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Petrobras (PETR4): após demissão de Prates, como fica o cenário para a ação?

Ontem (14), Jean Paul Prates apresentou carta de renúncia do posto de presidente da Petrobras; Lula estaria descontente com política de investimentos.

Por Ruy Hungria

15 de maio de 2024, 10:30

Petrobras (PETR4)
Imagem: Agência Brasil

A Petrobras (PETR4) anunciou ontem (14) à noite que seu presidente, Jean Paul Prates, apresentou carta de renúncia e que o Ministério de Minas e Energia (MME) indicou para o seu lugar Magda Chambriard.

Segundo rumores, o Presidente Lula estaria descontente com a política de investimentos da petroleira na gestão Prates, por entender que ela deveria aportar muito mais recursos em segmentos que não são sua expertise, como na indústria naval e geração renovável.

Ao que tudo indica, a decisão de reter 100% dos dividendos extraordinários na divulgação dos resultados do 4T23 foi do governo e do MME. A intenção era de forçar a estatal a investir mais em outras áreas e não distribuir esses recursos aos acionistas. As ações da Petrobras chegaram a cair mais de 10% depois daquele anúncio, em março. 

O que esperar de Petrobras (PETR4) após a saída de Prates?

A nossa expectativa é de uma reação bastante negativa das ações da Petrobras no pregão de hoje. Não só porque Prates vinha entregando bons números, sem mudanças radicais na fórmula que vem dando certo para os resultados da petroleira nos últimos anos, mas também porque a nova CEO parece muito mais alinhada aos anseios políticos expansionistas do governo. Isso pode resultar em uma guinada na política de investimentos e dividendos. 

Como sempre gostamos de lembrar, a Petrobras gera retornos altíssimos no segmento de Exploração e Produção (E&P) de petróleo, especialmente em águas profundas e ultra-profundas, onde possui campos extremamente produtivos e enorme expertise. 

Mas quando tentou investir em outros setores – como naval, fertilizantes, geração de energia, etc –, raramente conseguiu retornos que justificassem esses aportes. Na grande maioria dos casos, seria melhor ter distribuído os recursos na forma de dividendos.

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Distribuição de dividendos de Petrobras pode cair, a depender do cenário

E aqui entra o grande ponto de preocupação dos investidores: apesar de todos os riscos políticos envolvidos na tese nos últimos anos, os rendimentos via dividendos (dividend yield) acima de 15% traziam bastante atratividade para PETR3 e PETR4. 

No entanto, a depender da mudança na política de investimentos e da criatividade da nova gestão em encontrar “oportunidades” de usar o caixa gerado em E&P em segmentos de retornos baixos, podemos ver essa distribuição cair bastante, a ponto de não compensar mais os riscos políticos envolvidos.

Lei das Estatais ainda protege o uso da petroleira para fins políticos

É importante lembrar que mesmo com várias trocas de CEOs desde 2018, nunca tivemos mudanças drásticas na estratégia da companhia. Até porque a Lei das Estatais protege o uso da petroleira para fins políticos. Mais uma vez, veremos esse mecanismo de proteção ser testado. 

Depois da forte alta nos últimos anos, retiramos nossa recomendação de compra para as ações da Petrobras por entender que o valuation acima da média histórica implicava em um otimismo exagerado com as ações. Esse cenário também deixava PETR4 mais propensa a quedas fortes no caso de surpresas negativas, que são frequentes na história da estatal. 

Por desconhecer a nova política de investimentos e dividendos da nova gestão, por enquanto não vemos a reação negativa como oportunidade de compra, mas seguiremos acompanhando de perto essa história. 

Em vez de PETR4, a Empiricus Research recomenda estas outras 5 ações para buscar dividendos agora.

Sobre o autor

Ruy Hungria

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.