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Crypto Pulse

Bitcoin (BTC) volta aos US$ 60 mil: o pior já ficou para trás nas criptomoedas?

Alívio temporário chegou ao mercado cripto nos últimos dias, mas a confirmação de uma tendência mais positiva ainda depende de novos sinais

Por Luis Kuniyoshi

05 jul 2026, 15:00

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(Imagem: iStock.com/peepo)

O Bitcoin (BTC) voltou a negociar acima dos US$ 60 mil nesta semana, recuperando uma região técnica relevante após ter ameaçado uma correção mais profunda na virada do mês. O movimento trouxe alívio para o mercado cripto e interrompeu, ao menos por ora, a deterioração que vínhamos acompanhando nas últimas semanas.

A melhora ocorreu em um ambiente de maior apetite por risco, influenciado por três fatores principais: um relatório de emprego mais fraco nos Estados Unidos, a percepção de menor pressão inflacionária após a fala de Kevin Warsh no Fórum do BCE e uma rotação de capital depois de um primeiro semestre bastante concentrado em semicondutores.

Mesmo com a melhora no preço, o cenário ainda exige seletividade. O Bitcoin voltou para cima de um suporte importante, mas o mercado segue precificando a possibilidade de novos aumentos de juros ainda em 2026, enquanto os fluxos para cripto precisam mostrar mais consistência antes de sustentarem uma leitura mais construtiva.

Além disso, a Strategy voltou ao centro das discussões. A empresa reduziu parte do risco de cauda ao reforçar caixa e ampliar sua flexibilidade financeira, mas também abriu uma possibilidade que antes parecia distante: monetizar parte dos seus bitcoins caso a gestão entenda que isso seja vantajoso.
Por isso, nossa leitura ainda segue a mesma: o momento continua mais adequado para gestão de risco do que para reconstrução agressiva de posições em altcoins.

Nesta edição, mostramos por que a recuperação recente melhora o quadro de curto prazo, mas ainda não confirma uma virada de tendência.

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Leitura gráfica: Bitcoin (BTC)

O Bitcoin recuperou uma região técnica relevante. Depois de tocar a região de US$ 58 mil na virada do mês, o ativo voltou a negociar acima dos US$ 60 mil, faixa que vínhamos tratando como suporte importante nas últimas semanas. A retomada reduz, por ora, o risco de uma correção adicional em direção aos US$ 50 mil, cenário que havia ganhado força após a perda temporária desse nível.

Ainda assim, recuperar um suporte não significa, necessariamente, reverter a tendência. Para que o movimento ganhe consistência, será importante observar se o BTC consegue se manter acima dessa região e, principalmente, se a melhora de preço será acompanhada por fluxos mais fortes e maior demanda institucional.

Por enquanto, o repique deve ser interpretado como uma melhora pontual no curto prazo, mas ainda insuficiente para confirmar uma nova pernada de alta.

BTC/USDT

Fonte: TradingView

O alívio no mercado cripto veio, mas não virou tendência

A recuperação do Bitcoin ocorreu após a divulgação de um relatório de emprego mais fraco nos Estados Unidos. Em junho, a economia americana criou apenas 57 mil vagas, abaixo das cerca de 115 mil esperadas pelo mercado. Além disso, os dados dos meses anteriores foram revisados para baixo: abril passou de 179 mil para 148 mil vagas, enquanto maio caiu de 172 mil para 129 mil. No total, as revisões retiraram 74 mil vagas do que havia sido reportado anteriormente.

Fonte: Tradingeconomics

Os números reforçaram a percepção de um mercado de trabalho americano menos resiliente do que se imaginava. Para os ativos de risco, esse tipo de dado tende a aliviar parte da pressão sobre as taxas de juros, uma vez que reduz a probabilidade de uma postura ainda mais restritiva por parte do Fed.

Esse alívio também foi influenciado pela fala de Kevin Warsh no Fórum do BCE, em Sintra. O evento reúne alguns dos principais banqueiros centrais do mundo e costuma funcionar como um espaço relevante para sinalizações de política monetária. Em sua participação, Warsh reconheceu que as pressões inflacionárias diminuíram nas últimas semanas, o que contribuiu para reduzir a percepção de risco em torno dos juros.

Ainda assim, a mensagem não representou uma mudança ampla na postura de política monetária. Warsh reforçou o compromisso com a meta de 2% de inflação e evitou oferecer sinalizações claras sobre os próximos passos. Assim, embora o ambiente inflacionário pareça menos pressionado, o mercado ainda segue precificando a possibilidade de novos aumentos de juros ao longo de 2026.

Colocando esses dois pontos em contexto, é possível que tenhamos chegado a um “pico de hawkishness”. Em outras palavras, parte relevante do pessimismo em torno dos juros pode já estar refletida nos preços.

Daqui em diante, o ponto central passa a ser a confirmação pelos dados. Caso os próximos indicadores reforcem a continuação dessa dinâmica, o mercado pode começar a reduzir a expectativa de uma postura monetária ainda mais dura. Para o Bitcoin, esse alívio seria relevante: menos pressão nos juros tende a melhorar o apetite por risco e pode abrir espaço para uma recuperação mais consistente do ativo.

Outro fator relevante foi a rotação de capital no mercado acionário. Após um primeiro semestre marcado por forte concentração de ganhos em semicondutores e empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial (IA), houve realização em parte desses ativos. O movimento não indica necessariamente uma saída ampla de risco, mas uma redistribuição de exposição entre setores e classes de ativos.

Nesse contexto, ativos digitais também foram beneficiados. Parte do capital que estava concentrado em segmentos com valuations mais elevados passou a buscar oportunidades em ativos que haviam ficado para trás no período recente, incluindo software e cripto.

Além disso, houve uma melhora marginal nos fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista. Após uma sequência de dez dias consecutivos de saídas, os produtos registraram entrada líquida de aproximadamente US$ 223,5 milhões em 2 de julho. O dado é positivo porque interrompe a deterioração recente, mas ainda não tem magnitude suficiente para sustentar, sozinho, uma leitura mais construtiva.

Fonte: Farside

Para que a recuperação ganhe força e passe a indicar uma retomada mais consistente da tendência de alta, será importante observar a continuidade desses fluxos nos próximos dias.

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Strategy reduz risco de cauda, mas muda narrativa

Outro ponto relevante veio da Strategy, empresa de Michael Saylor e maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo. Depois de semanas de pressão sobre seu modelo de financiamento, a companhia anunciou um novo pacote de gestão de capital que mexe diretamente nos pontos frágeis que vínhamos acompanhando.

A empresa autorizou até US$ 2 bilhões em recompras, sendo US$ 1 bilhão em ações preferenciais e US$ 1 bilhão em ações ordinárias Classe A. Além disso, reforçou sua reserva em dólar para cerca de US$ 2,55 bilhões, valor suficiente para cobrir aproximadamente 17,4 meses de dividendos das preferenciais e juros da dívida. A Strategy também elevou o dividendo anual da STRC para 12%, que passa a valer a partir de 1º de julho de 2026.

O ponto mais sensível, porém, foi a criação de um programa de monetização de Bitcoin. Na prática, a empresa passou a ter autorização para vender parte dos seus BTCs caso a gestão entenda que isso é mais vantajoso do que emitir novas ações ou acessar o mercado de capitais em condições desfavoráveis. Os recursos poderiam ser usados para reforçar a reserva em dólar, pagar dividendos e juros ou financiar recompras.

É importante separar duas coisas. A Strategy não anunciou uma venda imediata de Bitcoin, nem assumiu obrigação de vender. O que mudou foi a abertura formal dessa possibilidade. Ainda assim, a sinalização é relevante porque representa uma mudança de postura em relação à narrativa anterior, muito mais associada à acumulação permanente de BTC.

Por muito tempo, a mensagem de Saylor esteve mais próxima de “compre Bitcoin, nunca venda seus bitcoins”. Agora, o discurso passa a incorporar outro elemento. Ao resumir o pacote, Saylor afirmou que a medida “fortalece o perfil de crédito da Strategy mantendo o bitcoin como principal ativo de reserva do tesouro”. A diferença é sutil, mas importante: a prioridade deixa de ser apenas acumular BTC a qualquer custo e passa a incluir a gestão ativa da estrutura de capital.

Do ponto de vista de mercado, a notícia foi recebida de forma positiva. A ação ordinária ($MSTR em laranja) e as preferenciais (como $STRC em vermelho) voltaram a subir, especialmente porque o pacote reduz parte do risco de cauda que vinha pressionando os papéis. Um balanço com mais caixa, maior cobertura de obrigações e ferramentas de recompra tende a dar mais conforto ao investidor sobre a capacidade da empresa de honrar seus pagamentos.

Fonte: Tradingview

Essa é a parte positiva. O novo plano diminui o risco de uma venda forçada e desordenada de Bitcoin em um cenário de estresse, o que seria muito pior para o mercado. Ao criar uma estrutura mais flexível, a Strategy ganha tempo e reduz a percepção de fragilidade imediata.

Mas isso não transforma a notícia em algo plenamente positivo. O fato de a companhia precisar abrir margem para vender BTC mostra que o modelo não está funcionando como antes. Quando o prêmio da ação diminui, a emissão de capital perde eficiência e o custo das preferenciais sobe, a empresa precisa recorrer a instrumentos defensivos. Em outras palavras, o pacote reduz o risco de curto prazo, mas também confirma que a tese da Strategy entrou em uma fase mais difícil.

Para o Bitcoin, o efeito líquido é ambíguo. De um lado, o mercado retira parte do risco de uma liquidação desordenada. De outro, passa a conviver com a possibilidade de que uma das maiores compradoras históricas do ativo possa, em determinados momentos, atuar também como vendedora. Isso não muda a tese estrutural do Bitcoin, mas adiciona uma camada importante de monitoramento para os próximos meses.

Já não basta “comprar e esquecer”

Esse ponto também reforça uma ideia central para o investidor. O Bitcoin pode continuar sendo um ativo interessante no longo prazo e seus fundamentos seguem sólidos. Ainda assim, a melhor forma de se expor ao ativo nem sempre é simplesmente comprar e esquecer. Em diferentes momentos do ciclo, faz sentido ajustar exposição, preservar caixa e gerir risco conforme os sinais de mercado evoluem.

É exatamente essa lógica que buscamos aplicar na carteira Crypto Momentum, uma forma automatizada de se expor ao mercado cripto pelo BTG Pactual. A estratégia busca capturar os momentos de alta do Bitcoin e, quando o ambiente é favorável, investir em altcoins que estejam apresentando melhor desempenho relativo em relação ao próprio BTC. Em períodos de perda de força do mercado, por outro lado, a carteira pode ampliar a posição em caixa, como ocorre no momento atual.

Até aqui, essa estratégia tem se refletido em uma performance consistente acima do Bitcoin. Para quem busca exposição ao mercado cripto com uma gestão de risco ativa e automatizada, confira a carteira Crypto Momentum aqui:

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A recuperação ainda pede confirmação

Portanto, a leitura segue equilibrada. O Bitcoin recuperou uma região técnica importante, as pressões inflacionárias parecem menos intensas, a rotação de capital favoreceu ativos digitais no curto prazo e a Strategy reduziu parte do risco de cauda. Por outro lado, o mercado ainda precifica a possibilidade de juros mais altos em 2026, os fluxos para cripto precisam mostrar mais consistência e a mudança de postura da Strategy confirma que o ciclo segue exigindo disciplina.

Por isso, nossa leitura ainda segue a mesma: o momento continua mais adequado para gestão de risco do que para reconstrução agressiva de posições em altcoins. A recuperação é positiva, mas a confirmação de que o ciclo virou ainda não veio.

Analista de criptomoedas na Empiricus Research.