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A alta do Bitcoin nas últimas semanas passou a apresentar uma mudança relevante em sua composição. Mais do que movimentos técnicos ou posicionamentos de curto prazo, a valorização tem sido sustentada por uma demanda crescente no mercado à vista, sobretudo por investidores institucionais. Essa foi a principal leitura apresentada na edição anterior, e os dados mais recentes reforçam essa dinâmica.
Os ETFs de Bitcoin encerraram agosto com a maior captação em mais de um ano e mantiveram entradas expressivas nesta semana. Em paralelo, a Strategy retomou as compras do ativo após dez semanas sem novas aquisições, agora apoiada por uma estrutura de capital distinta daquela utilizada no ciclo anterior. Ao mesmo tempo, o aumento do apetite por risco começou a se refletir de maneira mais ampla no mercado, com melhora na participação de outros criptoativos.
Contudo, seguimos sensíveis a mudanças no ambiente macroeconômico. O relatório de emprego dos Estados Unidos divulgado nesta sexta-feira veio acima das expectativas e elevou a percepção de que o Federal Reserve poderá adotar uma postura mais restritiva na reunião deste mês.
Trata-se de um vetor contrário para os ativos de risco e que merece acompanhamento, mas que, até o momento, não altera nossa leitura central: a tendência de alta do Bitcoin no médio prazo permanece sustentada pela força da demanda.
Nesta edição, analisamos a dimensão dos fluxos direcionados aos ETFs, as mudanças na estratégia de acumulação da Strategy, os sinais de melhora na dispersão do mercado cripto e, por fim, as implicações do dado de emprego para a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
Terra (demanda) à vista!
Agosto foi o melhor mês de captação dos ETFs de Bitcoin dos Estados Unidos desde julho de 2025. Entraram US$ 3,54 bilhões líquidos nesses produtos ao longo do mês — dinheiro novo, de investidor que compra o ativo à vista e o carrega, não de quem opera alavancado no mercado futuro.
O movimento não parou na virada do mês. Na quarta-feira, 3 de setembro, os ETFs registraram entrada líquida de US$ 730,8 milhões em um único pregão, o terceiro maior dia de 2026. Nos últimos dez pregões, a soma chega a US$ 2,04 bilhões. E não é um fenômeno restrito ao Bitcoin: os ETFs de Ethereum captaram US$ 141,4 milhões no mesmo dia e encadeiam um mês inteiro de entradas.
Para dar dimensão ao movimento: em junho, esses mesmos ETFs perderam US$ 4,5 bilhões, no pior mês da história recente do produto. Agosto praticamente devolveu esse dinheiro ao mercado. O ano ainda está no negativo — US$ 1,08 bilhão de saída líquida acumulada em 2026.

Strategy voltou a comprar Bitcoin
Dentro desse mesmo movimento de demanda institucional, a Strategy encerrou uma pausa de dez semanas e voltou a acumular Bitcoin. A companhia adquiriu 4.603 bitcoins por cerca de US$ 370 milhões, elevando sua posição para 845.050 bitcoins, aproximadamente 4% da oferta máxima do ativo.

Mais do que o tamanho da aquisição isoladamente, o principal ponto está no que ela pode representar: um possível ponto de inflexão para a retomada de compras mais recorrentes pela companhia, agora apoiadas por uma estrutura de capital substancialmente diferente daquela observada no ciclo anterior.
Entre 2024 e 2025, a Strategy ampliou rapidamente sua exposição ao Bitcoin por meio, principalmente, da emissão de dívida conversível e da venda de ações. O modelo permitiu sustentar um ritmo elevado de aquisições, mas também aumentava sua dependência das condições do mercado de capitais e do desempenho de suas próprias ações. Em um cenário adverso, a redução da capacidade de financiamento poderia limitar novas compras e ampliar os riscos associados à alavancagem da companhia.
Ao longo dos últimos meses, entretanto, a Strategy passou a adotar uma abordagem mais próxima à de uma gestora de crédito. A empresa diversificou suas fontes de financiamento com diferentes classes de ações preferenciais, estabeleceu regras mais claras para a gestão de dividendos e passivos e reforçou significativamente sua posição de caixa. Com isso, passou a administrar de forma mais ativa não apenas a aquisição de Bitcoin, mas também sua liquidez, seu custo de capital e suas obrigações financeiras.
Essa mudança reduz a dependência de uma valorização contínua do Bitcoin ou de condições excepcionalmente favoráveis no mercado para sustentar a estrutura financeira da companhia. Ao mesmo tempo, uma posição de liquidez mais confortável e uma gestão de capital mais disciplinada tendem a reduzir a percepção de risco relacionada a uma eventual desalavancagem forçada.
Esse ponto é particularmente importante para a continuidade da estratégia de acumulação. À medida que a companhia demonstra maior disciplina financeira e reduz a percepção de risco de sua estrutura, investidores podem se mostrar mais dispostos a financiar a empresa por meio de suas diferentes classes de ações e instrumentos de crédito. Uma maior capacidade de acessar capital, por sua vez, amplia os recursos disponíveis para novas aquisições de Bitcoin.
Forma-se, portanto, um potencial ciclo positivo: uma estrutura de capital mais sólida pode melhorar a confiança do mercado, facilitar novas captações e, consequentemente, ampliar a capacidade da Strategy de continuar acumulando Bitcoin sem assumir o mesmo grau de fragilidade financeira observado anteriormente.
Como ir além do bitcoin: conheça a Crypto Momentum
Com a melhora das perspectivas para o Bitcoin, começamos a observar também uma recuperação da dispersão entre os criptoativos. Em outras palavras, o movimento de alta deixa de ficar concentrado apenas no Bitcoin e passa a abrir espaço para que outros ativos apresentem desempenhos mais expressivos.
Esse ambiente amplia o conjunto de oportunidades, especialmente entre as altcoins, que podem oferecer retornos superiores aos do Bitcoin em determinadas fases do ciclo. O ponto é que essa valorização não ocorre de maneira uniforme. Algumas moedas avançam de forma significativa, enquanto outras ficam para trás ou até perdem valor.
À medida que o mercado se torna mais seletivo, investir bem passa a exigir mais do que simplesmente estar comprado em cripto. É preciso decidir quais ativos comprar, quanto alocar em cada um deles, quando aumentar ou reduzir exposição e, principalmente, quando sair. São decisões que afetam diretamente tanto o potencial de retorno quanto o risco da carteira.
Existem diferentes formas de fazer essa seleção. É possível analisar os ativos por uma perspectiva fundamentalista, técnica ou quantitativa. Na Empiricus, uma das abordagens que utilizamos é justamente a quantitativa, que consideramos particularmente eficiente em um mercado ainda jovem, altamente volátil e no qual as tendências de preço podem mudar rapidamente.
É a partir dessa lógica que funciona a Carteira Crypto Momentum. A estratégia acompanha sistematicamente o momentum dos principais criptoativos para definir quais ativos devem compor a carteira, qual deve ser o tamanho de cada posição e quando é necessário realizar os rebalanceamentos. Nos períodos em que o mercado amplia o apetite por risco, a estratégia busca capturar os ativos com melhor comportamento relativo; quando o cenário se deteriora, reduz sua exposição.
Todo esse processo pode ser executado de maneira sistemática, sem que o investidor precise acompanhar diariamente dezenas de ativos ou tomar cada uma dessas decisões individualmente.
E os resultados têm validado essa abordagem: a Crypto Momentum vem superando o Bitcoin de forma consistente.
