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Empiricus Educação

Receita para o fim da quarentena

Cloroquina, remdesivir e um pozinho de pirlimpimpim.

Por Rodolfo Amstalden

19 abr 2020, 17:05

Cloroquina, remdesivir e um pozinho de pirlimpimpim.

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Misture tudo e aguarde segundos. Pronto, o paciente está curado da gripinha.

Chegue mais, meu amigo, minha amiga. Aproxime-se. Acabou o isolamento. Posso já lhe contar um segredo ao pé do ouvido.

Por ser segredo, dizemos em latim, língua dos mortos.

Deus ex machina.

É o que o respeitável público deseja.

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Teatro antigo, Roma antiga, todos nós na plateia. Até o momento, trata-se de uma tragédia. Os personagens entraram numa enorme enrascada, sem escapatória plausível.

De repente, porém, entra em cena um deus, o deus ex machina. Seus superpoderes permitem que o impasse vivido pelos personagens seja resolvido instantaneamente, mediante um gesto mágico.

Acaba a apresentação, batemos palmas e voltamos para casa, onde a máquina de lavar enguiçou de novo. Os problemas reais continuam indiferentes à intervenção divina.

Mercado tem escolhido expectativas de soluções brilhantes para sair do isolamento, resolver o corona. Um ás da microbiologia molecular descobre a vacina semana que vem. O chefe corajoso da nação decreta fim da quarentena, para alegria geral.

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Só que não.

Não se resolve uma crise como esta com soluções inteligentes, mas sim com soluções difíceis.

O aluno gênio que senta no fundão, não estuda para a prova e mesmo assim tira dez também morre de coronavírus.

Em particular, a discussão sobre o término oficial da quarentena está largamente superestimada.

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Não há como um governante decretar o fim da quarentena, já que nenhum governo do mundo foi capaz de impor distanciamento aos seus cidadãos.

As pessoas se distanciam de forma natural, bottom up. Individual e coletivamente, somos seres moldados pela evolução para temer a morte.

O gráfico abaixo descreve reservas em restaurantes feitas pelo app Open Table.

Semanas antes do início formal para fechar os estabelecimentos comerciais, as reservas começam a cair, e despencam em questão de dias, convergindo naturalmente para o zero da formalidade.

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O mesmo aconteceu com viagens de avião, e com muitas outras coisas.


Quando vamos voltar? Quando o mercado volta a se comportar racionalmente?

Em algum lugar do fundo da alma, todos sabemos. Nossa natureza vai dizer. Por ora, ninguém sabe.

Comprar calls ansiosas baseadas em reopening plan, remdesivir… suas opções vão virar pó de pirlimpimpim.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.