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McDonald’s (MCDC34) no 3T23: nem a “onda do Ozempic” conseguiu impedir o ganho de market share

Ao longo do 3º tri, a companhia ganhou participação de mercado nos clientes de média e alta renda, mesmo com queda de tráfego nas lojas dos EUA.

Por Enzo Pacheco, CFA

31 de outubro de 2023, 08:25

McDonald's (MCDC34 MCD)
Imagem: Divulgação/ Mc Donald’s

Ontem (30), antes da abertura dos negócios, o McDonald’s (B3: MCDC34 | NYSE: MCD) entrou na mira dos investidores com os seus balanços do terceiro trimestre. E, mais uma vez, a maior rede de restaurantes do mundo mostrou que uma clientela fiel ao redor do mundo não se importa nem com o aumento de preços de seus produtos, com resultados acima das expectativas dos analistas.

No período encerrado em setembro a companhia reportou receita de US$6,692 bilhões, crescimento de 14% (11%, quando desconsiderada a variação cambial) em relação ao mesmo trimestre de 2022. As vendas do sistema — que contabiliza a receita gerada pelos franqueados, na qual o McDonald’s baseia parte de sua remuneração — tiveram aumento de 11% (+10% em moeda corrente).

Ticket médio do McDonald’s aumentou

As vendas mesmas lojas da empresa cresceram 8,8%, com forte aumento nas suas três linhas de negócio: Estados Unidos, +8,1% (vs. +6,1% um ano atrás); Mercados Internacionais Operados, +8,3% (+8,5%); e Mercados Internacionais Licenciados, +10,5% (+16,7%).

No principal mercado da companhia (EUA), a receita aumentou graças ao maior ticket médio decorrente de estratégias de marketing relacionados aos preços de seus produtos, aliado a uma melhor execução dos restaurantes e crescimento contínuo de seus canais de vendas digitais.

Já nos MIOs, a alta se deu principalmente em mercados como o Reino Unido, Alemanha e Canadá. E nos MILs, o forte crescimento ocorreu em todas regiões de atuação (lembrando que nesse grupo estão mercados importantes como o Brasil, a China e o Japão).

Além disso, a direção continua entregando margens extremamente saudáveis e crescentes no seu negócio. O lucro operacional no período totalizou US$3,208 bilhões, um aumento de 16% (+13% ex-câmbio) e o equivalente a uma margem operacional de 47,9%, comparado com US$2,764 bilhões e uma margem de 47% um ano atrás.

Lucro líquido maior e mais dividendos

Na linha final de resultados, o lucro líquido do McDonald’s foi de US$2,337 bilhões, ou US$3,19 por ação, valor 18% (+15% ex-câmbio) maior do que o reportado no 3T22 (US$1,982 bilhões, US$2,68/ação).

Para melhorar ainda mais a situação, a companhia anunciou um aumento de 10% nos dividendos pagos aos seus acionistas, que passarão a receber US$1,67 por ação — que será pago no dia 15 de dezembro para a base de acionistas ao final do dia 30 de novembro.

O que disse a companhia

Apesar desses pontos positivos, o CEO Chris Kempczinski afirmou que a companhia observou uma queda no tráfego de suas lojas nos Estados Unidos (primeiro trimestre de queda no ano). Contudo, importante salientar que essa é uma tendência geral da indústria de restaurantes como um todo, com a população de menor renda (com ganhos anuais menores que US$45 mil) reduzindo o seu consumo fora de suas residências.

Ainda segundo Kempczinski, o monitoramento desse espectro populacional é relevante para entender as pressões que esses clientes estão sofrendo por conta do aumento de preços e como oferecer soluções que caibam em seus bolsos. 

Por outro lado, a empresa afirmou que ganhou participação de mercado nos clientes de média e alta renda, sinalizando que esses indivíduos estão buscando opções mais baratas — e o McDonald’s seria uma das principais alternativas para esses consumidores, dado o poder da marca e a ampla oferta de produtos.

E essa é uma parte importante da nossa tese de investimento na companhia. A não ser que a economia americana entre em um momento de crescimento robusto (o que não parece o cenário-base atualmente), a busca por empresas que se beneficiem do trade-down (ou seja, uma redução no estilo de consumo) tendem a ser uma das principais vencedoras nos próximos meses.

Somado a isso, a queda recente das ações da companhia — que chegaram a desvalorizar quase 20% das suas máximas, em grande parte do receio dos investidores com o impacto nos negócios diante da “onda Ozempic” — abriu uma oportunidade interessante para quem não tinha McDonald’s em seu portfólio. 

A Empiricus Research recomenda McDonald’s (MCDC34)

Mesmo que não estejamos falando de um ativo barato (negociando por 21 vezes seus lucros para 2024), a capacidade de entregar bons resultados aliado ao pagamento de proventos crescentes faz do McDonald’s (B3: MCDC34 | NYSE: MCD) uma das principais ideias de investimento no nosso portfólio internacional atualmente.

Além desse papel, veja, neste relatório gratuito, outras ações internacionais para investir agora.

Sobre o autor

Enzo Pacheco, CFA

Formado em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo e pós-graduado em Operador de Mercado Financeiro pela FIA. Desde 2017 atua na análise dos mercados internacionais na série da Empiricus voltada a este propósito (MoneyBets).