento em computação.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.