Livro “Como a mente funciona” mostra que nosso cérebro não é como um computador e entendê-lo é bem mais difícil do que aprender computação

Não é raro comparar o cérebro humano a um computador super potente. De fato, se esse interessantíssimo órgão fosse uma máquina, seria a mais avançada do mundo ‒ nem Steve Jobs, nem Bill Gates, nem Jeff Bezos conseguiriam chegar perto de uma invenção como ela. Mas associar o cérebro à computação pode não ser a […]

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Data de publicação
13 de setembro de 2021
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Não é raro comparar o cérebro humano a um computador super potente. De fato, se esse interessantíssimo órgão fosse uma máquina, seria a mais avançada do mundo ‒ nem Steve Jobs, nem Bill Gates, nem Jeff Bezos conseguiriam chegar perto de uma invenção como ela. Mas associar o cérebro à computação pode não ser a melhor forma de entender a mente humana. Em “Como a mente funciona”, o cientista cognitivo Steven Pinker se propõe a explicar por quê. 

O autor e professor de Harvard foi um dos convidados do evento “Fronteiras do Pensamento”, que busca trazer personalidades expoentes de diversos nichos para palestras enriquecedoras. Sua fala no evento (saiba mais aqui) foi indicação cultural do sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden no podcast Puro Malte. 

Por mais que a ciência já seja capaz de literalmente dissecar o cérebro humano e entender em detalhes cada uma de suas estruturas e modo de funcionamento, isto não quer dizer que entendemos o funcionamento da mente, da chamada “consciência”. Voltando à metáfora do computador, entender a máquina não é entender como os dados são processados e quais são as conexões feitas em seu interior. 

Embora a Humanidade já tenha desenvolvido consideravelmente a inteligência artificial, estamos bem distantes da consciência artificial. A Alexa ainda tem um longo caminho a percorrer, diga-se de passagem. 

“Em um sistema bem projetado, os componentes são caixas-pretas que desempenham suas funções como por mágica. Ocorre exatamente assim como a mente. A faculdade com que ponderamos o mundo não tem a capacidade de perscrutar seu próprio interior ou nossas outras faculdades para ver o que as faz funcionar” ‒ Trecho de “Como a mente funciona”, de Steven Pinker. 

Para tentar entender o que está por trás deste grande mistério da mente, Steven Pinker utiliza de duas teorias: o evolucionismo de Darwin e a ciência cognitiva moderna. O autor nos conduz pelos resultados de seus estudos fazendo uso de exemplos do cotidiano, usando uma linguagem objetiva e envolvente.

Quanto às teorias darwinianas, Pinker afirma que elas não são suficientes para explicar por completo a complexidade da mente humana. O autor argumenta: se o imperativo é sobreviver e reproduzir-se, o que explica o fato de que existem pessoas que ficam assistindo a filmes pornográficos em vez de procurar um parceiro? Pessoas que abrem mão de comida para comprar heroína? Pessoas que comem tão excessivamente que acabam morrendo mais cedo?

“O vício humano é prova de que a adaptação biológica, na acepção rigorosa do termo, é coisa do passado. Nossa mente é adaptada para os pequenos bandos coletores de alimentos nos quais nossa família passou 99% de sua existência, e não para as desordenadas contingências por nós criadas desde as revoluções agrícola e industrial”, escreve Pinker. 

“Como a mente funciona” não é um livro fácil de ler: são quase 700 páginas discorrendo sobre aquela que é uma das últimas fronteiras do conhecimento humano ‒ a mente. Mas se puder escolher apenas um livro para ler sobre o tópico, pode confiar neste best-seller de um dos cientistas mais renomados do mundo. 

A mente humana é complexa. Assim como a economia…

Entender o funcionamento de certas estruturas nos ajuda a lidar de forma mais inteligente com elas. A economia é um exemplo disso. Quanto mais entendemos o funcionamento dessa complexa engenhoca do dinheiro, melhor conseguimos lidar com nossas finanças e investimentos.

A mente humana está, de certa forma, relacionada ao funcionamento da economia. Em “Misbehaving: A construção da economia comportamental”, Richard Thaler junta essas duas esferas do conhecimento para explicar por que somos mais propensos a gastar o dinheiro parado na conta corrente do que aquele na poupança, por que perseguimos mais riscos para nos recuperar de perdas do que para ter ganhos adicionais e entre outros. 

A obra foi uma das enviadas para os assinantes do Empiricus Books, clube de livros focado em empreendedorismo, negócios e finanças. 

Confira as demais dicas do Puro Malte #62: 

  • Filme “Turning Point: 11/9 and the War on Terror”, disponível na Netflix. Indicação de Felipe Miranda;
  • Documentário “Untold: Briga na NBA”, disponível na Netflix. Indicação de Felipe Miranda;
  • Coleção “Biografias para crianças”, da Folha de S. Paulo. Indicação de Roberta Scrivano; 
  • Podcast Mano a Mano, de Mano Brown, disponível no Spotify. Indicação de Rodolfo Amstalden;
  • Álbum “Long Way”, de Eddie Vedder. Indicação de Rodolfo Amstalden;
  • Episódio #48 do podcast Tela Azul. Indicação de Roberta Scrivano;
  • Restaurante Camelia Ododo. Indicação de Roberta Scrivano.