Imagem: iStock.com/Ilya Lukichev
A agenda internacional adiciona novos elementos de atenção neste início de quinta-feira. A visita de Lula à Casa Branca coloca temas sensíveis em evidência, enquanto outros vetores globais permanecem no radar, como as dificuldades do Japão em sustentar o iene, as eleições locais no Reino Unido e os questionamentos sobre a qualidade dos dados econômicos britânicos. Bancos centrais como o Riksbank (Suécia) e o Norges Bank (Noruega) devem manter as taxas de juros estáveis, reforçando um ambiente de cautela monetária (o México também conta com decisão de política monetária).
Nos mercados, a reação segue sendo majoritariamente positiva, com avanço das bolsas asiáticas, lideradas pelo Nikkei, estabilidade na Europa e leve alta dos futuros americanos, enquanto o petróleo continua em trajetória de queda, refletindo um equilíbrio ainda frágil entre o otimismo de curto prazo e as incertezas persistentes no cenário geopolítico, associadas ao Estreito de Ormuz.
Nesse contexto, o mercado tenta sustentar o forte rali observado na quarta-feira, movimento impulsionado pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. O desempenho recente foi menos determinado por avanços concretos no conflito e mais pela percepção de que a Casa Branca busca uma solução rápida, pressionada pelos custos econômicos e políticos da guerra, como a alta da gasolina nos Estados Unidos. Esse pano de fundo elevou o apetite por risco, levou o Brent a recuar quase 8% e sustentou a valorização das bolsas globais. Ainda assim, o cenário segue cercado de incertezas, com sinais contraditórios nas negociações, postura cautelosa de atores relevantes, como Irã e Israel, e uma oferta global de energia ainda pressionada, o que mantém os mercados sensíveis a novos desdobramentos.
· 00:54 — Ibovespa reage ao alívio externo
No Brasil, os ativos domésticos voltaram a acompanhar o movimento internacional, com o Ibovespa recuperando o patamar dos 187 mil pontos e avançando 0,5%, em meio ao sentimento mais otimista dos investidores diante da possibilidade de um novo acordo entre Estados Unidos e Irã. A percepção de arrefecimento do conflito contribui para uma leitura mais benigna para a inflação, ainda que já esteja contaminada, o que reduz a pressão sobre a curva de juros e favorece ativos de maior risco. Ainda assim, o câmbio seguiu direção oposta, com o dólar avançando frente ao real em um movimento de correção após a queda de 0,85% observada na véspera, influenciado principalmente pela retração dos preços do petróleo, fator desfavorável para a moeda brasileira, e pela atuação do Banco Central no mercado de câmbio, por meio de um leilão de swap reverso de US$ 500 milhões. Essa operação pouco utilizada reflete o aproveitamento do fluxo positivo recente e da valorização do real para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, atualmente acima de US$ 95 bilhões.
Para hoje, a agenda doméstica segue relevante e pode trazer novos elementos para o comportamento dos ativos. O mercado acompanha a dinâmica do fluxo estrangeiro, ao mesmo tempo em que avalia indicadores como a produção industrial de março e a balança comercial de abril, esta última possivelmente beneficiada pelo aumento das exportações de petróleo. Além disso, o noticiário corporativo ganha protagonismo, com a divulgação de resultados ao longo do dia por empresas de diversos setores, incluindo varejo, shoppings, educação e infraestrutura, o que tende a contribuir para uma leitura mais granular sobre a atividade econômica e a qualidade dos resultados.
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· 01:41 — O encontro da semana
O encontro entre Lula e Trump ocorre em um contexto delicado, marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e pressões políticas internas para ambos os líderes. Apesar de uma relação mais cordial, o ambiente tornou-se mais sensível diante de divergências sobre temas como Venezuela, Irã e medidas americanas envolvendo o Brasil, incluindo investigações comerciais e a possível classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Para Lula, o desafio será manter o pragmatismo em um momento de forte polarização doméstica, no qual o discurso de soberania pode gerar dividendos políticos nos próximos meses, mas também carrega riscos relevantes diante da imprevisibilidade da reação americana, como já ocorreu em episódios envolvendo líderes como Volodymyr Zelensky e Cyril Ramaphosa.
Paralelamente, o Brasil busca se posicionar de forma estratégica ao avançar no marco regulatório dos minerais críticos e terras raras, um setor cada vez mais central na disputa geoeconômica entre Estados Unidos e China nesta nova configuração de rivalidade global (Guerra Fria 2.0). A proposta, acompanhada de incentivos fiscais e mecanismos para estimular investimentos, reforça a tentativa brasileira de atrair capital e tecnologia sem assumir alinhamento automático com nenhum dos polos.
· 02:38 — Próximo dos 50 mil pontos
Os mercados americanos registraram forte valorização, impulsionados por dois vetores principais: o entusiasmo com o setor de semicondutores, especialmente vinculado à inteligência artificial, e a expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, que poderia encerrar o conflito e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuindo para a queda dos preços do petróleo. Nesse contexto, o Dow Jones avançou 1,2%, aproximando-se do patamar simbólico de 50 mil pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq subiram 1,5% e 2%, respectivamente, renovando máximas. Empresas como a AMD se destacaram, com forte valorização após a divulgação de resultados, refletindo o momento favorável do setor de tecnologia. Ainda assim, o Dow continua apresentando desempenho inferior em relação aos demais índices, em parte devido à sua menor exposição a empresas de semicondutores, mesmo após ajustes recentes em sua composição.
Por outro lado, o cenário também traz sinais de cautela. A valorização expressiva das ações de tecnologia e semicondutores já começa a ser comparada à bolha das empresas ponto-com, dado o ritmo acelerado de alta e os ganhos acumulados elevados, ainda que os fundamentos atuais sejam mais consistentes. Paralelamente, a agenda econômica segue relevante, com dados de mercado de trabalho e produtividade nos Estados Unidos sendo acompanhados de perto, especialmente em um ambiente de incerteza quanto à trajetória da inflação, dos juros e dos impactos efetivos da inteligência artificial sobre a economia. O pano de fundo, portanto, combina otimismo no curto prazo com indícios de possível excesso, exigindo uma postura mais atenta e disciplinada por parte dos investidores.
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· 03:29 — Avaliando a proposta
O preço do petróleo recuou à medida que o Irã passou a avaliar uma nova proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, que pode abrir caminho para o encerramento do conflito e aliviar as pressões sobre o mercado de energia, ao mesmo tempo em que oferece uma saída política para Donald Trump. O eventual acordo incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio naval americano, deixando as negociações nucleares para uma etapa posterior. Ainda assim, o cenário permanece incerto e marcado por sinais contraditórios: enquanto Trump sinaliza a possibilidade de entendimento e menciona a abertura do estreito, mantém a retórica de possível escalada militar, ao passo que episódios recentes, como a interceptação de um petroleiro iraniano, evidenciam que as tensões no terreno seguem elevadas.
Nesse contexto, a China intensifica sua atuação diplomática em favor de uma solução negociada, enquanto o Irã busca estreitar relações com Pequim e Moscou para ampliar seu poder de barganha, mantendo o desfecho do conflito em aberto e sujeito a novos desdobramentos. Vale destacar dois pontos importantes: i) mesmo em caso de reabertura, o Estreito de Ormuz tende a levar entre seis e oito semanas para retomar um fluxo minimamente normalizado; e ii) ainda que essa normalização ocorra, é pouco provável que o mercado volte a enxergar o estreito da mesma forma após essa disrupção — uma vez alterada a percepção de risco, ela dificilmente retorna ao ponto anterior. Isso sugere que o petróleo pode passar a incorporar de forma mais estrutural um prêmio geopolítico adicional, refletindo o risco recorrente de interrupções. Esse novo equilíbrio, por sua vez, tende a acelerar discussões sobre diversificação geográfica e de fontes energéticas nos próximos anos, potencialmente beneficiando regiões como a América Latina e alternativas como a energia nuclear.
· 04:17 — Um rali sem precedentes
O principal índice da bolsa sul-coreana (KOSPI) ultrapassou pela primeira vez a marca dos 7.000 pontos (já alcançou 7.490), impulsionado principalmente pelo desempenho do setor de semicondutores, com destaque para Samsung e SK Hynix, que já perfazem mais de 40% do índice (concentração preocupante) e vêm se beneficiando da forte demanda global associada à inteligência artificial. Nos últimos cinco dias, o índice avança mais de 13%, acumulando ganho de 77% ao longo do ano e mais de 190% em 12 meses, num movimento que reflete tanto a solidez das exportações quanto a recuperação da atividade industrial, em meio à expansão rápida da indústria de chips.
Ainda assim, a continuidade desse desempenho permanece condicionada à sustentação desse ciclo de demanda. Há espaço para novas altas caso os investimentos em inteligência artificial sigam em ritmo robusto, mas o cenário também incorpora riscos relevantes, especialmente relacionados à inflação e aos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, a combinação de crescimento consistente, elevado poder de precificação das empresas de semicondutores e níveis de avaliação ainda descontados segue sustentando o interesse dos investidores, com a possível redução do chamado “desconto coreano” atuando como um vetor adicional de valorização ao longo dos próximos meses.
· 05:06 — O novo aço do século XXI: infraestrutura, IA e o superciclo americano
Os Estados Unidos ingressam em um novo ciclo estrutural de investimentos, um verdadeiro superciclo de Capex, impulsionado pela convergência entre inteligência artificial, reindustrialização e segurança energética. Trilhões de dólares já estão sendo direcionados à construção de fábricas, data centers e infraestrutura elétrica, em um pipeline de megaprojetos que ultrapassa US$ 3 trilhões. Na prática, trata-se da formação da base física da próxima geração da economia global, com aceleração já perceptível ao longo de 2025 e 2026 e potencial de continuidade nos anos seguintes.
Para o investidor, o ponto central vai além do crescimento agregado e reside na amplitude das oportunidades distribuídas ao longo de toda a cadeia de infraestrutura, de construção e engenharia a materiais, energia e transporte. Nesse contexto, veículos como o Global X US Infrastructure Development ETF (B3: BPVE39) oferecem uma forma eficiente de acessar essa temática de maneira diversificada, acompanhando os principais beneficiários desse ciclo. Cabe, no entanto, atenção à liquidez do produto, ainda relativamente limitada, o que recomenda uma abordagem gradual na alocação. Ainda assim, como instrumento de exposição a um vetor estrutural de longo prazo, o ETF se apresenta como uma alternativa em uma carteira global bem balanceada.