A “próxima Steve Jobs” pode encarar até 20 anos de prisão: entenda a história de Elizabeth Holmes, da Theranos, em documentário

Em poucos lugares, o mantra “fake it until you make it” (finja até conseguir, em tradução livre) é tão exaltado e aplicado quanto no Vale do Silício, o berço das mais disruptivas empresas de tecnologia do mundo. Mas às vezes, esse fingimento pode passar um pouco dos limites… foi o caso da empreendedora Elizabeth Holmes, […]

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Data de publicação
20 de setembro de 2021
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Em poucos lugares, o mantra “fake it until you make it” (finja até conseguir, em tradução livre) é tão exaltado e aplicado quanto no Vale do Silício, o berço das mais disruptivas empresas de tecnologia do mundo. Mas às vezes, esse fingimento pode passar um pouco dos limites… foi o caso da empreendedora Elizabeth Holmes, a mente por trás da Theranos, uma healthtech que pretendia revolucionar os exames de sangue e a saúde preventiva, assim como a Apple revolucionou os smartphones. 

Tendo, inclusive, Steve Jobs como uma de suas principais inspirações, a jovem abandonou a Universidade de Stanford e foi em busca deste grande “sonho do Silício”: fundar a próxima empresa de sucesso. De alguma forma, ela conseguiu. A Theranos foi avaliada em US$ 10 bilhões e conquistou a confiança (e o bolso) de investidores como o magnata Rupert Murdoch e o ex-secretário de Estado Henry Kissinger. 

Mas, proporcional ao tamanho de sua ambição, foi a intensidade de sua queda. Na verdade, a inovação proposta do Holmes ‒ fazer um diagnóstico completo usando apenas uma gota de sangue ‒ era cientificamente impossível. E embora a empresária soubesse que não poderia seguir, a fraude continuou.

A história por trás da Theranos e a sua derrocada estão retratadas no documentário “A inventora: à procura de sangue no Vale do Silício”, disponível na HBO. O filme documental foi indicação do sócio-fundador da Empiricus, Felipe Miranda, no novo episódio do podcast Puro Malte.

Dirigido pelo ganhador do Oscar, Alex Gibney, o documentário conta a trajetória curta e polêmica daquela que foi considerada “a próxima Steve Jobs”. Em quase duas horas de filme, Gibney busca explorar temas como ganância empresarial e obstinação por uma ideia, que levaram Elizabeth Holmes a perseguir a ideia da Theranos a todo custo.

No documentário, são mostradas entrevistas com funcionários da empresa, que relatam que, internamente, o clima era estranho e parecia que algo estava errado, embora ninguém soubesse exatamente o quê. As primeiras denúncias vieram, inclusive, de funcionários de baixo escalão que resolveram expressar essa estranheza ao Washington Post (veja aqui a reportagem que revela a fraude da Theranos). 

Mas, se internamente “algo cheirava mal”, no exterior, parecia que Holmes iria realmente se tornar o próximo Jobs. Os relatos mostram que a empresária soube cativar investidores e membros do governo, que compraram sua ideia disruptiva. Uma das propostas era que a máquina Edison, a responsável por realizar os exames, estivesse nas filiais da rede Walgreens e, eventualmente, na casa das pessoas. 

Mas, no fim das contas, a Theranos era apenas isto: uma ideia inovadora, porém sem base científica e tecnológica.

Uma das lacunas de “A inventora” é não mostrar o outro lado da história. Uma entrevista com Elizabeth Holmes não foi possível, mas certamente teria enriquecido o documentário e o deixado menos parcial. No momento, Holmes e seu ex-namorado Ramesh Balwani enfrentam um julgamento que pode resultar em até 20 anos de prisão. 

Nem toda inovação é uma fraude

Histórias como a de Holmes mostram que nem toda inovação tem fundamento por trás. A ciência ainda não está preparada para oferecer um check-up completo usando apenas uma gota de sangue. Isso não quer dizer que ideias inovadoras sejam necessariamente uma fraude. Na verdade, elas são essenciais para nossos avanços enquanto sociedade.

Na obra “O Dilema da Inovação”, escrita por Clayton M. Christensen, mostra como grandes empresas prosperaram sendo disruptivas em seus mercados. A obra foi enviada para os assinantes do Empiricus Books, clube do livro sobre empreendedorismo, finanças e negócios.

Confira abaixo as outras dicas culturais do Puro Malte:

  • CD “Batuqueiros e sua gente”. Indicação de Roberta Scrivano;
  • Documentário Inspiration4, disponível na Netflix. Indicação de Roberta Scrivano;
  • Artigo “Teria a renda fixa matado a sofisticação do mercado?”, de Felipe Miranda na revista Exame. Indicação de Roberta Scrivano;
  • Artigo “No mercado das ideias, as melhores vencem?”, de Joel Pinheiro da Fonseca na Folha de SP. Indicação de Rodolfo Amstalden;
  • Série Seinfeld, disponível na Netflix. Indicação de Rodolfo Amstalden;
  • Newsletter Day One com Rodolfo Amstalden. Indicação de Felipe Miranda; 
  • Livro “Respire”, de Rickson Gracie. Indicação de Felipe Miranda; 
  • Livro “Think Again”, de Adam Grant. Indicação de Felipe Miranda; 
  • Fénix Renascida: A História dos Paralímpicos, no Netflix. Indicação de Felipe Miranda.