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Nvidia (NVDC34): por que a Empiricus Research deixou de recomendar as ações? Confira outra empresa da Nasdaq para investir

Na expectativa pelos resultados do 2T23, ações da Nvidia subiram nos últimos dias. No entanto, analista recomenda ‘ficar fora’ dos papéis

Por Juan Rey

22 de agosto de 2023, 16:30

Nvidia (NVDA/NVDC34)
Imagem: Divulgação/Nvidia

Desde a abertura de mercado de sexta-feira (18) até o fechamento de ontem (21), as ações da Nvidia (NVDA; NVDC34) saltaram cerca de 10%. 

Os principais motivos para a alta são a expectativa pelos resultados da empresa no 2T23, que serão divulgados na quarta-feira (22), além de uma recomendação de compra do HSBC com preço-alvo apontando para um upside de mais de 80%. 

Mas o entusiasmo com o papel não é de agora. Na esteira da inteligência artificial, as ações da empresa de semicondutores apresentaram alta de 221% em 2023, até o encerramento do último pregão.

Nvidia deixou de ser recomendação da Empiricus há poucos meses

Mesmo com o desempenho estelar, a Empiricus Research deixou de recomendar o papel da Nvidia depois do resultado do primeiro trimestre de 2023. A ação foi recomendada quando valia cerca de US$ 80 e, hoje, é negociada perto dos US$ 450. 

De acordo com o analista Richard Camargo, o valuation de NVDA contempla expectativas “muito otimistas”. 

“Quando olho para o consenso de mercado, tem embutido um crescimento de 150% do lucro por ação para este ano, 45% para o ano que vem e 34% para 2025. Ou seja, tem muito otimismo embutido nessas ações. Não quer dizer que não tenha um mais 20% ou 30% de upside, mas não acho que seja mais um upside transformacional, igual era há poucos meses atrás para justificar o risco”, avalia.

Boa parte do salto da ação no ano veio após o guidance referente ao segundo trimestre reportado pela empresa no 1T23. 

Na ocasião, o mercado tinha uma expectativa de receita em torno de US$ 7,5 bilhões para o 2T23. A Nvidia surpreendeu e apontou um guidance de US$ 11 bilhões de receita para o resultado a ser divulgado amanhã. Com isso, nos dois pregões subsequentes a ação subiu cerca de 40%.

“Essa é uma das maiores diferenças que eu já vi entre o esperado pelo mercado e o que a empresa apresentou. Essa euforia se estendeu durante algumas semanas e se espraiou por todo o segmento de tecnologia”, lembra Camargo.

Eventual surpresa negativa pode fazer as ações sofrerem

Por isso, boa parte do rali nos últimos pregões, segundo o analista, é para se antecipar a um possível resultado forte da Nvidia no 2T23 – tal como a empresa “prometeu”. 

“Uma coisa é certa sobre o resultado: vai ter emoção. Se vai ser positiva ou negativa, vamos descobrir daqui a pouco. O mercado de opções tem muita volatilidade contratada para os resultados da Nvidia”, avalia.

O analista não descarta uma reação positiva ao balanço. No entanto, ele pondera que qualquer surpresa negativa no resultado deve “azedar” para as ações, que negociam a um preço que contempla um cenário quase perfeito para os próximos trimestres. 

“É uma empresa que consegue capturar muito bem o sentimento, que é bom. Mas se esse sentimento virar de lado, a ação vai sofrer bastante, porque não tem âncora de fundamento versus preço. É uma ação muito cara sob qualquer aspecto”, afirmou.

Senão na Nvidia, em quais empresas da Nasdaq investir?

O analista lembra que a Nvidia é uma empresa que tem muita representatividade no índice Nasdaq, voltado para as empresas de tecnologia nos EUA e que é concentrado especialmente nas cinco big techs: Apple, Meta, Microsoft, Amazon e Google.

“Para essas empresas, tenho uma perspectiva superotimista, tanto para o segundo semestre quanto para o longo prazo. São ações que já não estão mais ridiculamente baratas como estavam, mas ainda estão em valuation capaz de entregar um retorno real acima da inflação, pagando um prêmio de risco interessante em longo prazo”.

Dentre as big techs, Camargo enfatiza as ações do Google (GOOGL; GOGL34). Quando comparadas as outras quatro gigantes, a empresa foi a que menos subiu no rali que vem desde o ano passado. 

“Nesse momento, a empresa negocia, pelas minhas estimativas, a algo como 17 vezes os seus lucros. Esse é um múltiplo relativamente comum na Bolsa brasileira e, neste caso, você não está pagando um valuation premium para uma empresa média, mas sim um valuation médio para uma empresa premium”, recomenda.

O analista vislumbra um forte crescimento do Google nos próximos trimestres. “Vimos uma recuperação importante no primeiro trimestre, que deve ser ainda mais acentuada no segundo trimestre, marcado pelo search que segue super sólido e o YouTube, que volta a crescer depois de trimestres difíceis”. 

A diminuição das despesas não recorrentes relativas a layoffs e a desocupação de real estates em prol de uma maior adoção do trabalho híbrido também devem contribuir com o lucro esperado do Google, segundo Richard Camargo.

“É uma das empresas mais premiums que você pode ter na carteira, negociando a valuation muito atrativo. Não precisa inventar a roda, pode ir na segurança e mirar um upside interessante com Google”, defende. 

Sobre o índice Nasdaq como um todo, o analista tem uma visão construtiva, mas adverte: “Estou fora de Nvidia e recomendo o mesmo para o investidor”.

Confira abaixo a entrevista completa de Richard Camargo no Giro do Mercado:

Sobre o autor

Juan Rey

Jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Contato: juan.rey@empiricus.com.br