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Investimentos

Ibovespa hoje: Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) seguram índice com início do tarifaço e ameaça de nova alíquota preocupando mercado nesta quarta (22)

Tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos entra em vigor, enquanto mercado acompanha possibilidade do anúncio de uma nova tarifa de 12,5%.

Por Matheus Spiess

22 jul 2026, 10:28

Atualizado em 22 jul 2026, 10:28

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Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

Os mercados globais operam sem direção definida nesta quarta-feira, em um pregão de baixa liquidez e ainda fortemente influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio. Os futuros de Nova York recuam e petróleo avança quase 4%, com o Brent negociado ao redor de US$ 95 por barril, refletindo as crescentes ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb. A ausência de sinais concretos de negociação entre Estados Unidos e Irã, somada à continuidade dos ataques e às ameaças dos houthis, mantém elevados os riscos para o abastecimento global de energia.

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Na Europa, as bolsas avançam, sustentadas pelas empresas dos setores de mineração, petróleo e gás, que compensam parcialmente a fraqueza das ações de tecnologia. Na Ásia, os mercados encerraram o dia sem uma tendência única, mas com tom predominantemente positivo: Coreia do Sul e Taiwan avançaram, enquanto Japão, Hong Kong e Shenzhen recuaram. Na agenda, os investidores dividem a atenção entre a temporada de resultados, a política comercial e as tensões geopolíticas. Alphabet, Tesla e IBM divulgam seus balanços após o fechamento, enquanto Donald Trump prepara novas tarifas sobre dezenas de países.

· 00:56 — O novo Tarifaço chegou

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão praticamente estável, aos 173.326 pontos, após recuperar parte das perdas acumuladas ao longo do dia. Petrobras (PETR4), que avançou 1,34% acompanhando a valorização do petróleo, e Vale (VALE3) ajudaram a limitar o movimento negativo em um pregão de baixa liquidez. O dólar recuou 0,32%, para R$ 5,07, sustentado pelo diferencial de juros favorável ao real, pela expectativa de uma balança comercial ainda robusta e pelo efeito positivo da alta do petróleo sobre os termos de troca do país, movimento que costuma beneficiar a moeda brasileira. No ambiente corporativo, a Vale apresentou números operacionais robustos no segundo trimestre, enquanto a WEG (WEGE3) inaugura a temporada de resultados na B3.

No campo comercial, entrou em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros, embora carne e café tenham sido preservados. O governo ainda avalia sua resposta, priorizando a via da negociação e evitando, por ora, acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, enquanto os setores afetados intensificam os esforços de lobby em Washington.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos já recuaram 13% no primeiro semestre de 2026, para US$ 17,4 bilhões, o menor nível histórico, ao mesmo tempo que avançaram os embarques destinados à China e à União Europeia. Além disso, Washington pode anunciar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, sem que esteja claro se a cobrança será cumulativa às alíquotas já existentes. A ofensiva tarifária americana, portanto, voltou a ganhar força como vimos no ano passado.

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· 01:44 — A tecnologia recoloca Wall Street no azul

Nos Estados Unidos, Wall Street voltou ao campo positivo, impulsionada pela recuperação das ações de tecnologia, especialmente das fabricantes de semicondutores. O Dow Jones avançou 0,7%, o S&P 500 subiu 0,9% e o Nasdaq ganhou 1,3%, enquanto os investidores relegaram a segundo plano as preocupações com a guerra envolvendo o Irã, mesmo com o petróleo negociado no maior nível em mais de um mês. O movimento refletiu tanto uma reação às quedas recentes quanto a expectativa pelos resultados das grandes empresas de tecnologia e por eventuais anúncios de novos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

A temporada de balanços será decisiva para determinar se a alta representa o início de uma recuperação mais consistente ou apenas um movimento pontual. Alphabet, Tesla e IBM divulgam seus resultados após o fechamento, seguidas, nos próximos dias, por Microsoft, Meta e Amazon, entre outras companhias. O otimismo também foi reforçado pela Super Micro Computer, cujas ações dispararam 20,5% no pós-mercado após a empresa elevar sua projeção de margem, atribuindo a revisão ao aumento dos pedidos e à demanda ainda robusta por servidores e infraestrutura voltada à inteligência artificial. A temporada até aqui foi boa. Vamos ver se o ritmo será mantido.

· 02:39 — 11º dia

A guerra entre Estados Unidos e Irã chegou ao 11º dia sem sinais concretos de descompressão e já teria custado US$ 37,5 bilhões aos Estados Unidos, segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, cerca de 30% acima da estimativa anterior. O Pentágono solicita aproximadamente US$ 80 bilhões para financiar o conflito e recompor os estoques de armamentos, enquanto Donald Trump descarta negociações imediatas, volta a ameaçar instalações nucleares iranianas e promete reagir caso os houthis interrompam a navegação no Mar Vermelho.

Teerã, por sua vez, afirma que não retomará as conversas enquanto permanecer sob ataque. Nesse ambiente, aumentam os riscos de regionalização do conflito e de um bloqueio simultâneo do Estreito de Ormuz e de Bab el-Mandeb, o que poderia comprometer tanto o fluxo global de petróleo quanto o tráfego de contêineres em direção ao Canal de Suez.

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A situação logística tornou-se crítica. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz voltou praticamente a zero, em comparação com uma média próxima de 80 travessias diárias antes da guerra, enquanto empresas de navegação alteram rotas e reavaliam suas operações na região. O Brent superou novamente US$ 90 por barril, e algumas casas já estimam que uma interrupção prolongada dos fluxos poderia levar os preços acima de US$ 120.

Até o momento, o uso de reservas estratégicas ajudou a conter a alta, mas esse mecanismo possui limites claros, sobretudo porque os estoques americanos estão nos menores níveis desde 1983. O conflito parece preservar um frágil “equilíbrio cinético”, no qual a escalada tende a perder força quando o petróleo se aproxima do limite superior da faixa recente, entre US$ 70 e US$ 90. Com os preços novamente nesse patamar elevado e algumas linhas vermelhas sendo ultrapassadas, essa hipótese está prestes a ser colocada à prova.

· 03:27 — Impacto direto

As bolsas asiáticas avançaram nesta quarta-feira, sustentadas pela recuperação das fabricantes de semicondutores, apesar da persistência das tensões no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a alta de 30% do Brent no mês, levando o petróleo para acima de US$ 95 por barril, passou a pressionar sobretudo as economias asiáticas dependentes de importações da commodity. Como essas compras são realizadas em dólares, o encarecimento do petróleo deteriora as contas externas, enfraquece as moedas locais e coloca os bancos centrais diante de uma escolha cada vez mais difícil entre defender as taxas de câmbio e preservar o ritmo de crescimento.

Por enquanto, a prioridade tem sido conter a desvalorização cambial. Filipinas e Índia intervieram diretamente no mercado de câmbio, enquanto a Indonésia já elevou os juros em 100 pontos-base nos últimos meses. No Japão, o iene se aproximou da mínima em 40 anos, levando o governo a sinalizar uma possível atuação e reforçando as expectativas de um aperto monetário mais acelerado. Caso os preços do petróleo permaneçam em níveis elevados, a pressão sobre as moedas, a inflação e os juros na Ásia tendem a se intensificar, exigindo respostas firmes das autoridades monetárias.

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· 04:16 — A IA coloca à prova o modelo tecnológico da Índia

O setor de tecnologia da Índia começa a sentir de forma mais evidente os efeitos da inteligência artificial. Empresas tradicionais de serviços de TI construíram seus modelos de negócio sobre uma ampla oferta de programadores de custo relativamente baixo, mas agora enfrentam concorrentes especializados em IA, capazes de entregar projetos com maior agilidade e a preços mais competitivos.

O índice Naukri JobSpeak perdeu força após o lançamento público de modelos como GPT-4 e Claude, ao mesmo tempo que as receitas do setor desaceleraram, os salários passaram a sofrer maior pressão e as companhias aumentaram o recurso a financiamento para investir em suas próprias soluções de inteligência artificial e preservar a competitividade.

Paralelamente, no mercado de trabalho global, 2026 ainda mostra uma melhora relevante em relação ao ambiente mais fraco de 2025, especialmente nos mercados emergentes, onde as vagas voltaram a crescer após uma forte retração. Os dados mais recentes, contudo, indicam perda de fôlego dessa recuperação. Indicadores de alta frequência apontam desaceleração nas contratações em junho, com destaque negativo para Japão e Alemanha, sinalizando que o mercado de trabalho global permanece relativamente resiliente, mas começa a avançar em ritmo mais moderado.

· 05:04 — A próxima fronteira do capital: investir na economia espacial

A economia espacial deixou de ser um tema restrito a governos e missões científicas para se consolidar como um ecossistema comercial cada vez mais amplo. Esse mercado reúne empresas de lançamentos, fabricantes de satélites e componentes, operadoras de comunicação, serviços de geolocalização e companhias de observação da Terra.

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Em 2024, a economia espacial global alcançou o recorde de US$ 613 bilhões, com o setor comercial respondendo por 78% da atividade. Projeções do Fórum Econômico Mundial e da McKinsey indicam que esse universo pode atingir US$ 1,8 trilhão até 2035, impulsionado pela redução dos custos, pela ampliação do acesso ao espaço e pela crescente incorporação de serviços orbitais às atividades tradicionais.

A principal avenida de crescimento não está apenas no turismo espacial ou na exploração de outros planetas, mas sobretudo na infraestrutura que conecta o espaço à economia terrestre. Telecomunicações por satélite, navegação e posicionamento, monitoramento climático, agricultura de precisão, segurança, logística e transmissão de dados vêm ampliando a demanda por lançamentos, constelações e equipamentos orbitais.

A Agência Espacial Europeia estima que somente o mercado downstream, responsável por transformar sinais e dados espaciais em serviços para consumidores e empresas, movimentou aproximadamente € 490 bilhões em 2025. Esse dado mostra que o valor econômico do setor já está menos concentrado nos foguetes e mais nas aplicações recorrentes construídas sobre essa infraestrutura.

Nesse contexto, o Global X Space Tech ETF (Nasdaq: ORBX | B3: ORBX39) oferece uma forma diversificada de exposição à cadeia espacial, reunindo empresas ligadas a sistemas de lançamento, foguetes reutilizáveis, componentes, softwares, transporte orbital, comunicações por satélite, análise de dados e exploração espacial. O fundo possui 37 companhias, taxa de administração de 0,50% e exposição predominante aos Estados Unidos, combinando empresas mais consolidadas com negócios ainda em fase de expansão.

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Trata-se de uma tese estruturalmente promissora, mas também intensiva em capital e sujeita a elevada volatilidade, dependência de contratos públicos, riscos tecnológicos e longos prazos de maturação. Por isso, enxergamos o ORBX como uma posição temática e complementar em uma carteira diversificada, voltada à captura do crescimento de longo prazo da economia espacial.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.