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Investimentos

Ibovespa aos 300 mil pontos e dólar abaixo de R$ 4? Analistas projetam efeito de reancoragem em torno do fiscal no mercado 

Analistas da Empiricus e do BTG Pactual traçam cenários caso o governo ajuste as contas públicas e revelam como se posicionar

Por Maria Luiza Araujo

09 set 2026, 09:00

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(Imagem: Montagem Canva Pro)

Se, em 2027, o governo brasileiro resolvesse ajustar as contas públicas, o que poderia acontecer com o mercado brasileiro? Analistas da Empiricus e do BTG Pactual resolveram testar essa equação.  

Em um cenário em que a equipe econômica reancore as expectativas em torno do fiscal, o Ibovespa poderia alcançar os 300 mil pontos, o dólar chegar ao patamar dos R$ 3,95 e os juros volta à casa de um dígito, chegando até 9% ao ano.  

Os analistas traçam esse cenário no relatório “E se o governo ajustasse as contas públicas”, divulgado em meados de agosto.   

Com as eleições de 2026 em contagem regressiva, o investidor busca a resposta para a seguinte pergunta: “em um cenário benigno, em que o presidente eleito seja capaz de endereçar o problema fiscal e frear a trajetória crescente da dívida pública, onde eu deveria investir o meu dinheiro?“. 

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Analistas elencam medidas para equilibrar as contas públicas em 2027 

A dívida bruta do governo brasileiro alcançou 82,5% do PIB nos últimos 12 meses até julho de 2026, segundo dados do Banco Central.  

De acordo com o relatório, a estabilização da dívida exigiria do próximo governo um superávit primário próximo de 2,1% do PIB.  

Hoje, o Brasil possui um déficit primário de 0,67% do PIB. Na prática, isso significaria uma melhora aproximada de 2,7 a 3 pontos percentuais para se equilibrar as contas públicas. 

Para os especialistas, uma alteração dos preços do mercado exigiria do próximo governo mais do que o simples cumprimento das metas anuais.  

“Para que a dívida deixe de crescer, o investidor precisaria enxergar melhora recorrente do resultado primário e redução da rigidez das despesas“, afirmam.  

No documento, os especialistas elencam uma série de medidas que poderiam ajudar a melhorar o fiscal e, por consequência, a percepção dos agentes financeiros sobre a trajetória da dívida. Entre elas estão: 

  • A desaceleração das despesas obrigatórias; 
  • A revisão de indexações e benefícios; 
  • A limitação de novas exceções ao arcabouço; 
  • E metas primárias verificáveis; 

“A credibilidade aumentaria se o plano apresentasse etapas, gatilhos automáticos e metas intermediárias, permitindo ao mercado acompanhar a execução sem depender apenas de promessas de longo prazo”, acrescentam. 

Analistas revelam como investidores podem alocar seus recursos diante da reancoragem das expectativas em torno do fiscal; saiba mais aqui 

O que aconteceria se o governo ajustasse as contas públicas? 

Para entender o efeito que um possível ajuste fiscal teria no mercado, os analistas desenharam três cenários possíveis, que levam em consideração projeções econômicas, dados históricos e diferentes hipóteses. 

Nesse sentido, portanto, os números apresentados a seguir devem ser interpretadas como um exercício de sensibilidade e reprecificação, e não como projeções pontuais. 

  1. Cenário de ajuste crível 

Um cenário de ajuste crível representa um programa econômico suficiente para reduzir o prêmio fiscal e aproximar a dívida de uma trajetória de estabilização. 

Nesse caso, o contrato de DI jan/2031, que forma a curva de juros futuros, o dólar e a bolsa começariam a apresentar sinais de melhora diante do atual cenário: 

Tabela: Faixas estimadas para um horizonte de 12 a 24 meses. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“Com menor risco de que a dívida cresça indefinidamente, os juros longos poderiam recuar antes mesmo de o Banco Central reduzir a Selic. A queda da curva estimularia a entrada de capital, fortaleceria o real e reduziria a inflação esperada“, explicam os analistas no relatório. 

  1. Cenário de um ajuste forte 

Já uma realidade de ajuste forte pressupõe uma reforma relevante das despesas obrigatórias e superávits recorrentes por parte da equipe econômica. Aqui, o dólar poderia cair para R$ 4,25, enquanto o Ibovespa poderia operar na faixa dos 260 mil pontos: 

Tabela: Faixas estimadas para um horizonte de 12 a 24 meses. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

Esse segundo cenário dependeria de resultados consistentes, com a queda efetiva do déficit, estabilização da dívida e convergência da inflação. Sem essa confirmação, parte do rali inicial poderia ser devolvida, advertem os analistas. 

  1. Cenário de reancoragem 

Agora, uma conjuntura de reancoragem estrutural exigiria, além do ajuste doméstico, inflação convergente, ambiente externo construtivo e entrada expressiva de capital. 

Nesse ponto, a curva de juros futuros (DI jan/2031) poderia chegar a 9,8%, o dólar alcançar o patamar dos R$ 3,95 e a bolsa atingir os 300 mil pontos: 

Tabela: Faixas estimadas para um horizonte de 12 a 24 meses. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

Vale ressaltar que um dólar abaixo de R$ 4,20 exigiria condições adicionais, como dólar global fraco, commodities sustentadas, estabilidade política e fluxo estrangeiro relevante.  

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Renda fixa, crédito, FIIs e mais: Analistas revelam como se posicionar diante de cenário favorável 

Na visão dos especialistas, um ajuste fiscal crível reduziria os juros longos, fortaleceria o real e favoreceria a bolsa, com maior potencial para títulos IPCA+ longos e setores domésticos sensíveis à queda da Selic.  

Nesse sentido, os analistas apresentam no relatório (leia aqui) uma alocação que privilegia duration real longa, crédito de infraestrutura e ativos domésticos sensíveis à queda do custo de capital.  

A estratégia leva em consideração classes e ativos como: 

  • Renda Fixa: um ETF e duas debêntures que buscam capturar juros reais elevados e possuem marcação a mercado; 
  • Crédito: dois papéis com carrego e exposição a projetos regulados; 
  • Ações: quatro papéis e um ETF voltados ao ciclo doméstico que podem se beneficiar da retomada da atividade; 
  • Fundos imobiliários: três FIIs que buscam renda e valorização com a queda dos juros. 

É importante ressaltar que os analistas da Empiricus e do BTG Pactual são especialistas em mercado financeiro e construíram esse portfólio de investimento sob medida caso o governo realize o ajuste fiscal. 

Caso você queira ler a tese completa do relatório e acessar a lista dos ativos, basta fazer seu cadastro no Empiricus+, assinatura que dá acesso a todas as recomendações de investimentos dos analistas da Empiricus.  

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Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), já trabalhou como jornalista na CNN Brasil e atualmente é redatora dos portais Seu Dinheiro e Money Times.