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Renda fixa: veja dois títulos IPCA+ para investir nesta semana

A assimetria em relação aos títulos prefixados e indexados à inflação tem ficado cada vem menos atrativa.

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Autor
Lais Costa
Data de publicação
28 de novembro de 2023
Categoria
Investimentos
Renda Fixa LCA Títulos pós-fixados
Imagem: Freepik

Nos EUA, nos encaminhamos para um dos melhores meses de novembro do século para os índices acionários. Impulsionados pela queda de cerca de 20 pontos-base (pbs) na taxa de 20 anos e de 50 pbs na de 10 anos dos títulos do Tesouro Americano, o S&P 500 sobe cerca de 8,5%, enquanto o Nasdaq salta mais de 10,5%. Apesar dos indicadores macroeconômicos indicarem um arrefecimento importante do setor imobiliário americano, o ETF da gigante Vanguard (VNQ) sobe quase 10% desde o início do mês, impulsionado pela percepção de que atingimos o topo dos juros e os próximos passos do Fed serão no sentido de corte das taxas.

Ao contrário do que foi indicado pelo último mapa de pontos divulgado pelo Fed, as chances de mais de dois cortes em 2024 são bastante altas e o mercado precifica uma redução de 90 bps no Fed Funds até dezembro de 2024.

Na Europa, apesar de falas recentes de autoridades monetárias tentarem frear o movimento de antecipação de cortes de juros, o mercado tem ensaiado uma possível primeira redução de juros para a reunião para abril de 2024. Na semana passada, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, argumentou que, dado o arsenal de munições usados, é possível observar o efeito das medidas já entregues nos indicadores reais. “Já fizemos muito”, pontuou Lagarde.

No Brasil, a semana passada foi marcada por diversas notícias sobre o aumento para 19,5% do ICMS em cinco estados brasileiros. O Estado do Rio Grande do Sul já havia anunciado o aumento e uniu forças com os demais entes federativos no documento assinado na semana passada.

A motivação para alteração da alíquota veio do texto da Reforma Tributária que estabelece a receita média entre 2024 e 2028 como referência para o cálculo de participação de cada Estado na arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será criado a partir da aprovação da PEC da PEC da Reforma Tributária. Em documento assinado por seis Estados, os secretários de Fazenda explicam que a arrecadação dos próximos cinco anos condicionará as receitas tributárias dos próximos 50 anos, formando assim um incentivo explícito para o aumento de impostos no período proposto.

Por isso, além de Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, que assinaram o documento na última semana, segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), 11 Estados estabeleceram um novo ICMS já em 2023 e outros 6 Estados passariam a ter uma nova alíquota a partir de 2024.

Para fins de estimativa de inflação para 2024, o aumento de ICMS nos estados da figura acima geraria um aumento de até 20 pontos-base nas projeções, segundo fala do Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O ajuste das projeções não foi visto no relatório Focus divulgado na manhã de ontem (27). Isso porque, o grau de incerteza sobre a matéria aumentou significantemente após a fala do ministro Fernando Haddad, na última quarta-feira (22). O ministro afirmou que foi acertado com o relator da reforma tributária a alteração do período que será considerado para cálculo do IBS. Segundo a imprensa local, o intervalo entre 2024 e 2028 seria jogado para frente.

Nesta manhã tivemos a divulgação do IPCA-15 de novembro. O indicador mostrou uma alta de 0,33% m/m, acima do consenso de 0,30%. As surpresas altistas foram grandemente concentradas em itens com maior volatilidade, o que minimiza as preocupações em relação a uma piora da dinâmica inflacionária doméstica.

No grupo de serviços, o destaque foi a alta de passagens aéreas. No núcleo de serviços, os itens que se repetem para o IPCA do mês de novembro adicionaram um tom mais levemente mais positivo para nas nossas projeções. A média dos núcleos permanece abaixo das médias históricas para o mês de referência, apesar da média móvel de três meses dessazonalizada ter mostrado uma leve aceleração.

Vale também destacar a esperada aceleração de alimentos, que apesar de incomodar no curto-prazo, tem um comportamento bastante volátil e já mostra sinais de desaceleração nos índices de atacado.

No grupo de semiduráveis, as maiores contribuições foram roupas, calçados e brinquedos. Esses itens sofrem efeitos sazonais nas semanas imediatamente anteriores a feriados importantes. O aumento da contribuição de roupas para o índice de inflação neste ano só não foi maior do que na segunda quinzena de abril, período que antecedeu o Dia das Mães.

Em relação aos preços administrados, a continuação da queda da gasolina mais do que compensou a alta na energia elétrica. O grupo de bens duráveis também deu continuidade à deflação, apesar da alta expressiva de preço de ar-condicionado devido ao forte aumento da demanda nas últimas semanas.

De maneira geral, o indicador não deve levar a mudanças na trajetória de juros do Banco Central.

Em relação à estratégia de renda fixa, ainda vemos algum espaço para o fechamento das taxas de curto prazo apesar do forte movimento recente. Contudo, a assimetria em relação aos títulos prefixados e indexados à inflação tem ficado cada vem menos atrativa.

Por isso, no cardápio desta semana trazemos uma opção de título IPCA+ para compor o portfólio do investidor pessoa-física.

Confira os títulos de renda fixa recomendados nesta semana

Características da LCA IPCA+ do Banco BTG
Classificação de risco da instituiçãoStandard and Poor’s: AAA
Público-alvoInvestidores em geral
Onde encontrarEmpiricus Investimentos
Aplicação mínimaR$ 1 mil
Aplicação máximaAté o final do estoque
LiquidaçãoD+0
Vencimento (prazo)28/11/2026 (1096 dias corridos)
Rentabilidade anualIPCA+ 4,33%
TributaçãoIsento
Pagamento de jurosNo vencimento
ResgateNo vencimento
GarantiasFundo Garantidor de Créditos (FGC)
Horário limite de aplicação17h

A taxa líquida da LCA do Banco BTG Pactual é equivalente a uma taxa bruta de IPCA+ 5,86% ao ano.

Características do CDB do Banco Daycoval
Classificação de risco da instituiçãoFitch: brAA
Público-alvoInvestidores em geral
Onde encontrarBanco ABC do Brasil
Aplicação mínimaR$ 1 mil
Aplicação máxima
LiquidaçãoD+0
Vencimento (prazo)19/11/2025 (722 dias corridos)
Rentabilidade anual13%
Tributação15%
Pagamento de jurosNo vencimento
ResgateNo vencimento
GarantiasFundo Garantidor de Créditos (FGC)
Horário limite de aplicação17h

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