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Investimentos

Ibovespa hoje: Boletim Focus reduz projeção da inflação para 2026 e petróleo segue em alta; veja destaques desta terça (8)

Projeção do IPCA cai pela segunda semana consecutiva, de 5,01% para 5%. Veja mais destaques

Por Ruy Hungria

08 set 2026, 10:00

dinheiro investimentos mercados bolsa

Imagem: iStock/ @Muharrem huner

Depois do feriado que fechou os mercados no Brasil e nos Estados Unidos ontem, a terça-feira começa com as bolsas globais em leve queda, em semana importante para dados de inflação.

Nos EUA teremos divulgação do PPI na quinta-feira e do CPI na sexta-feira, com perspectivas de aceleração nos dois indicadores. Na sexta-feira também conheceremos o IPCA de agosto no Brasil, com perspectiva de queda de 0,28% frente ao mês anterior. Lembrando que teremos Super-Quarta na próxima semana, e esses números podem ser determinantes para as decisões sobre os juros.

O relatório Focus divulgado há pouco trouxe pequenas mudanças na comparação com a semana anterior: queda de 1 bp no IPCA esperado para 2026 e aumento de 1 bp no número esperado para 2027.

Além da inflação, o noticiário político local ganha cada vez mais peso no humor do mercado, dado que estamos oficialmente a menos de um mês do primeiro turno. Os últimos levantamentos de intenção de voto mostram um cenário cada vez mais apertado e teremos pelo menos mais quatro pesquisas até sexta-feira capazes de mexer com o mercado.

Vale ressaltar que esse já tem sido um importante driver para o Ibovespa nos últimos dias e foi o grande responsável pelo impulso que levou o principal índice brasileiro de volta aos 185 mil pontos.

01:45 – Sem muitas alternativas…

No fim da semana passada foi divulgado o Payroll de agosto, com criação de 162 mil vagas nos EUA. O número não apenas veio muito acima das expectativas (55 mil) como os dados do mês anterior foram revisados para cima, colocando ainda mais pressão para o Fed subir juros.

Depois de um discurso bastante hawkish no Simpósio de Jackson Hole, Kevin Warsh parece não ter muitas alternativas, podendo até perder certa credibilidade caso opte pela manutenção das taxas depois de todos esses sinais altistas.

Neste momento, o mercado atribui 60% de chances de um aumento de 25bps na reunião da semana que vem – essa probabilidade era de apenas 44% um mês atrás.

03:15 – … e sem alívio do petróleo

Para complicar a vida daqueles que decidem os juros, depois de testar os US$ 70/barril em julho, o petróleo tipo brent voltou a se aproximar do patamar de US$ 100/barril. O movimento é resultado de uma nova escalada do conflito no Oriente Médio, após ataque das forças norte-americanas a três navios petroleiros iranianos no fim de semana e o anúncio, pelo Irã, de uma zona de restrição à circulação próxima ao Estreito de Ormuz. O ataque a uma refinaria na Arábia Saudita também ajuda a empurrar o brent para cima.

Nem é preciso dizer que toda essa incerteza contribui para preços de petróleo mais elevados por longo período, ainda que isso não pareça estar refletido no preço de várias companhias brasileiras do setor. Nossa preferência continua sendo a Petrobras, que além de descontada ainda pode ser uma das maiores beneficiadas de um possível rali eleitoral.

05:05 – All-time high

O cobre superou ontem a marca de US$ 14,5 mil por tonelada na Bolsa de Metais de Londres e chegou à maior cotação da sua história. Parte desse movimento parece técnico, com forte procura pelo metal nas últimas semanas associada a perspectiva de aumento de tarifas nos Estados Unidos no curto prazo.

Por outro lado, o cobre tem papel fundamental na agenda de transição energética, construção de data centers, carros elétricos, usinas renováveis etc. Essa é uma demanda estrutural e deve continuar beneficiando os produtores de cobre por bastante tempo.

Entre esses produtores está a Vale, que tem a meta de dobrar a produção de cobre até 2035, para 700 mil toneladas/ano. Em nossa visão, há um duplo benefício para a mineradora nessa estratégia. O mais óbvio é que ela se beneficia da venda de um produto com preços cada vez maiores e mais rentáveis.

O benefício menos óbvio é que, quanto mais o cobre ganha participação nos resultados, mais o seu múltiplo tende a se afastar daqueles de uma mera produtora de minério de ferro (4-5x ev/ebitda) e se aproximar de patamares mais próximos aos que produtoras de cobre costumam negociar (7-8x ev/ebitda). Por esses motivos, a Vale (VALE3) é uma das nossas escolhidas para a Carteira Mensal de Dividendos.

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.