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Investimentos

Ibovespa hoje: Início da temporada de resultados no Brasil e novo pedido de recuperação judicial no varejo; veja destaques desta terça (20)

Temporada de balanços do 3T26 tem início com a Romi e engrena amanhã com Bradsaúde e Weg

Ruy Hungria 2026

Por Ruy Hungria

20 out 2026, 11:08

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Atualizado em 20 out 2026, 11:08

dinheiro investimentos mercados bolsa

Imagem: iStock/ @Muharrem huner

Mercados começam a terça-feira em clima de aversão ao risco. Em dia de agenda econômica esvaziada, as negociações na Europa seguem influenciadas negativamente pelas manifestações na França e pelos receios com o endividamento da região.

Enquanto isso, depois de um breve alívio na sessão de ontem, o clima voltou a piorar na Ásia e nos Estados Unidos hoje (mais sobre isso abaixo).

No Brasil, o noticiário segue dominado pelo tema eleitoral, com o dado econômico mais relevante — o IPCA-15 — marcado para ser divulgado apenas na sexta-feira.

Por outro lado, a temporada de resultados tem início hoje com a Romi e engrena amanhã com os números de Bradsaúde e Weg. O Bradesco divulga na quinta-feira e deve dar um “cheiro” de como estão o consumo e a inadimplência do brasileiro na reta final das eleições.

01:15 – Depois do alívio, mais um dia ruim lá fora

Depois de uma semana complicada para as teses ligadas ao tema inteligência artificial, as negociações de ontem voltaram a mostrar algum alívio, com Nasdaq avançando cerca de 1% e S&P 500, aproximadamente 0,5%. Mas hoje o clima voltou a piorar, com sinais negativos vindos da Ásia.

A estreia da sul-coreana Elice, provedora de infraestrutura para IA, derreteu 32% em Seul — o pior primeiro dia de negociação de uma empresa de grande porte no país. Isso bastou para azedar o apetite por risco lá fora. Os futuros do S&P 500 recuam 0,2% e os do Nasdaq 100, 0,6%, com a CoreWeave cedendo 4,4% no pré-mercado e as fabricantes de chips retomando a queda.

Não é um caso isolado. Há duas semanas, a australiana Firmus Grid abortou sua oferta inicial de ações, e ontem o risco de crédito da SoftBank subiu ao maior nível em quase quatro anos.

Nesse sentido, a temporada de resultados ganha ainda mais relevância para calibrar as expectativas e ajudar (ou atrapalhar ainda mais) as expectativas. SpaceX e Netflix divulgam seus números hoje e a Meta reporta amanhã.

Para complicar o sentimento, o petróleo voltou a subir: o Brent superou os US$ 111 por barril nesta manhã, maior nível desde maio, com os investidores precificando o risco de novos ataques iranianos no Estreito de Ormuz. Depois de uma semana com dados de inflação piores que o esperado nos Estados Unidos, o movimento da commodity aumenta as preocupações sobre o direcionamento dos juros por lá.

02:15 – Não é brinquedo, não

Seguindo passos parecidos de outros grandes nomes do varejo, o grupo Ri Happy anunciou um pedido de recuperação extrajudicial, com o objetivo de renegociar R$ 824 milhões em dívidas.

É mais um caso que explicita as dificuldades das companhias diante da situação macro, especialmente das varejistas, que sofrem com o endividamento das famílias e as restrições de crédito.

Esse episódio apenas reforça a nossa seletividade. Apesar de os ativos brasileiros terem subido por conta da possibilidade de um ajuste fiscal, a realidade ainda é dura para as empresas — e o 3T deve deixar isso mais claro.

03:35 – Não será um passeio no parque

Falando nisso, nesta semana começa a temporada de resultados no Brasil, e ela não deve trazer números muito inspiradores.

Os grandes destaques de crescimento serão os setores de Óleo & Gás e distribuição de combustíveis, que se aproveitaram da forte alta do preço do petróleo desde o início da guerra. A Petrobras, por exemplo, deve mostrar uma expansão de mais de 50% do Ebitda em dólares.

Por outro lado, o varejo deve continuar com números pressionados, especialmente em moda e alimentos — a Smart Fit deve ser uma das poucas exceções positivas no setor. As mineradoras também tendem a ser impactadas por preços de minério mais baixos e custos de frete mais elevados.

Já a siderúrgica Gerdau deve se beneficiar do ambiente favorável para a venda de aço para data centers nos Estados Unidos.

Em resumo, não será uma temporada fácil. A parte boa é que, a depender do resultado das eleições e dos sinais de ajuste fiscal, os números fracos terão pouca importância.

05:15 – Oportunidade de renda

A Weg divulga resultados amanhã e não devemos ter números espetaculares. O aumento nos custos de cobre, aço e alumínio, além de um câmbio ainda desfavorável e dos impactos das tarifas implementadas por Donald Trump nos Estados Unidos, devem continuar pressionando a comparação anual, assim como temos observado nos últimos trimestres.

Por outro lado, vemos um cenário de médio e longo prazos bem mais favorável para a companhia. O aumento de capacidade de produção de transformadores e geradores nos próximos anos, combinado com o crescimento dos temas de eletrificação e data centers, deve sustentar uma expansão de Ebitda acima de 15% tanto em 2027 como em 2028.

Aproveitando esse desânimo com o curto prazo, ontem o Empiricus Opções recomendou uma operação de renda com Weg. Trata-se da venda da put WEGEW451, com vencimento em 19/11/2026 e strike de R$ 44,85.

No pior cenário — WEGE3 abaixo de R$ 44,85 no vencimento —, você comprará as ações pelo strike (um desconto de 6% para o fechamento de ontem), e por isso precisa deixar uma garantia na corretora. Para cada put vendida, são R$ 44,85 de garantia: se vender 100 puts, por exemplo, precisará deixar 100 x R$ 44,85 = R$ 4.485,00.

Em troca, você receberá em torno de R$ 0,80 por opção vendida, o que equivale a uma renda de aproximadamente 150% do CDI no período.

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.