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Empiricus Educação

Breve lição para quem ainda não sabe morrer

Quando o mercado sobe, são todos gênios.

Por Rodolfo Amstalden

12 abr 2020, 17:00

Quando o mercado sobe, são todos gênios.

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Quando o mercado desaba, apenas uns poucos investidores demonstram sabedoria financeira.

Não é uma surpresa se ponderarmos que há raros sábios no mundo, mesmo extrapolando o estrito âmbito financeiro.

Se você está aplicando para a vaga, tome nota: a sabedoria nada tem a ver com a busca por conhecimento, e menos ainda com a pretensão de se tornar um sábio.

É sábio aquele que vive próximo ao contentamento e da forma mais livre possível, tendo superado os medos que derivam de nossa finitude intrínseca.

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Aos demais, não sábios, fica claro por que as crises econômicas incomodam tanto. Elas representam uns dos vários encontros que temos com a morte.

Se você acha que morremos apenas uma vez na vida, você é provavelmente muito novo para estar lendo esta newsletter.

Morremos a cada vez que nos encontramos com um contexto irreversível.

O medo do irreversível paralisa nosso raciocínio e nossa capacidade de agir livremente. Ficamos presos em memórias e aspirações, nostalgias e expectativas. Fugimos do presente, onde as oportunidades estão postas.

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Mentira que investir é pensar no futuro.

Investir é, acima de tudo, aprender a morrer.

Ver sua carteira de ações cair trinta por cento em 20 dias e não chorar de tristeza no próprio velório.

Ironicamente, investidores com medo da irreversibilidade da queda vendem seus ativos de risco a qualquer preço e nunca mais voltam à Bolsa, garantindo com isso um drawdown irreversível.

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Já os que esperam, protegidos, pela recuperação percebem que aconteceu sim uma morte, mas não era o fim do mundo. Os preços voltam, os valores voltam, e poderemos enriquecer uma vez mais.

Spinoza gostava de dizer que o sábio é aquele que morre menos do que o tolo.

É isso mesmo.

Não somos deuses do mercado, nem desejamos ser.

Diante de uma imortalidade impossível, estamos contentes em morrer menos que os outros, e assim vivemos mais que os outros também.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.