Times
Investimentos

Arezzo (ARZZ3) e Grupo Soma (SOMA3): para analista, fusão entre varejistas seria bastante positiva

Nesta semana, as duas varejistas de moda têm sido notícia após confirmarem que existem conversas sobre uma possível fusão entre elas; veja o que mudaria

Por Nicole Vasselai

1 de fevereiro de 2024, 16:24

arezzo (ARZZ3) e soma (SOMA3)
Imagem: Divulgação

Nesta semana, Arezzo (ARZZ3) e Grupo Soma (SOMA3) têm sido notícia após confirmar que existem conversas sobre uma possível fusão entre as marcas.

O mercado respondeu positivamente: as ações de ambas as companhias dispararam no pregão de ontem (31). ARZZ3 encerrou com alta acima de 10% e SOMA3 subiu mais de 6%.

O Grupo Soma é dono de marcas como Animale, Farm, Hering, Dzarm, Maria Filó, NV, Fábula entre outras.

Segundo o Neofeed, a operação foi tratada diretamente entre os CEOs de Arezzo e Soma, Alexandre Birman e Roberto Jatahy.

Com a fusão, Birman assumiria o cargo na nova companhia e a nova holding teria em torno de R$ 11,8 bilhões em valor de mercado. Arezzo ficaria com 56% da nova companhia e Soma, com 44%.

Ainda faltam algumas etapas finais para que a transação seja divulgada. Os acionistas institucionais não foram consultados sobre os termos da fusão e não estão contentes com o acordo.

O que analistas acharam da possível fusão entre Arezzo e Soma?

Para Larissa Quaresma, da Empiricus Research, a junção das duas marcas seria muito positiva. “Para Arezzo seria ótimo porque ela não tem nenhuma marca de vestuário feminino embaixo dela até agora“.

Essa não seria a primeira aquisição da companhia. Nos últimos anos, a Arezzo comprou as marcas Reserva, Carol Bassi, HG, Sunset e Calçados Vincenza, com o objetivo de pulverizar sua atuação no ramo da moda e atender variados públicos.

“Os Birman, que são fundadores da Arezzo, têm um sonho de construir uma house of brands, uma LVMH brasileira, que é uma empresa francesa que se tornou o maior conglomerado de luxo do mundo”, conta Quaresma.

Do ponto de vista financeiro a operação também seria bastante favorável para a holding, segundo ela. “Haveria uma unificação de centros de distribuição, de fábricas e de canais de vendas para o cliente final”.

“Em 2021, Grupo Soma adquiriu Hering por R$ 5,1 bilhões, que tem um grande prejuízo fiscal e poderia ser usada por Arezzo, caso de fato compre Soma, para abater impostos. Sem contar o valuation. Então, na parte financeira parece muito óbvio que essa transação faz sentido; seriam sinergias imediatas“, afirma.

Muda algo em relação às ações das varejistas?

A transação seria feita 100% via troca de ações (de SOMA3 para ARZZ3).

“Para o acionista atual de ARZZ3, por exemplo, haveria uma diluição de ações para que a companhia possa pagar quem possui SOMA3“, explica Quaresma.

“O valor a ser gerado para o acionista de Arezzo vai depender do que a varejista conseguir extrair dessa sinergia, como o abatimento dos prejuízos fiscais, as sinergias de fabricação, de cross-selling, etc”.

Arezzo (ARZZ3) segue como uma recomendação da Empiricus Research.

Sobre o autor

Nicole Vasselai

Editora do site da Empiricus. Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com MBA em Análise de Ações e Finanças e passagem por portais de notícias e fintechs.