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Copel (CPLE6) anuncia R$ 958 milhões em JCP e possível desinvestimento em Compagas: vale a pena investir?

Confira o que esperar para a companhia após esses dois anúncios e se é a melhor elétrica para sua carteira de ações

Por Nicole Vasselai

21 de setembro de 2023, 16:52

Copel (CPLE6)
Imagem: Divulgação

Ontem, quarta-feira (20), o Conselho de Administração da Copel (CPLE3), companhia do setor de energia, anunciou a aprovação da distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), no valor de R$ 958 milhões. A primeira parcela, de R$ 456,9 milhões, será paga em 30 de novembro e os R$ 501,1 milhões restantes, até o final de junho de 2024, em data a ser definida por Assembleia Geral Ordinária no próximo ano.

Terá direito a receber os proventos quem tiver posição nas ações e Units em 29 de setembro de 2023.

Além disso, a Copel também anunciou que contratou assessorias para estruturação e execução de um potencial desinvestimento na Companhia Paranaense de Gás (Compagas). Hoje, a controladora possui 51% do capital da concessionária responsável pela distribuição de gás natural canalizado no Estado do Paraná.

Segundo Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, o movimento está alinhado ao interesse de Copel em focar cada vez mais no segmento de energia elétrica, passando por todos os passos da cadeia: geração, transmissão e distribuição. “É o grande diferencial da companhia, é o que ela sabe fazer melhor”.

Além disso, o analista ressalta que apenas 5% do Ebitda da Copel vem de Compagas, “mesmo que seja um ativo rentável, com uma boa margem consolidada”.

O que esperar da Copel agora?

Ruy acredita que em termos de desinvestimentos só venha mais uma possível venda e que há mais espaço, na verdade, para melhorias internas.

“Apesar de termos visto uma grande evolução nos últimos anos, pré-privatização, em termos de eficiência, e de o próprio preço da ação ter subido e acompanhado isso, ainda existem algumas ineficiências”.

Um exemplo, ele cita, é o gasto de mais de R$ 300 por cliente na parte de distribuição de energia, enquanto as concorrentes, como Energisa e Equatorial, chegam em um valor máximo de R$ 200 por consumidor. Além disso, o analista ressalta que, no segmento de geração de energia, o número de funcionários por MW de capacidade instalada é quase duas vezes maior do que das companhias mais eficientes do setor.

“Se você olhar a companhia 5, 6 anos atrás, vai ver que hoje ela é muito melhor, mas ainda existem algumas travas que ela tinha como estatal, mas que como privatizada já pode fazer algumas melhorias”.

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Copel é boa pagadora de proventos?

Embora o setor elétrico seja conhecido por distribuir dividendos “gordos”, devido à previsibilidade de receitas, Ruy não enxerga a Copel no mesmo patamar das chamadas “vacas leiteiras”.

“Hoje, a companhia paga yields de 3%, 4%, o que não é nenhum valor exorbitante em comparação com alternativas melhores no setor que pagam 7%, 8%. Mesmo com uma eventual venda Compagas, a companhia teria em torno de R$600, R$ 700 milhões para distribuir em dividendos, mas ainda assim não faria grande diferença no dividend yield. Então, o foco do investidor de Copel não deveria ser em dividendos”, orienta.

Ele também destaca que, neste primeiro momento pós-privatização, a companhia tem outras prioridades para seu capital, como renovar contratos de concessão com usinas hidrelétricas, que demandaria mais de 3,5 bilhões de reais. Além disso, a Copel tem um plano de investimento bastante relevante, que também vai exigir uma parcela importante de capital.

Vale a pena ter ações da Copel? Para proventos, a Empiricus Research prefere Alupar (ALUP11)

Em vez de Copel, a preferida da Empiricus Research no setor elétrico é Alupar (ALUP11).

Segundo Ruy, a companhia já passou do estágio de investimentos e agora colhe e distribui um bom lucro.

A empresa possui atualmente cerca de 30 concessões de transmissão/subestações, que, ponderadas por suas participações, somam quase 4 mil quilômetros de extensão e R$ 1,8 bilhão de RAP. Ela também possui concessões de ativos de geração renovável que somam quase 800 MW.

No 2T23, a companhia entregou quatro vezes seu lucro líquido do 2T22. Além disso, o maior diferencial dela na nossa visão é a disciplina de capital”, afirma o analista.

Além de transmissão, a Alupar também tem ativos de geração no portfólio, vários deles com contratos longos e bons preços (acima de R$ 250/MWh), enquanto outros ainda não entraram em operação. 

Nessas condições, o segmento de geração contribui com cerca de 10% do valor da empresa. “Não é muito, mas ajuda a amenizar a queda de receita com o fim de alguns contratos de transmissão ao longo da próxima década”.

“Além disso, nas nossas projeções, vemos um perfil de Receita, Ebitda e FCFF bem estável e resiliente, o que é um diferencial para o setor”.

Em termos de valuation, aos preços atuais o analista vê um bom upside para as ações de Alupar (ALUP11) e, com a queda da taxa de juros, a possibilidade de um dividend yield de dois dígitos a partir de 2024.

Além desse ativo, neste relatório gratuito, os analistas da Empiricus Research recomendam outras 5 ações de empresas sólidas para buscar bons dividendos.

Sobre o autor

Nicole Vasselai

Editora do site da Empiricus. Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com MBA em Análise de Ações e Finanças e passagem por portais de notícias e fintechs.