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Resultados do 4T23 da Alphabet, dona do Google (GOOGL34), demonstram boa geração de caixa mesmo com ajustes operacionais

Números reportados pela holding do Google não justificam a queda acima de 5% no after-market; veja em detalhes

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Data de publicação
31 de janeiro de 2024
Categoria
Investimentos
Resultados Google (GOGL34)
Imagem: Unsplash

Logo após o encerramento dos negócios na terça-feira (30), a Alphabet (B3: GOGL34 | Nasdaq: GOOGL), holding controladora do Google, reportou os seus balanços do quarto trimestre de 2023. Os resultados vieram melhores do que o esperado pelo mercado.

Nos três meses encerrados em dezembro a empresa apresentou vendas de US$86,310 bilhões, uma alta de 13% (+13%, desconsiderando variação cambial) em relação ao 4T22. Esse foi o maior ritmo de crescimento desde o 1T22, quando reportou alta de 23%.

Advertising

A parte de advertising, principal negócio da companhia, teve receita de US$65,517 bilhões, valor 10,9% maior do que um ano atrás, mas abaixo das projeções de mercado, que esperavam US$65,94 bilhões. Dentre os segmentos, destaque para a parte do YouTube que cresceu 15,5% (US$9,2 bilhões) e da ferramenta de busca homônima, com aumento de 12,7% (US$48,020 bilhões).

Cloud

Já o segmento de cloud, tido como um dos principais vetores de crescimento, mostrou aumento de 25,7%, acima dos 22% projetado pelos analistas, com receita de US$9,192 bilhões. A parte de assinatura, plataformas e outros dispositivos também teve uma boa performance, crescendo quase 23% (US$10,794 bilhões).

Outro ponto importante da tese foram os custos de aquisição de tráfego da companhia, que totalizaram quase US$14 bilhões (+8,2% vs. 4T22) e ficou levemente abaixo das expectativas dos analistas (US$14,1 bilhões).

Lucro operacional e lucro líquido de Google

O lucro operacional no trimestre foi de US$23,967 bilhões, valor 30,5% maior na comparação anual e equivalente a uma margem de 27% (+3p.p. vs. 4T22). 

O principal impulso dessa linha de resultado foram os serviços Google (advertising + assinaturas, plataforma e outros dispositivos), que cresceram 32,2% e somaram US$26,730 bilhões.

A parte de Cloud pelo quarto trimestre consecutivo reportou um lucro operacional, desta vez de US$864 milhões — como comparação, um ano atrás esse valor era um prejuízo de US$186 milhões, e no 3T23, um lucro de US$266 milhões. A expectativa de mercado era de um lucro de pouco mais de US$420 milhões.

O lucro líquido do trimestre foi de US$20,867 bilhões, ou US$1,64 por ação, aumento de mais de 56% na comparação anual.

Os números do ano de 2023 foram bons, ainda que em um ritmo menor do que o observado no último trimestre do ano.

No período, a receita da Alphabet totalizou US$307,394 bilhões, crescimento de 8,7% (+10% ex-câmbio) em relação a 2022. 

Já o lucro operacional somou US$84,293 bilhões, valor 12,7% maior na comparação anual e o que representa uma margem operacional de 27% (+1p.p vs. 2022).

Na linha final, o lucro líquido de 2023 foi de US$73,795 bilhões, ou US$5,80 por ação, aumento de 27,2% em relação aos doze meses anteriores.

Dando sequência ao ajuste de suas operações, a companhia encerrou o ano com pouco mais de 182 mil funcionários, um recuo de 4% no número total de empregados quando comparado com 2022. Os resultados do ano tiveram um impacto de quase US$4 bilhões nos custos e despesas relacionados às demissões (US$2,088 bilhões) e a otimização de seus espaços corporativos (US$1,845 bilhões). 

Apesar disso, a capacidade de geração de caixa da companhia segue firme e forte. 

No ano de 2023, o fluxo de caixa operacional ultrapassou a marca dos US$100 bilhões (+11,2% vs. 2022) e, considerando os investimentos necessários para o negócio (US$32,251 bilhões, estável na comparação anual), o fluxo de caixa livre totalizou US$69,495 bilhões (+15,8%).

Difícil encontrar algum motivo nos números para justificar a queda de mais de 5% nas ações no after-market. Alguns podem argumentar o fato da companhia ter entregue números abaixo do esperado no seu principal segmento de atuação (advertising), mas me parece que os investidores buscaram apenas um motivo para realizar parte dos lucros na posição — no ano, as ações subiam quase 10%, e quase 25% nos últimos três meses.

O que achamos dos números de Google no 4º tri de 2023?

Não acho que seja um resultado que sinalize uma piora substancial nos seus negócios, mesmo com o aumento da concorrência do seu principal produto por conta do surgimento de novas ferramentas ligadas a Inteligência Artificial (como o Bing, com funcionalidades oferecidas pelo ChatGPT). 

Porém, não podemos esquecer que a companhia já oferece um produto desse tipo (Gemini), ainda que muitos questionem a velocidade de monetização do mesmo por parte da Alphabet.

Ainda que o movimento no curto prazo seja de novas quedas, entendo que isso possa abrir uma oportunidade para entrar no papel ou até mesmo um futuro aumento da posição, considerando o múltiplo atual atrativo (22,5 vezes seus lucros projetados para 2024). A ação é uma sugestão da Empiricus Research.

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