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Investimentos

Ibovespa hoje: digestão do resultado ruim do Banco do Brasil (BBAS3), expectativa pelo balanço da Vale (VALE3) e mais destaques

No último pregão, o Ibovespa avançou cerca de 2%, com o fluxo estrangeiro continuando a favorecer blue chips, as ações mais líquidas da bolsa

Por Matheus Spiess

12 fev 2026, 10:11

Atualizado em 12 fev 2026, 10:18

ibovespa bolsa mercado bull bear

Imagem: iStock/ @asbe

As bolsas asiáticas seguem exibindo um desempenho excepcional, com o índice MSCI Ásia-Pacífico renovando máximas históricas e acumulando alta próxima de 13% no ano — o melhor início relativo frente ao S&P 500 neste século.

O movimento reflete, de um lado, a migração de investidores para mercados com valuations relativamente mais atrativos e, de outro, o reposicionamento para a próxima fase do ciclo de inteligência artificial, em que companhias asiáticas ocupam elos estratégicos da cadeia global de suprimentos. Japão e Coreia do Sul lideraram os ganhos, sustentados por resultados corporativos e, no caso japonês, ainda pela vitória eleitoral de Takaichi.

No pano de fundo global, dados mais fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos levaram a uma moderação nas expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, pressionando para cima os rendimentos dos Treasuries, ainda que sem impedir o avanço das bolsas ao redor do mundo.

Na Europa, os mercados reagiram positivamente a uma sequência de resultados corporativos acima do esperado, enquanto commodities como o petróleo passaram a recuar diante de sinais de aumento da oferta global.

No Brasil, o ambiente externo mais favorável, combinado à continuidade do fluxo estrangeiro, sustentou nova alta do Ibovespa, que superou os 190 mil pontos, reforçando a leitura de que, apesar das incertezas associadas à trajetória dos juros globais, o apetite por risco segue direcionando capital para mercados emergentes mais líquidos e com diferencial de retorno atrativo.

· 00:57 — Ibovespa sorri

Os mercados emergentes voltaram com força ao radar global, em um rali que superou as expectativas iniciais e foi impulsionado por fluxos quase recordes — cerca de US$ 100 bilhões apenas em janeiro.

Esse movimento ocorre em meio à perda de tração da narrativa de excepcionalismo americano, ao dólar mais fraco e a valuations relativos mais atrativos fora dos Estados Unidos. Diferentemente de ciclos anteriores, a alta tem sido ampla e relativamente sincronizada, envolvendo tanto ações quanto renda fixa, na China e em outros emergentes, sem caracterizar uma fuga dos EUA, mas sim uma realocação marginal de portfólios ainda fortemente concentrados no S&P 500.

No Brasil, esse pano de fundo global favorável se traduziu em mais uma rodada de valorização: o Ibovespa avançou cerca de 2% na quarta-feira, com o fluxo estrangeiro continuando a favorecer blue chips, as ações maiores e mais líquidas da bolsa.

Em uma segunda pernada do movimento — agora também sustentada por fatores domésticos, como o início do ciclo de cortes de juros — é plausível que os recursos passem a se espraiar das grandes companhias para empresas menores, abrindo espaço para uma rotação gradual em direção às small caps.

No acumulado do ano, já são mais de R$ 30 bilhões de ingressos na B3, superando com folga os R$ 25 bilhões registrados ao longo de todo o ano passado. Ontem, especificamente, contribuíram para esse movimento a fala considerada sóbria de Gabriel Galípolo em evento do BTG Pactual, a CEO Conference, além de pesquisas eleitorais que seguem apontando fragilidade na popularidade do governo.

Ainda assim, o principal vetor segue sendo a expectativa de corte de juros: dados de serviços mais fracos hoje reforçariam a tese de um corte de 50 pontos-base já em março. No noticiário corporativo, o mercado também digere o fraco resultado do Banco do Brasil, divulgado na noite de ontem, enquanto aguarda a divulgação do balanço da Vale, prevista para hoje à noite.

· 01:49 — Um mercado de trabalho ainda forte

O relatório de empregos de janeiro nos Estados Unidos veio melhor do que o esperado, com a criação de 130 mil vagas e queda da taxa de desemprego, o que reduziu as chances de um corte de juros no curto prazo pelo Federal Reserve e ajudou a reprecificar os ativos ao longo do pregão.

No mercado acionário, a reação foi um bom exemplo de como o “primeiro movimento” nem sempre é o definitivo: o S&P 500 chegou a romper a marca psicológica de 7.000 pontos no início da quarta-feira, mas perdeu fôlego e devolveu os ganhos, enquanto Dow e Nasdaq também recuaram após ganhos iniciais, em um comportamento típico de realização e ajuste de posições.

Do ponto de vista macro, o dado reforçou a leitura de que a economia americana segue operando perto do pleno emprego, o que torna mais difícil justificar um afrouxamento monetário imediato. Com isso, as curvas de juros passaram a postergar expectativas de cortes e os rendimentos dos Treasuries subiram.

Ainda que os próximos números de inflação, na sexta-feira, possam manter aberta a possibilidade de cortes ao longo de 2026, o mercado começa a questionar se a precificação de dois cortes no ano não está otimista demais — mesmo com a percepção de que Kevin Warsh possa assumir um tom mais dovish quando ocupar o comando do Fed após o término do mandato de Jerome Powell. O novo equilíbrio de Warsh parece envolver um balanço menos inchado, mas ao lado de juros mais baixos, o que pode funcionar.

· 02:32 — Pressão política

A agenda tarifária do presidente Donald Trump sofreu um revés político relevante após a Câmara dos Representantes dos EUA aprovar um projeto de lei que propõe encerrar as tarifas sobre importações do Canadá. Embora a iniciativa tenha baixa probabilidade de se converter em lei — dado que o próprio Trump já indicou a intenção de vetá-la —, a votação expôs fissuras dentro do Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato, especialmente em distritos mais sensíveis ao comércio exterior e à pressão do custo de vida.

Sinais desse tipo, que evidenciam o funcionamento dos pesos e contrapesos da institucionalidade americana, tenderiam, em tese, a favorecer o dólar em termos relativos no cenário global. O episódio também revela o estreitamento da margem política da base governista, em um contexto no qual a avaliação da condução econômica do presidente mostra sinais de desgaste e os democratas vêm apresentando desempenho eleitoral relativamente melhor.

A esse quadro soma-se a iminência de um novo shutdown do governo federal (sim, isso mesmo que você leu, mais um) — possivelmente de curta duração, mas ainda assim capaz de atrasar novamente a divulgação de dados econômicos —, ampliando o grau de incerteza em um ambiente político já marcado por elevada tensão.

· 03:28 — O aceite

O presidente da Volodymyr Zelenskiy afirmou ter aceitado uma proposta dos Estados Unidos para uma nova rodada de negociações na próxima semana com o objetivo de encerrar a guerra com a Rússia, embora Moscou ainda não tenha confirmado participação.

As conversas devem se concentrar em questões territoriais, incluindo a controversa ideia americana de criar uma zona econômica especial como área tampão no Donbas, proposta que não conta com apoio nem de Kiev nem de Moscou; segundo Zelenskiy, avanços nas negociações poderiam levar ao fim do conflito em poucos meses, em um contexto de pressão política sobre o governo Donald Trump e de crescente desgaste fiscal e econômico do lado russo, enquanto a Ucrânia reforça que qualquer acordo final será submetido a referendo após o fim dos combates.

· 04:14 — Limite populacional

A Suíça levará a referendo em junho uma proposta para limitar sua população a 10 milhões de habitantes, motivada pelos efeitos da forte imigração sobre moradia, infraestrutura e dinâmica social; a iniciativa prevê restrições graduais a partir de 9,5 milhões de habitantes e, no limite, a revisão de acordos de livre circulação com a União Europeia, levantando preocupações sobre comércio, escassez de mão de obra qualificada e sustentabilidade previdenciária.

Apesar desses riscos, o tema ganhou tração após o crescimento populacional de cerca de 10% na última década, e pesquisas indicam que a medida segue competitiva entre os eleitores. Naturalmente, as políticas migratórias do Ocidente precisam ser revisitadas, mas a resposta mais eficiente tende a passar por um fluxo saudável e bem calibrado de capital humano — e não pela simples imposição de barreiras. Nesse sentido, movimentos de fechamento parecem menos uma solução estrutural e mais um reflexo adicional do mundo cada vez mais fragmentado em que vivemos.

· 05:01 — O gigantesco capex

As grandes empresas de tecnologia devem intensificar ainda mais seus investimentos após um 2025 já marcado por níveis recordes de capex, com analistas projetando uma expansão próxima de 50% no gasto agregado, que pode superar US$ 600 bilhões em 2026. Nesse movimento, a Alphabet desponta como líder em investimentos em computação voltada à inteligência artificial, com recursos direcionados principalmente à infraestrutura do Google DeepMind. A Amazon, por sua vez…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.