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Crypto Insights

SpaceX e Anthropic são negociadas na blockchain antes de seus IPOs: o mercado cripto quebra barreiras mais uma vez

Antes mesmo de chegarem à bolsa, SpaceX, Anthropic e OpenAI já são negociadas na Hyperliquid, permitindo que qualqluer investidor (não apenas institucional) tenha a chance de investir nessas empresas

Por Marcello Cestari

21 maio 2026, 15:22

Atualizado em 21 maio 2026, 16:24

blockchain, cripto, criptoativos, criptomoedas, IPO, SpaceX, Anthropic, OpenAI

(Imagem: iStock.com/basiczto)

Quem nunca usou VPN – ou algum macete parecido – para consumir algum filme pirata, que atire a primeira pedra. Especialmente lá em meados de 2013, quando saía aquele filme ou série nova, mas a opção legalizada mais próxima era um pacote de TV a cabo que custava caro.

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Então, o que muita gente sedenta por conteúdo fazia na época? Pagar por uma VPN, configurar para acessar algum país específico e assim, acessar uma biblioteca gigantesca de conteúdo. Moral da história: a internet permitia contornar as barreiras de acesso.

Tenho a impressão de que estamos vendo a mesma coisa acontecer agora, só que no setor financeiro.

Desta vez, o fator determinante é a regra do investidor credenciado

Segundo fontes próximas ao assunto, a SpaceX pretende abrir seu capital na Nasdaq em 12 de junho. O valuation estimado é de US$ 1,75 trilhão.

Wall Street ainda aguarda o prospecto. Contudo, na Hyperliquid, “ações” da SpaceX, com o código SPCX, já estão disponíveis, e sendo negociadas em torno de US$ 201 por ação.

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As empresas são negociadas na forma de perpétuos: basicamente, perpétuos são uma aposta no preço de algo, sem data de vencimento e sem necessidade de possuir o ativo subjacente.

Preço do perpétuo de SpaceX na Hyperliquid:

Fonte: TradingView

O preço-alvo divulgado para o IPO é de aproximadamente US$ 150, o que significa que o mercado on-chain está precificando um prêmio de cerca de 35% antes mesmo de qualquer corretora de varejo disponibilizar um botão de “compra” para as ações da SpaceX em seu site.

E o mesmo padrão está se repetindo em outros gigantes do setor privado: um exemplo disso é a Anthropic, que está sendo negociada na Hyperliquid a US$ 1.245, aumento considerável em relação aos cerca de US$ 500 em fevereiro. Isso representa uma valorização de aproximadamente 2,5 vezes em três meses.

Preço do perpétuo de Anthropic na Hyperliquid:

Fonte: TradingView

Além dessas duas empresas, temos também a OpenAI, que atualmente está sendo negociada na Hyperliquid por cerca de US$ 1.182, um aumento considerável em relação aos US$ 700 no início de fevereiro.

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A analogia com a VPN está começando a fazer sentido?

Dois dos laboratórios privados de IA mais valiosos do mundo (nenhum deles listado em bolsa) possuem mercados de descoberta de preços ao vivo, acessíveis a qualquer pessoa com uma carteira de criptomoedas em cerca de 90 segundos.

E a proliferação desse tipo de coisa será enorme!

Porque historicamente, para ter exposição às empresas privadas nos EUA, era necessário ser um “investidor credenciado” (patrimônio líquido acima de US$ 1 milhão ou renda acima de US$ 200 mil). Esse bloqueio impedia o acesso de aproximadamente 90% das residências americanas (e esqueça qualquer pessoa que tentasse obter exposição fora dos EUA).

Já a Hyperliquid não cobra. Você traz a carteira, você recebe o preço. Porém…

Você não está comprando ações reais da SpaceX. Na verdade, você está negociando um derivativo que acompanha uma avaliação divulgada, e o preço pode se desviar de qualquer valor de mercado privado “real”.

A liquidez também é menor do que parece. O número de contratos em aberto na SPCX gira em torno de US$ 33 milhões. O que é dinheiro de verdade, mas não o tipo de dinheiro que se vê em ações da Apple, por exemplo.

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Se as ações da SpaceX forem negociadas a US$ 150 no dia do IPO, todas as posições compradas a US$ 200 na Hyperliquid sofrerão uma perda.

(O mercado pode antecipar-se e também errar ao mesmo tempo.)

Mas o mais legal disso é que, pela primeira vez na história, qualquer um pode ter uma chance na SpaceX, OpenAI ou Anthropic – de forma semelhante a um investidor institucional.

A barreira passou de “ser rico e ter conexões” para “ter uma conexão com a internet”.

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Data a acompanhar: 12 de junho.

Se a SpaceX atingir um preço próximo à meta de US$ 200 da Hyperliquid, o mercado on-chain poderá afirmar que previu essa avaliação meses antes que o sistema financeiro tradicional tivesse a chance de fazê-lo.

Se o preço de emissão se aproximar dos cerca de US$ 150 divulgados, os investidores que apostam na alta on-chain sofrerão perdas, e as corretoras tradicionais manterão o direito de se gabar.

No fim do dia, o que importa é a tecnologia e a inovação na infraestrutura financeira.

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Variações semanais (13/05/26 a 20/05/26)

  • ₿ Bitcoin (BTC): US$ 77.167 | Var. -3,10%
  • ♦ Ethereum (ETH): US$ 2.117 | Var. -6,42%
  • 🟠 Dominância Bitcoin: 60,67% | Var. -0,3%
  • 🌐 Valor total do mercado cripto: US$ 2,55 tri | Var. -3,04%
  • 💵 Valor de mercado de stablecoins: US$ 321,952 bi | Var. -0,12%
  • 📊 Valor total travado (TVL) em DeFi: US$ 82,814 bi | Var +0,78%

*dados referentes ao fechamento em 20/05/26


Tópicos da semana

ETF Spot Hyperliquid (BHYP) na NYSE

– A Bitwise lançou, em 15 de maio, o ETF Spot Hyperliquid (ticker: BHYP) na NYSE, tornando-se o primeiro produto negociado em bolsa nos Estados Unidos baseado no token HYPE a incluir staking integrado.

O fundo cobra uma taxa de administração de 0,34%, que será reduzida para 0% durante o primeiro mês para os primeiros US$ 500 milhões em ativos.

Segundo Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, o HYPE deve ser visto como um token de “segunda geração” e avaliado não apenas como um ativo ligado a uma corretora de contratos perpétuos de criptomoedas, mas como a base de uma plataforma global de negociação. O token acumula valorização de 77% no ano e é apontado como o criptoativo de grande capitalização com melhor desempenho em 2026.

A Bitwise estima que a Hyperliquid gere entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão em receita anualizada. Enquanto isso, HYPE é negociado a múltiplos semelhantes aos de empresas como Robinhood e CME Group, impulsionado pelo fato de que 99% das taxas de negociação da plataforma são destinadas à recompra do próprio token.

Além disso, a Hyperliquid está expandindo sua atuação para além dos derivativos de criptomoedas, entrando em mercados como ações, commodities, câmbio e mercados de previsão, ampliando as fontes de receita que sustentam esse modelo de recompra.

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‘Canetada’ de Trump

Donald Trump assinou uma ordem executiva determinando que o Federal Reserve (Fed) e reguladores financeiros avaliem como empresas de criptomoedas e fintechs podem obter acesso a contas e serviços de pagamento do Fed. A medida inclui as chamadas master accounts, que permitem movimentar dinheiro diretamente pelos sistemas do banco central, como o Fedwire.

As agências terão três meses para revisar regras que possam limitar parcerias entre bancos e fintechs, e seis meses para implementar medidas que favoreçam a inovação financeira. A ordem também solicita que o Fed apresente um relatório sobre sua autoridade legal para ampliar esse acesso. Possíveis formas de expansão sujeitas a requisitos de gestão de risco e obstáculos que dificultam o acesso direto aos sistemas.

A iniciativa ganha força após a Kraken ter obtido, no início deste ano, acesso limitado a uma master account do Fed por meio de sua instituição financeira especializada em Wyoming, sinalizando avanços na integração do setor de criptoativos ao sistema financeiro tradicional.

‘Drex’ do Japão?

– O Partido Liberal Democrata (LDP) do Japão, por meio de um grupo de trabalho de políticas digitais liderado pelo parlamentar Seiji Kihara, propôs oficialmente que a Agência de Serviços Financeiros (FSA) desenvolva um plano estratégico de cinco anos para finanças on-chain e reconheça o setor como a 18ª área prioritária de investimento para o crescimento econômico do país.

A iniciativa reflete preocupações de que sistemas de pagamento estrangeiros possam reduzir a influência do iene na economia japonesa. O plano prevê o uso de stablecoins em pagamentos de salários, recolhimento de impostos, financiamento corporativo e transferências internacionais em ienes. Em pararelo, o Bank of Japan avalia depósitos bancários tokenizados e uma moeda digital de banco central (CBDC) voltada para operações entre instituições financeiras.

A proposta amplia um projeto-piloto aprovado pela FSA em novembro de 2025, no qual os bancos MUFG, SMBC e Mizuho começaram a testar a emissão de stablecoins. Além disso, o documento defende a criação de padrões asiáticos comuns para ativos tokenizados, procedimentos de identificação de clientes (KYC), combate à lavagem de dinheiro (AML) e financiamento ao terrorismo. Caso stablecoins em iene sejam lançadas em 2026, elas deverão ser emitidas por bancos e lastreadas por instituições financeiras, funcionando mais como depósitos tokenizados do que como tokens nativos do mercado de criptomoedas.


China em crise, a volta da hegemonia americana e a oportunidade brasileira

No último episódio do Crypto Never Sleeps, recebemos Walter Maciel, CEO da AZ Quest e uma das vozes mais influentes do buy side brasileiro. Em uma conversa sem filtro, falamos sobre macroeconomia, geopolítica, China, Estados Unidos, dólar, inflação, tokenização, stablecoins, Bitcoin e o futuro do Brasil.

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Assista ao episódio:

Aviso obrigatório
Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.

Analista de criptoativos na Empiricus Asset, responsável pela gestão dos fundos da casa focados em ativos digitais. Formado em Administração de Empresas pela FGV com mais de cinco anos de experiência no mercado financeiro, com atuação em research, alocação e execução de estratégias no universo cripto. Colunista no Money Times e apresentador do podcast Crypto Never Sleeps, onde entrevista os principais nomes do setor para discutir tendências, tecnologia e investimento em Web3.