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Petrobras (PETR4) reporta resultados resilientes do 3T23, mas o melhor ainda é ficar de fora; entenda

O resultado da petrolífera foi ajudado pelo aumento da produção no pré-sal e valorização do petróleo na comparação com o trimestre anterior.

Por Ruy Hungria

10 de novembro de 2023, 09:57

Petrobras (PETR4) fundo imobiliário
Imagem: Agência Brasil

Mais uma vez, a Petrobras (PETR4) anunciou resultados bastante resilientes referentes ao 3T23, ajudado pelo aumento da produção no pré-sal e valorização do petróleo na comparação com o trimestre anterior.

Exploração e Produção (E&P)

O segmento de Exploração e Produção (E&P) apresentou Ebitda de R$ 60 bilhões, alta de 23% na comparação com o 2T23. Isso foi possível graças à combinação de aumento nos preços do petróleo, maior produção e maior participação do pré-sal, que tem um custo de extração mais baixo e proporciona margens melhores. Importante mencionar que na comparação com o 3T22 o Ebitda caiu, mas muito em função da desvalorização do petróleo no período. 

Refino

No Refino, o Ebitda saltou 30% na comparação com o 2T23, para R$ 10,4 bilhões. No entanto, boa parte dessa expansão ocorreu pelo efeito positivo de R$ 6 bilhões de valorização de estoques, em função da alta do petróleo no período. Excluindo esse efeito, o Ebitda do segmento teria atingido R$ 4,5 bilhões, queda trimestral de -50%.

Do lado negativo, esse recuo reflete margens menores no segmento de refino por conta da nova política de preços. Por outro lado, mostra que, apesar da influência do governo, Petrobras tem conseguido gerar retorno positivo e, mais importante, sem subsídios.

Gás e Energia

No segmento de Gás e Energia, a maior disponibilidade de gás nacional e a consequente redução de custos de aquisição da molécula ajudaram as margens. O Ebitda do segmento chegou a R$ 3,6 bilhões, alta de 45% ante o 2T23.

Ebitda consolidado de Petrobras sobe 17%, mas lucro líquido cai 7,5%

No consolidado, o Ebitda da Petrobras atingiu R$ 66,2 bilhões no 3T22, crescimento de 17% na comparação trimestral. 

Apesar da boa evolução dos resultados operacionais, a desvalorização do real no trimestre acabou gerando perdas no resultado financeiro, ao contrário do que aconteceu no trimestre anterior. 

Com esse efeito negativo, o Lucro Líquido acabou caindo de R$ 29,3 bilhões no 2T23 para R$ 27,2 bilhões no 3T23, um recuo de -7,5%. 

Ainda assim, os resultados foram bastante resilientes, com aumento interessante do Ebitda, alta de 23% no Fluxo de Caixa Livre e alavancagem ainda muito confortável, abaixo de 1x dívida líquida/Ebitda. 

Apesar de apresentar bons resultados operacionais mais uma vez, entendemos que os múltiplos atuais da Petrobras (PETR4), acima da média histórica, combinados com riscos de intervenção, nos fazem preferir acompanhar essa história de fora, por enquanto.

No setor de petróleo, inclusive, preferimos outro case com potencial de valorizar até 70% em meio às altas do preço da commodity. Trazemos a tese de investimento completa neste relatório gratuito.

Sobre o autor

Ruy Hungria

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.