Já estávamos em um ciclo largamente favorável para ativos de risco.
De repente, veio o corona, e – ironicamente – abriu nova oportunidade de entrada para aqueles que haviam perdido a pernada anterior.
Agora, até mesmo os atrasados podem participar dos ganhos. A cada episódio de pânico, o mercado prova seu caráter inclusivo e democrático.
Mas como participar?
O que os investidores brasileiros precisam fazer de diferente para colherem os benefícios deste ciclo de alta?
Na verdade, não precisamos fazer nada de diferente.
Precisamos apenas fazer o que todos os investidores de países desenvolvidos já fazem desde sempre, ou desde que vivem com juros civilizados.
Investidores globais estão pesadamente alocados em ações, fundos imobiliários e imóveis físicos.
A pizza abaixo mostra que 44% da capitalização internacional se pauta estritamente em ações (28%) e imóveis (16%).

Conversando dia a dia com a qualificada base de leitores da Empiricus, podemos ficar com a impressão de que todo mundo já está pronto para comer essa pizza.
De fato, nossos leitores estão antenados na tendência secular de financial deepening brazuca, e enxergam o coronavírus muito mais como uma chance de comprar barganhas do que como um presságio do apocalipse.
Mas essa é a percepção de quem vive dentro de uma bolha.
No Brasilzão sem porteira, as pessoas estão apenas começando a conhecer a renda variável.
A maioria nunca comprou uma ação ou fundo imobiliário. E, mesmo aqueles que já compraram ainda possuem alocações meramente simbólicas, muito abaixo dos 44% observados na pizza global.
Fiz questão de tornar pública essa pizza pois a vejo como um espelho de nós mesmos, de uma versão futura de nós mesmos, mais madura e mais rica.
Não é como se eu, Rodolfo, estivesse recomendando um peso de 44% para a renda variável. É simplesmente o que os Rodolfos (e Renatas, Paulos, Marias, Josés) fazem nos mercados desenvolvidos.
Então, é como se você estivesse recebendo uma dica do seu “eu futuro” sobre onde colocar seu dinheiro agora.
Não sei se existe uma dica mais confiável do que essa, dada e recebida por uma só pessoa, separada por pontos diferentes no tempo.