Edição: CanvaPro
A Smart Fit (SMFT3) divulgou os resultados do 1T26 com margens superiores às nossas expectativas, beneficiando-se, novamente, da diversificação geográfica e outras fontes de receita.
A receita de R$2,1 bilhão veio em linha com nossas expectativas. O número decorre principalmente da performance de academias próprias, que teve incremento de 12% no ticket médio, aumento de 20% a/a da rede e crescimento de 8% na base média de alunos por unidade, que por sua vez é explicado pelo amadurecimento das unidades mais jovens.
O principal destaque positivo foi a margem bruta de 51,8% (+1,1 p.p. a/a e +1,9 p.p. t/t), sustentada pelo amadurecimento consistente das unidades abertas nos últimos dois anos, pela manutenção da rentabilidade das academias maduras e pelo forte crescimento de frentes como Studios e TotalPass. Os números chamam a atenção especialmente diante do receio recente do mercado de que o aumento da concorrência pressionasse justamente esses indicadores.
Panorama da Smart Fit hoje
A manutenção da margem bruta próxima de 52% nas academias maduras é importante pois esse é um dos principais pilares da tese. Hoje, a Smart Fit possui 1.132 unidades maduras, equivalentes a 68% da base total, ante 956 no 1T25. Como boa parte das academias abertas recentemente deve amadurecer nos próximos anos, a tendência é de expansão relevante da lucratividade, beneficiada pela forte alavancagem operacional do modelo.
A receita da rede Smart Fit Brasil foi de R$ 683 milhões (+18% a/a). Com pressão nos custos, o lucro bruto foi de R$ 326 milhões (+17 % a/a) e a margem bruta caiu -0,7 p.p., para 47,7%, explicada principalmente pela maior concentração de aberturas de academias em dezembro, ainda longe do período de maturação.
Além das unidades tradicionais, as receitas da Bio Ritmo somadas à rubrica “Outras” (que contempla principalmente Studios, TotalPass e royalties), cresceram 82,5% a/a, totalizando R$ 255 milhões. Juntas, passaram a representar 12% da receita líquida da companhia, e a margem bruta das operações somadas foi de 76%, mostrando que o avanço delas tende a ser acretivo para a rentabilidade consolidada.
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Operação SMFT3 no México
No México, a receita cresceu 20% a/a, para R$ 444,8 milhões, impulsionada pelo aumento de 13% no ticket médio e expansão de 6% da base de alunos. O lucro bruto avançou 12% a/a, mas a margem bruta recuou para 43,6% (-3,1 p.p. a/a), pressionada pelo aumento de custos de pessoal e pela maior concentração de academias ainda em fase de maturação.
Outro fator de pressão na operação mexicana vem do TotalPass: nas unidades próprias da Smart Fit, a participação dos check-ins desses alunos é cerca de 40% superior à fatia de receita que eles geram, o que reduz a rentabilidade no curto prazo.
Mesmo com essa pressão, a ampla diversificação geográfica da companhia tem ajudado a compensar esse efeito, tanto é verdade que a rubrica “Outros países” foi novamente a frente que mais contribuiu para o crescimento da receita e margem bruta. A receita desse segmento foi de R$719 milhões (+22% a/a), impulsionada principalmente por 17% de incremento na base de alunos e pelos repasses de preços bem-sucedidos na Colômbia e no Peru. A margem bruta atingiu 54,6% (+0,6p.p. a/a), bem acima de Brasil e México e acima da margem bruta esperada de uma academia madura (52%).
Aliás, a própria companhia destacou o amadurecimento chamativo das academias com operação iniciada em 2024, cujas margens brutas atingiram 56%, indicando o ganho de expertise com custos nas unidades mais recentes.
As despesas gerais, administrativas e de vendas somaram R$ 410,6 milhões, equivalentes a 19,5% da receita (+0,2 p.p. a/a), refletindo maiores investimentos na estruturação de novos negócios, além da consolidação do TotalPass México e da FitMaster. Mesmo com a forte alavancagem operacional, entendemos que essa linha ainda pode seguir pressionada no curto prazo, impactando o ebitda, mas tende a voltar a ser diluída à medida que essas operações amadureçam.
Afinal, vale investir nas ações SMFT3?
O ebitda ajustado atingiu recorde de R$ 672 milhões (+29% a/a), com margem de 32% (+1 p.p. a/a), beneficiado principalmente pela expansão da margem bruta.
O lucro líquido foi de R$ 203,5 milhões (+45% a/a), com margem líquida de 9,7% (+1,3 p.p. a/a), refletindo não apenas o forte crescimento operacional, mas também melhora no resultado financeiro e menor pressão tributária.
Em suma, o crescimento de Studios, TotalPass e das operações em outros países da América Latina segue contribuindo para expansão de receita e rentabilidade. Paralelamente, o amadurecimento das unidades mais jovens deve continuar impulsionando os resultados à medida que a forte expansão dos últimos anos se consolida. Embora o aumento da concorrência e a maior participação do TotalPass tragam desafios pontuais, a alavancagem operacional do modelo segue sendo o principal vetor de crescimento de lucro da companhia.
Os receios recentes do mercado pressionaram a performance das ações nos últimos meses, tornando o valuation mais atrativo em nossa visão. Os resultados do trimestre reforçam que a Smart Fit segue operando de forma robusta e capturando os benefícios da diversificação. Negociando a 12,7x P/L 2026, SMFT3 reforçamos nossa recomendação de compra para os papéis, que segue em diversas séries da Empiricus Research.