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Por que o setor de cannabis tem estado tão volátil nas últimas semanas?

No final de abril, o índice NAMMAR, que representa ações de cannabis, subiu mais de 11%. Agora, vem devolvendo os ganhos. Analista explica como o SAFE Banking Act tem influenciado nos movimentos; entenda

Por Nicole Vasselai

15 de maio de 2023, 11:51

cannabis safe banking act
Imagem: Freepik

Nas últimas semanas, as ações do setor de cannabis vem vivendo um verdadeiro “sobe e desce”. Desde o final de abril, o NAMMAR (North American Marijuana Index), principal índice desse mercado, chegou a valorizar mais de 11%. Recentemente, vem devolvendo os ganhos.

Enzo Pacheco, especialista em investimentos internacionais alternativos na Empiricus Research, explica que o movimento pode ser uma resposta à notícia de que um grupo de senadores americanos (tanto do partido Democrata quanto do Republicano) reintroduziram o SAFE Banking Act para discussão no Congresso.

“Por meio do SAFE Banking Act, senadores americanos e empreendedores estão exigindo que a indústria de cannabis tenha acesso, a nível federal, a serviços bancários básicos, como conta corrente e crédito”, explica o analista. “Na visão dos empreendedores do ramo, isso é fundamental para a sobrevivência desse mercado”.

Os efeitos do SAFE Banking Act

Na última quinta-feira (11), ocorreu a primeira audiência no Senado americano para debater o SAFE Banking Act, mas parece que o mercado não gostou muito, como mostra o gráfico abaixo.

Gráfico do Índice NAMMAR, principal indicador das ações de Cannabis, desde o final de março/23 | Fontes: Bloomberg e Empiricus
Gráfico 1. Índice NAMMAR desde o final de março/23 | Fontes: Bloomberg e Empiricus

A audiência, intitulada “Examining Cannabis Banking Challenges of Small Businesses and Workers” (‘Examinando os desafios bancários do setor de cannabis para os pequenos negócios e trabalhadores’, em um tradução livre) contou com depoimentos de políticos dos dois partidos, além de escutar as demandas de outros segmentos que também atuam nessa indústria.

Qual o posicionamento dos bancos americanos

Para não gerar dúvidas, o analista das séries Investidor Internacional e MoneyBets ressalta: “Esse projeto de lei conta com a simpatia inclusive do próprio setor bancário“.

“Um dia antes do encontro, a American Bank Association divulgou uma carta pontuando a necessidade de uma legislação mais clara em relação à permissão das instituições financeiras oferecerem produtos e serviços para as empresas do setor de cannabis. Isso porque, com o receio de sofrerem sanções por parte dos órgãos federais, muitos bancos preferem ficar de fora desse mercado, dificultando ainda mais a vida dos empresários e trabalhadores dessas empresas — que muitas vezes têm que trabalhar com grandes quantias de dinheiro físico, aumentando assim a insegurança do negócio”, explica.

Reprodução/American Bankers Association

De acordo com o presidente do Comitê de Serviços Bancários, o senador democrata pelo estado de Ohio Sherrod Brown, o ambiente de negócios relacionado à cannabis é muito diferente se comparado com o passado não tão distante. 

Um caminho para conter atividades ilícitas?

Em geral, o posicionamento dos senadores democratas e republicanos membros do Comitê tem sido bastante parecido.

Por exemplo, Tim Scott, republicano do estado da Carolina do Sul, se colocou no lugar do empreendedor (no qual já esteve) e argumentou que entende a importância de um relacionamento com instituições financeiras, por proverem serviços cruciais para segurança e estabilidade das empresas e dos seus consumidores. Por outro lado, Scott acredita que precisa existir uma discussão adequada do projeto para evitar que “malfeitores tirem proveito para suas atividades ilícitas”, em suas palavras.

Já para Jeff Merkley (Democrata, Oregon), um dos responsáveis por reintroduzir o projeto no Senado, a lei federal tem se mantido inflexível mesmo diante das mudanças que ocorreram na sociedade americana em relação à cannabis.

“Para o senador, essa irredutibilidade tem prejudicado negócios que atuam ‘dentro’ da lei de terem acessos às mesmas necessidades básicas de empresas de outros setores, seja para serviços bancários, de cartão de crédito, folha de pagamento, entre outros”, afirma Enzo. “Segundo Merkley, isso faz com que 3 em cada 4 negócios do setor de cannabis tenham suas operações funcionando apenas com dinheiro físico. O projeto, na visão dele, reduziria inclusive as chances de lavagem de dinheiro por parte dessas empresas”.

Outro patrocinador do texto, o senador Steve Daines (Republicano, Montana) fez questão de pontuar o aumento no número de crimes sofridos pelas empresas de cannabis no estado de Washington, e que o SAFE Banking Act ajudaria a reduzir a criminalidade nesses locais. Ele reforçou também que a lei permitiria mais facilmente identificar os negócios lícitos dos operadores ilegais.

Sobre isso, o analista da Research faz um adendo: “Importante salientar que Daines, nas suas próprias palavras, não é favorável à legalização da cannabis em nível federal. Mas as condições atuais para o setor são extremamente perigosas para aqueles estados que já votaram a favor do uso legalizado da erva”.

Como o projeto impacta as ações de cannabis?

Enzo explica que, mesmo contando com apoio de políticos dos dois partidos, não é a primeira vez que o assunto é colocado na pauta do Congresso americano. “Seria importante vermos uma aprovação do SAFE Banking Act para dar um impulso positivo para ações com exposição ao mercado de cannabis. Mas já nos anima o fato da discussão não ter sido abandonada. A ver”.

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Sobre o autor

Nicole Vasselai

Editora do site da Empiricus. Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com MBA em Análise de Ações e Finanças e passagem por portais de notícias e fintechs.