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Mercados globais começam a terça-feira de forma mista, com bolsas europeias em campo positivo se contrapondo aos recuos nos futuros do S&P 500 e Nasdaq, pressionados pelas fabricantes de chips e pelos primeiros resultados corporativos do 3T26.
O índice futuro do Ibovespa acompanha a queda dos pares norte-americanos, ensaiando uma correção merecida após a forte alta na semana passada.
No Brasil, o Boletim Focus foi divulgado hoje pela manhã, por conta do feriado na véspera. A expectativa para o IPCA 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, após o dado de setembro ter surpreendido negativamente. Por outro lado, houve revisão para baixo no câmbio (de R$ 5,20 para R$ 5,15) e de 0,25 p.p. na Selic.
A agenda econômica local desta semana ainda traz Pesquisa Mensal de Serviços, Pesquisa Mensal de Comércio e IBC-Br, que devem trazer maior clareza sobre a robustez da atividade.
Nos Estados Unidos, o destaque fica com as divulgações do CPI na quarta-feira e do PPI no dia seguinte, além do Livro Bege na sexta-feira, que podem trazer pistas sobre os próximos passos do Fed. A semana ainda terá dados de inflação na China e na Zona do Euro.
01:55 – Que semana!
O Ibovespa encerrou a sexta-feira com o seu maior avanço semanal desde 2020 (+8,8%), atingindo um novo recorde de fechamento em 209 mil pontos. Como você deve saber, esse movimento foi ajudado pelo aumento das perspectivas de um possível ajuste fiscal após os números do primeiro turno.
Mas vale um olhar mais atento sobre como essa alta se formou. Dos 8,8% da semana, praticamente tudo veio de um único pregão: a segunda-feira seguinte ao primeiro turno, quando o índice saltou 7,7% de uma vez, de 192 mil para quase 207 mil pontos.
Nas quatro sessões seguintes o Ibovespa não avançou tanto, mas ter conseguido sustentar a forte alta do início da semana não deixa de ser um sinal positivo.
Alguns papéis se destacaram muito positivamente, como a Smart Fit, que recomendei no M5M da terça-feira passada, que subiu 44% na semana!
Vale ressaltar que o movimento não ficou restrito à Bolsa. O dólar fechou a semana com queda de cerca de 4%, ao redor dos R$ 5, e os juros longos caminharam na mesma direção.
Nesta altura você deve estar se perguntando se os ativos brasileiros já não foram longe demais. Neste momento o Ibovespa negocia por 11x lucros (excluindo Petrobras e Vale), abaixo da média histórica de 12x, o que indica algum espaço para reprecificação extra.
Não custa lembrar que J.P. Morgan e Morgan Stanley elevaram a recomendação para ativos brasileiros na semana passada para compra, com o segundo estimando o Ibovespa em 250 mil pontos em 2027.
03:25 – De volta para cima dos US$ 100
Enquanto a Bolsa brasileira estava fechada por conta do feriado, Nasdaq e S&P 500 fecharam a segunda-feira levemente no negativo. As negociações foram impactadas pela retomada do movimento de alta do brent, após ataque dos houthis ao aeroporto em Riade e de uma ofensiva russa que teve como alvo ativos de produção de gás na Ucrânia.
Depois de uma breve visita aos US$ 97/barril na semana passada, o brent volta a negociar acima dos US$ 104/barril neste momento, o que pode causar preocupações com a inflação.
Ainda nos EUA, nesta semana teremos o início da temporada de resultados do 3T26. J.P. Morgan e Goldman Sachs sobem no pre-market após divulgarem seus números nesta manhã. Wells Fargo também reportou resultados, mas caminha na direção oposta.
Vale lembrar que o mercado projeta crescimento de lucro de 29% para o S&P 500 no 3T26, o que à primeira vista parece bem exigente. Por outro lado, esse mesmo indicador cresceu 52% no 2T26, ajudado pelas big techs.
05:05 – A vez delas
Apesar da forte alta de 8,8% do Ibovespa, chamou ainda mais atenção o avanço dos índices das empresas de pequena capitalização da bolsa brasileira, como o SMAB11, que saltou 19,9% no mesmo período.
Mesmo com a vantagem nos últimos cinco pregões, o SMAB11 ainda perde feio em janelas de tempo mais dilatadas. Em um ano sobe 32% contra 47% do Ibovespa. Em cinco anos a diferença é ainda mais gritante: 2% para o SMAB11 vs. 85% do Ibovespa.
Depois de anos de juros e dólar elevados, que naturalmente afetam menos as empresas maiores e mais globalizadas, podemos estar entrando em uma janela de condições bem mais favoráveis para as empresas menores e mais ligadas ao cenário doméstico.
Se esse ambiente fiscal mais benigno acontecer, entendo que SMAB11 e similares continuarão retirando parte da vantagem construída pelo Ibovespa ao longo dos últimos anos.
Ter algumas small caps sólidas ou uma posição no próprio ETF SMAB11 na carteira faz muito sentido neste momento.