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Investimentos

Microsoft (MSFT34): Por que o mercado penalizou as ações mesmo após lucro crescer 60%?

Apesar dos números trimestrais da Microsoft virem melhores que a expectativa dos analistas, um setor acabou penalizando a ação.

Por Enzo Pacheco, CFA

29 jan 2026, 12:17

Atualizado em 29 jan 2026, 12:17

microsoft MSFT34

Imagem: iStock.com/tupungato

Na quarta (28), após o encerramento do mercado regular a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) divulgou os seus balanços do segundo trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado em dezembro).

Apesar dos números melhores que a expectativa dos analistas, o resultado do segmento de cloud em linha com as estimativas, somado a uma projeção para o próximo trimestre levemente abaixo do esperado, acabou penalizando a ação.

As vendas no período foram de US$ 81,273 bilhões, crescimento de 17% (+15%, desconsiderando variação cambial) ante o mesmo trimestre do ano anterior.

Principais números da Microsoft no trimestre

Analisando por linha de negócio, o destaque continua sendo a parte Intelligent Cloud (IC), que engloba a maior parte dos produtos e serviços de computação em nuvem, com receita de US$ 32,907 bilhões, valor 29% (+28%) na comparação anual.

O segmento Productivity & Business Processes (P&BP), manteve sua liderança em relação as receitas totais, que somaram US$ 34,166 bilhões (+16%, +14% ex-câmbio vs. 2T25) mas deve perder esse posto nos próximos trimestres, considerando a diferença na taxa de crescimento em relação ao IC.

Já a parte More Personal Computing (MPC), com resultados provenientes das vendas de dispositivos, produtos e serviços do universo Xbox e de publicidade das ferramentas de busca e notícias, reportou vendas de US$ 14,250 bilhões, queda de 3% ante o segundo trimestre do ano passado.

Considerando produtos e serviços da Microsoft, o principal vetor de melhora nos números seguem sendo as soluções de computação em nuvem: Azure, aumento de 39% (+38% desconsiderando variação cambial); Microsoft 365 Consumer Cloud, +29% (+27%); e Dynamics 365, solução para negócios com tecnologia de IA, com alta de 19% (+17%).

Por outro lado, a receita com vendas de dispositivos apresentou um aumento de 1% (estável, desconsiderando o câmbio), enquanto os conteúdos e serviços do Xbox recuaram 5% (-6%) na comparação anual.

Essa maior participação dos produtos e serviços de computação em nuvem permitiram a companhia apresentar um lucro bruto 16% (+14%) acima ante o 2T25, totalizando US$ 55,295 bilhões.

Contudo, a margem teve um levo recuo de 1 ponto percentual (estável, ex-câmbio) ante um ano atrás e atingiu o menor patamar nos últimos três anos, nos 68%. Isso é fruto dos maiores investimentos de infraestrutura de IA e aumento do uso de produtos dessa tecnologia, parcialmente compensado pelos ganhos de eficiência no Microsoft Cloud e mudança no mix de vendas para negócios com maiores margens.

Isso, porém, não impactou a forte capacidade de geração de lucro operacional da companhia, que totalizou US$ 38,275 bilhões, valor 21% (+19%) maior na comparação anual e o que representa uma margem de 47%, 2 pontos percentuais maior (estável, ex-câmbio) em relação a um ano atrás.

Na linha final de resultado, o lucro líquido do trimestre foi de US$ 38,458 bilhões, o que representa US$ 5,16 por ação, crescimento anual de 60% (+58%).

Importante salientar, porém, que esse número considera os ganhos obtidos na operação de recapitalização da OpenAI, que totalizou quase US$ 10 bilhões no período (aproximadamente US$ 1/ação). Desconsiderando esse evento extraordinário, o lucro líquido ajustado no trimestre foi de US$ 30,875 bilhões, ou US$ 4,14 por ação, alta de 24% (21%) ante o 2T25.

Caixa da Microsoft pesa com investimentos quase dobrando

Em relação a geração de caixa da companhia, ainda que suas operações tenham gerado um valor 60% maior na comparação anual (US$ 35,758 bilhões), os investimentos realizados no período praticamente dobraram (passando de US$ 15,804 bilhões para US$ 29,876 bilhões). Isso fez com que o fluxo de caixa livre da Microsoft apresentasse um recuo de 9%, totalizando US$ 5,882 bilhões no trimestre.

Quando considerado os ativos adquiridos por meio de operações financeiras, o total de capex fica na casa dos US$ 37,5 bilhões, um aumento de 66% ante um ano atrás e acima da projeção de mercado (que estava na casa dos US$ 34 bilhões).

Segundo a companhia, dois terços desses dispêndios estão relacionados a aquisição de ativos com uma vida útil curta, principalmente CPUs e GPUs – para dar o suporte necessário para a expansão da plataforma Azure, soluções de IA e acelerar pesquisa e desenvolvimento internamente. Importante reforçar que uma parte desses investimentos foram feitos para a substituição de ativos mais antigos, como servidores.

Já o restante dos investimentos foi voltado para ativos com maior vida útil, com quase US$7 bilhões destinados a aquisição de áreas para construção de data centers.

As soluções de Inteligência Artficial tem atraído cada vez mais demanda por parte de seus clientes, com mais de 15 milhões de usuários pagos em assinaturas relacionadas ao Microsoft 365 Copilot.

Como ficam as expectativas para a Microsoft após o balanço trimestral?

Apesar dos ótimos números, a projeção da direção para o próximo trimestre em linha com o esperado pelos analistas acabou pesando no papel.

Enquanto a receita deve ficar entre US$ 80,65 bilhões e US$ 81,75 bilhões (em linha com as estimativas de mercado), o que representaria um aumento da ordem de 15% na comparação anual, o crescimento do Azure deve ficar entre 37% e 38% (ante consenso de 37,1%).

Como comparação, o aumento da receita do Microsoft Azure no 1T26 ficou nos 40%. Caso entregue um resultado conforme o esperado, seria o segundo trimestre seguido de queda na velocidade de crescimento dessa parte do negócio.

Já a margem operacional esperada pela companhia deve ficar perto dos 45%, enquanto os analistas projetavam 45,5%. Essa expectativa da direção considera investimentos ainda crescentes no negócio.

Só que a desvalorização de mais de 10% na esteira dos resultados, a meu ver, parece exagerada. Com esse recuo, o ativo voltou a negociar no intervalo inferior do seu múltiplo Preço/Lucro projetado dos últimos cinco anos – desconsiderando momentos de maior estresse no mercado, como a alta de juros por parte do Fed em 2022/2023 e nos meses que antecederam o Liberation Day.

Considerando que o negócio deve continuar apresentando taxas de crescimento sólidas nos próximos trimestres, com uma capacidade de investimento proveniente dos fluxos gerados pelo negócio, enxergo o patamar atual da ação (na casa dos US$ 320) um bom ponto de entrada ou até aumento na posição em Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT).

Administrador pela Universidade Federal do Espírito Santo com pós-graduação em Operador de Mercado Financeiro pela FIA, Enzo Pacheco atua desde 2017 com análise de investimentos nos mercados internacionais. Hoje, é responsável pela série MoneyBets, voltada para os investidores brasileiros que querem expandir as fronteiras dos seus portfólios. Possui certificações CFA e CNPI.