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Investimentos

Ibovespa hoje: EUA abre audiência para discutir tarifaço no Brasil, enquanto mercado olha para ata dos juros americanos e cúpula da OTAN nesta segunda (6)

Ao longo da semana, as atenções devem estar voltadas para o FOMC, à cúpula da OTAN e a audiência sobre práticas comerciais do Brasil. Veja mais destaques do dia.

Por Matheus Spiess

06 jul 2026, 10:18

Atualizado em 06 jul 2026, 10:26

Imagem: Pexels/Free Stock Pro

Os mercados globais operam em tom misto nesta segunda-feira, com os futuros de Wall Street em alta após uma semana positiva que levou o Dow Jones a uma máxima histórica. Os investidores se preparam para a retomada das negociações após o feriado de Independência dos Estados Unidos. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq avançam, as bolsas europeias sobem de forma moderada e a Ásia fechou sem direção única.

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Ao longo da semana, as atenções estarão voltadas à ata do FOMC, às atas do BCE, à cúpula da Otan na Turquia, aos desdobramentos da guerra na Ucrânia e à audiência sobre práticas comerciais do Brasil, em Washington, que marca a primeira etapa da estratégia tarifária de Donald Trump contra o país.

Já o petróleo, por fim, começa a semana em queda, pressionado pela decisão da Opep+ de elevar novamente sua produção em 188 mil barris por dia a partir do próximo mês e pelos sinais de normalização gradual do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

· 00:51 — Brasil entre desaceleração, Selic e ruído comercial

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta de 0,74%, recuperando o patamar dos 174 mil pontos, favorecido pelo recuo dos juros futuros em um pregão de liquidez reduzida pelo feriado antecipado de Dia da Independência nos Estados Unidos. Na semana, o índice avançou 0,4% e ainda acumula alta de 8% no ano, apesar da correção observada desde a segunda metade de abril. O movimento dos juros foi apoiado pela produção industrial brasileira, que caiu 0,2% em maio ante abril, frustrando a expectativa de alta de 0,3% e reforçando os sinais de desaceleração.

Nesta semana, o foco se divide entre a agenda doméstica e os ruídos comerciais com os Estados Unidos. Em Washington, começa a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre as práticas comerciais do Brasil, etapa relevante da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, que pode embasar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

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A indústria nacional deve argumentar que a medida também prejudicaria os próprios Estados Unidos, ao encarecer insumos, matérias-primas e bens de capital utilizados pela indústria americana. No Brasil, os principais indicadores serão as vendas no varejo e o IPCA de junho, marcados para quarta e sexta-feira, respectivamente, que podem confirmar a perda de força da economia e manter vivo o debate sobre mais um corte da Selic.

· 01:44 — Querendo alguma recuperação

Os futuros americanos apontam para uma recuperação das ações de tecnologia no início da semana, em meio à expectativa pelos resultados da Samsung Electronics, que devem funcionar como um novo teste para o setor de semicondutores e para o apetite por teses ligadas à inteligência artificial.

Na semana anterior, porém, o segmento passou por forte realização: o ETF iShares Semiconductor caiu 5,6%, pressionado por nomes como Teradyne, KLA, Entegris, Lam Research e Marvell Technology. No mesmo período, o Nasdaq recuou, enquanto o Dow renovou recorde, refletindo uma rotação parcial para setores mais defensivos.

No campo macroeconômico, o payroll de junho veio abaixo do esperado, com criação de apenas 57 mil vagas e taxa de desemprego em 4,2%, reforçando a leitura de um mercado de trabalho em desaceleração, mas ainda sem ruptura. O dado reduziu a probabilidade de uma nova alta de juros pelo Fed, de 29% para cerca de 18%, oferecendo algum alívio aos mercados antes do feriado. Agora, a semana atual nos trará uma agenda mais leve, com o PMI de serviços do ISM, a ata do Fomc, os dados de vendas de imóveis usados e os resultados de PepsiCo e Delta, antes do início da temporada de balanços dos grandes bancos, em 14 de julho.

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· 02:39 — Preocupação com o fluxo

O fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz mostra sinais de normalização após semanas de desvios e manobras incomuns de navios-tanque, reduzindo o prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações do petróleo. Embora o funeral do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, tenha suspendido temporariamente as negociações entre Washington e Teerã, os sinais práticos apontam para a continuidade da implementação do memorando firmado no mês passado, com a retomada do comércio marítimo entre Irã e Catar e o tráfego de petróleo próximo da normalidade.

Ao mesmo tempo, a Opep+ confirmou um novo aumento de produção, de 188 mil barris por dia a partir de agosto, reforçando a expectativa de um mercado mais abastecido. Com maior oferta, retomada dos fluxos em Ormuz e menor risco de disrupção imediata, Brent e WTI abriram em queda na Ásia, refletindo a percepção de que o choque geopolítico perdeu força como fator de sustentação dos preços.

· 03:26 — Na expectativa pela Cúpula

A cúpula da OTAN na Turquia nesta semana ocorre em um momento em que os aliados europeus tentam demonstrar a Donald Trump que a permanência dos Estados Unidos na aliança continua sendo estratégica para Washington. Depois da reunião anterior em Haia, marcada pelo esforço de convencer Trump a não abandonar a OTAN, o foco agora é apresentar resultados concretos, especialmente o aumento dos gastos militares europeus, em parte atribuído à pressão exercida pelo próprio presidente americano.

Ainda assim, a relação permanece delicada: Trump segue cobrando maior contribuição dos aliados, demonstra irritação com posições europeias no conflito com o Irã e mantém tensões com líderes como Giorgia Meloni. A presença de Recep Tayyip Erdoğan como anfitrião pode ajudar, dado o respeito de Trump por seu estilo de liderança e a relevância geopolítica da Turquia, que possui a segunda maior força militar da OTAN e influência direta sobre os principais conflitos em discussão.

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Com a redução das tensões no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia volta ao centro da agenda. Trump deve se reunir com Volodymyr Zelensky em meio à frustração por não ter conseguido encerrar o conflito, que entrou em uma fase de estagnação militar, enquanto a Rússia intensifica ataques contra a Ucrânia às vésperas da cúpula. Ao mesmo tempo, os gastos com defesa seguem como tema dominante, embora seus efeitos econômicos tendam a aparecer de forma gradual, e não imediata.

A composição desses gastos também está mudando, com maior relevância para drones, estoques de mísseis, novas tecnologias militares e possível redirecionamento das compras europeias para fornecedores fora dos Estados Unidos. A mensagem central é que a OTAN continua dependente de Washington, mas precisará encontrar formas mais eficazes de manter Trump engajado, indo além da deferência política e demonstrando utilidade estratégica concreta para os interesses americanos.

· 04:13 — Alavanca de crescimento

A Coreia do Sul tenta transformar o boom da inteligência artificial em uma alavanca de crescimento econômico de longo prazo. Com Samsung Electronics e SK Hynix caminhando para lucros operacionais recordes, o governo sul-coreano espera uma arrecadação extraordinária de impostos corporativos e pretende direcionar parte desse excedente para um fundo de investimento voltado ao desenvolvimento futuro. Ao mesmo tempo, o entusiasmo com a IA também traz riscos. ETFs alavancados ligados a ações individuais de Samsung e SK Hynix passaram a preocupar reguladores e políticos, já que podem amplificar movimentos de volatilidade em papéis que se tornaram centrais para a bolsa local.

No campo corporativo, a SK Hynix se prepara para uma listagem histórica na Nasdaq, avaliada em cerca de US$ 28 bilhões, aproveitando o forte apetite global por ativos ligados à inteligência artificial e buscando reduzir o desconto de valuation em relação a pares internacionais. O movimento ocorre em meio a uma onda mais ampla de investimentos em semicondutores na Ásia.

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A Hon Hai registrou forte crescimento de vendas impulsionado pela IA, a Micron iniciou uma expansão relevante no Japão, a Samsung planeja elevar os preços de DRAM e a Índia avança no desenvolvimento de sua própria capacidade de produção de chips. Em paralelo, a Coreia do Sul também abriu uma nova etapa de integração financeira ao iniciar a negociação 24 horas do won, em uma das flexibilizações mais relevantes de seu regime cambial desde a crise asiática de 1997.

· 05:05 — Bom posicionamento

A WEG segue bem posicionada para capturar um ciclo estrutural de crescimento na cadeia de infraestrutura elétrica, em um ambiente em que a demanda por equipamentos permanece forte e a oferta segue limitada. A leitura foi reforçada em reunião recente com executivos da Siemens Energy, que destacaram a força da demanda por soluções ligadas à rede elétrica, especialmente em razão da expansão de data centers, inteligência artificial e hyperscalers. Embora o 2T26 possa ser mais fraco, a expectativa é de retomada do crescimento a partir do segundo semestre.

Entre os principais vetores de demanda estão a expansão da geração renovável, a necessidade de substituição de ativos antigos de transmissão e, sobretudo, os investimentos em data centers. Essa última frente vem ganhando importância como fonte incremental de demanda por transformadores e outros equipamentos críticos para a rede elétrica, aproximando fornecedores industriais das grandes empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, a oferta global continua apertada, com prazos de entrega de três a cinco anos para transformadores de maior porte, além de restrições ligadas à construção de novas fábricas e à escassez de mão de obra qualificada.

Esse contexto favorece companhias que já investiram em capacidade produtiva, como a WEG. Os investimentos realizados nos últimos anos, especialmente em Geração, Transmissão e Distribuição, começam a entrar em operação justamente em um momento de demanda superior à oferta, sobretudo em transformadores de potência, segmento com maiores barreiras de entrada. Por isso, mesmo negociando a um valuation exigente, de cerca de 30,6 vezes lucros estimados para 2026, WEGE3 segue como uma das principais histórias de crescimento da bolsa brasileira.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.