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O Brasil no pós-eleições: o que esperar da Bolsa brasileira depois da eleição de Lula?

Felipe Miranda e Rodolfo Amstalden analisam futuro da Bolsa; Ibovespa abriu segunda-feira (31) em queda

Por Equipe Empiricus

31 de outubro de 2022, 13:53

Lula no debate
Imagem: Flickr/ Lula Oficial/Ricardo Stuckert

Na abertura do evento Market Changers, que comemora os 13 anos do Grupo Empiricus, Felipe Miranda e Rodolfo Amstalden analisaram o que esperar da economia brasileira após a eleição de Lula, no último domingo (30). 

Depois do resultado, o Ibovespa abriu a segunda-feira (31) em queda. 

A baixa no curto prazo era esperada pelo mercado, que, em sua maioria, gostaria de ver uma reeleição de Jair Bolsonaro. 

Na visão de Felipe Miranda, um dos principais motivos da queda no índice foi um aumento da probabilidade atribuída a Bolsonaro nas últimas semanas, já que as pesquisas indicavam um crescimento no número de votos para o presidente em exercício.

Para Rodolfo Amstalden, faltou ao mercado a referência do que, na estatística, é chamado de baseline.

“O baseline estatístico sempre foi do Lula eleito, e era um baseline muito forte. Isso pode estar associado a esse efeito torcida da Faria Lima que custa e pode continuar custando caro”, afirma.

Nas próximas semanas, o alívio pela definição eleitoral e a diminuição de uma hipótese de “terceiro turno” (questionamento das urnas), pode representar uma melhora no cenário, na visão do analista.

Um outro fator que poderia melhorar – ou piorar – o panorama em curto prazo é uma sinalização, por parte de Lula, dos nomes que farão parte do Ministério da Economia.

Lula ‘de centro’ e investimento estrangeiro pode favorecer Ibovespa

Em um período maior de tempo, o estilo de governo de Lula pode também ganhar simpatia do mercado. O estrategista-chefe da Empiricus, Felipe Miranda, acredita em um futuro governo do petista mais convergido ao centro, assim como foi o primeiro mandato. E existem alguns motivos para isso:

  • Composição da câmara, majoritariamente de direita, impedirá qualquer proposta extravagante;
  • A aproximação do candidato com políticos como Geraldo Alckmin e Simone Tebet;
  • O apoio de economistas como Henrique Meirelles e Armínio Fraga;
  • A necessidade de conversar com os diferentes espectros de uma sociedade dividida.

Sendo assim, em um recorte maior de tempo, um Lula mais de centro deve representar uma alta da Bolsa, assim como ocorreu no Lula I, entre 2003 a 2007.

Outro fator que pode beneficiar o governo petista é a entrada de investimento estrangeiro. Felipe citou a declaração de Rogério Xavier, fundador da SPX Capital, de que os investidores do Velho Continente gostam de Lula.

E, como o momento dos países desenvolvidos e emergentes é ruim do ponto de vista econômico e político, os olhos do mundo podem se voltar para as empresas da B3. Isso, aliado ao fato da percepção por parte dos estrangeiros de que Lula é mais “amigável” na questão ESG (governança social, ambiental e corporativa), também pode trazer investimentos para o Brasil.

“Você olha para o mercado emergente e vê a Rússia, que está em guerra. A China com Xi Jinping indo para o terceiro mandato e com problemas de ESG seríssimos. O europeu já tirou o dinheiro da Rússia e está olhando para a China procurando outras alternativas. O peso do investimento estrangeiro na China é muito grande, e pode vir para o Brasil”, afirma Felipe.

Além da crise vivida pelas principais economias estrangeiras, a Bolsa brasileira aparece barata, com valuations atrativos. O país começa a apresentar deflação e a taxa Selic, agora estabilizada, deve começar a cair em 2023. Por isso, não será surpresa uma guinada da B3 nos meses subsequentes.

Em quais setores investir no governo Lula?

Apesar de uma possível sequência próspera para a Bolsa, Felipe Miranda prefere não apostar em estatais no governo Lula. Para ele, as ações do Itaú (ITUB4) e 3R Petroleum (RRRP3) podem ser boas substitutas para Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4).

“Embora eu ache que o Lula venha mais de centro, ele tem na cabeça o dirigismo estatal para fazer política pública, e ele vai usar as estatais para isso, não sei em qual intensidade”, afirma.

O analista vê no setor habitacional de baixa renda uma boa opção. O investimento governamental no setor deve continuar de forma massiva, como já tinha sido no governo Bolsonaro e nos anteriores do PT. 

Dentre as opções, Felipe recomenda as ações da Direcional (DIRR3), já que as concorrentes Tenda (TEND3) e MRV (MRVE3) não atravessam bom momento.

“Direcional é um caso que vai bem, paga dividendo e é razoavelmente barato. Mesmo se não tiver subsídio, ainda consegue andar bem. A empresa é boa independente de qualquer coisa”, destaca.

As empresas do setor educacional também devem apresentar alta no curto prazo com a vitória de Lula, por conta da expectativa de um novo programa como o FIES.

Na semana passada, com a maior probabilidade do petista retornar à presidência, como apontavam as pesquisas, as ações do setor subiram na B3. 

Embora Rodolfo veja uma oportunidade no curto prazo, ele não investiria de maneira prolongada em empresas educacionais.

“O FIES é um programa de várias falhas. Óbvio que vai ter um fomento maior em educação que no governo Bolsonaro, mas eu tomaria cuidado com esses papéis, vejo outros setores que me parecem apostas mais inteligentes no governo Lula”.

O analista vê com bons olhos o investimento no setor de varejo, e recomenda as ações das Lojas Quero-Quero (LJQQ3). Com relação às ações do Magazine Luiza (MGLU3), Rodolfo diz não gostar tanto do papel, embora a ação possa desempenhar melhor com Lula.

Para analistas, período eleitoral conturbado deixa alguns bons sinais

Ao final do período eleitoral conturbado e polarizado, os analistas veem alguns bons recados para o futuro. O primeiro, a consolidação de políticos liberais, como Romeu Zema, eleito no primeiro turno governador de Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo no último domingo.

O segundo, o surgimento de lideranças mais jovens e “arejadas” que Lula e Bolsonaro. E, por fim, a força da democracia, que, a priori, mostrou que ainda funciona no Brasil. 

Felipe Miranda vê com otimismo o futuro da Bolsa de Valores brasileira. Na visão do analista, o movimento de migração dos investidores de empresas growth (de tecnologia e com alto poder de valorização) para empresas de value (de valor, que geram caixa no presente) deve favorecer o Brasil.

“Estando muito barato e tendo feito ajuste da taxa de juro, num momento em que o mundo precisa de energia e comida e o Brasil é fornecedor de energia e comida, temos uma composição que deve ser boa. Mas, claro, tem que ter responsabilidade. Um lado tem que aceitar o resultado da eleição e, o outro, tem que anunciar um ministério responsável”, finaliza.

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