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Investimentos

Microsoft (MSFT34) divulga resultados acima das expectativas, com destaque para o segmento de computação em nuvem

Segmento de Intelligent Cloud apresentou vendas de US$ 25,9 bilhões, crescimento de 20% na comparação anual

Por Enzo Pacheco, CFA

31 de janeiro de 2024, 09:54

microsoft CAPA EMP MSFT34
Letreiro da Microsoft/Imagem: Shutterstock

Após o pregão regular da terça (30), a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) divulgou os seus resultados do segundo trimestre do ano fiscal de 2024 (encerrado em dezembro). Os números vieram acima das expectativas do mercado.

No período a companhia reportou receita de US$62,0 bilhões, um crescimento de 18% (+16%, desconsiderando a variação cambial) na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

Segmento de Intelligent Cloud foi destaque

O destaque do trimestre mais uma vez foi o segmento Intelligent Cloud, com vendas de US$25,9 bilhões, e crescimento de +20% (+19% ex-câmbio). O Microsoft Azure cresceu 30% (+28%), acima da expectativa de mercado de 28% e maior do que o crescimento nos três trimestres anteriores (média de +27%).

Os outros segmentos da empresa também tiveram um bom trimestre, com a receita de Productivity & Business Process totalizando US$19,2 bilhões (+13%, +12% ex-câmbio) por conta da boa performance dos produtos Office e do LinkedIn, e as vendas de More Personal Computing encerrando o período nos US$16,9 bilhões (+19%, +18%) impulsionado pelas vendas de conteúdos e serviços do Xbox (que contou com a junção dos números da Activision Blizzard).

Lucro líquido da Microsoft cresce 26% na comparação anual

A maior participação dos produtos e serviços da computação em nuvem permitiram à companhia aumentar o seu lucro operacional em 25% (+23% ex-câmbio), somando US$27,0 bilhões no período. A margem operacional no trimestre foi 44%, 3 pontos percentuais acima do reportado no 2T23.

Na linha final de resultado, o lucro líquido da Microsoft totalizou US$21,9 bilhões, o equivalente a US$2,93 por ação, valor 26% (+23%) na comparação anual

A mudança na estrutura de receita tem feito com que as obrigações dos clientes ante a companhia venham crescendo trimestre após trimestre. No 2T24, o valor dos recebíveis da empresa totalizaram US$222 bilhões, US$33 bilhões acima do reportado um ano antes.

E é importante ter em mente que esse tipo de receita está mais atrelado aos serviços de computação em nuvem, o que tende a melhorar (e muito) a lucratividade da Microsoft. Os produtos relacionados ao Microsoft Cloud, por exemplo, contam com uma margem bruta de 72% — acima da margem bruta total da empresa, que hoje roda nos 68%.

Essa parte do negócio, por ser altamente escalável, acaba resultando em lucros cada vez maiores. O aumento monetário na receita do segmento Intelligent Cloud, de quase US$4,5 bilhões (+20% vs. 2T23), foi praticamente o mesmo do lucro operacional, que aumentou US$3,5 bilhões (+40%).

Inteligência Artificial impulsiona resultados da Microsoft

Além disso, outro assunto que tem dominado a tese de investimento na companhia é a Inteligência Artificial. Segundo Amy Hood, CFO da Microsoft, essa tecnologia foi responsável por 6 pontos percentuais no crescimento dos serviços ligados ao Microsoft Azure e outros produtos de cloud.

De acordo com o CEO Satya Nadella, a empresa conta com 53 mil usuários do Azure AI, dos quais um terço são novos aos serviços do Azure no último ano. O espaço para crescimento desse produto é ainda muito grande, considerando que o segmento Intelligent Cloud conta com uma base instalada de 268 milhões de usuários.

Isso tudo sem esquecer de remunerar o acionista: no trimestre, foram mais de US$8,4 bilhões em proventos, seja por meio de recompras de ações (US$2,8 bilhões) e dividendos pagos (US$5,6 bilhões) no 2T24.

Resultados não foram suficientes para empolgar os investidores

Apesar dos bons resultados, a ação sofreu com muita volatilidade no after-market, chegando a cair mais de 2%. Aos poucos, a variação ficou mais próxima do zero a zero, mas longe de indicar uma animação por parte dos investidores.

E parte desse “descontentamento” pode estar relacionado à projeção da companhia para a receita do 3T24, que deve vir entre US$60 bilhões e US$61 bilhões, o que indicaria um aumento de 14% na comparação anual. Além disso, o consenso de mercado apontava para vendas na casa dos US$60,9 bilhões.

Tendo recentemente tomado o posto da Apple de empresa mais valiosa do mundo, e considerando a forte alta recente no papel — mais de 10% no ano e quase 65% nos últimos doze meses —, parece que o cenário precificado no papel esperava números ainda melhores

Empiricus Research recomenda compra das ações da Microsoft

Continuo comprado na tese de Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT), ainda que com um percentual pequeno do portfólio da série de ações internacionais, MoneyBets (entre 1% a 3% da carteira). 

Caso o papel caia mais nas próximas semanas, uma vez que estamos falando de uma ação com o múltiplo bem acima da média de mercado (mais de 36 vezes seus lucros projetados), podemos ter a oportunidade de aumentar a exposição na companhia, dado as perspectivas de crescimento do negócio.

Para conferir gratuitamente outras 9 recomendações de ações internacionais da Empiricus Research, clique aqui para receber o relatório.

Sobre o autor

Enzo Pacheco, CFA

Formado em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo e pós-graduado em Operador de Mercado Financeiro pela FIA. Desde 2017 atua na análise dos mercados internacionais na série da Empiricus voltada a este propósito (MoneyBets).