Algodão-doce e roda-gigante

Quando criança, eu costumava sair com meu pai no sábado para ir às compras nas feiras da cidade. Só ele sabia escolher bem um peixe, […]

Algodão-doce e roda-gigante

Quando criança, eu costumava sair com meu pai no sábado para ir às compras nas feiras da cidade. Só ele sabia escolher bem um peixe, uma galinha caipira ou um carneiro de qualidade.

No meio do caminho, ele sempre me apontava coisas na rua e tentava me ensinar algo sobre a vida ou sobre o melhor jeito de vivê-la.

Como os ambientes eram feiras ao ar livre, sempre tinha alguns cachorros e gatos perambulando pelo local.

Então, certo dia aconteceu uma briga nem um pouco justa bem próximo da gente. Eram dois cachorros contra um.

Logo na sequência, veio se aproximando o quarto elemento da luta canina, e meu pai fez uma previsão.

“André, tá vendo esse cachorro que está chegando aí? Ele vai chegar só pra bater nesse que está apanhando já. Se chegar mais cinco cachorros aí, todos vão chegar pra bater nesse que tá sozinho.”

Posso ter perdido algum detalhe do que de fato aconteceu na época, mas o que ele me ensinou foi que, em uma briga, o lado mais fraco sempre vai ser amassado pelo mais forte e dificilmente vai conseguir ajuda.

Quando ouvi essa tese pela primeira vez, tive que concordar com a feição do meu pai, de o quanto os cachorros eram injustos e não tinham nenhum “fair play” com seus colegas caninos.

Hoje eu fico pensando que, diante de uma briga desvantajosa, como um três contra um, dificilmente entraria do lado que está perdendo. Na melhor das hipóteses, tentaria apartar.

Salvo, claro, se tiver uma forte empatia pelo lado em desvantagem.

Então, quando aquele seu amigo, vizinho ou parente começar a falar do seu péssimo investimento em 2018, em bitcoin, pode ter certeza de que ninguém vai ficar do seu lado.

O que vai acontecer é que quem chegar na conversa só vai amassar você.

Ou você acha que eu ouvi pouco dos meus colegas de faculdade sobre o terrível ano passado?

 

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Luciana Seabra mostra como lucrou (e ajudou os leitores a lucrarem) muito com ações sem precisar comprar ações. Ela ensina os assinantes da sua séria a investirem da mesma forma que os maiores investidores profissionais do mercado financeiro. E tudo depende de uma simples atitude, que pode te mostrar esse novo mundo de rentabilidade em menos de 24 horas. Veja aqui o recado que ela gravou.
 

Todos aqueles que ficaram céticos no ano de 2017 quanto aos ganhos em cripto tiveram suas almas lavadas no ano seguinte com o banho de sangue.

É aquele investidor-torcedor que muita gente conhece. Ele compra uma ação, por exemplo, e torce para ela subir. Da mesma forma, quando ele vende um ativo, torce pela queda.

Tudo isso para provar que o próprio ponto e timing estavam corretíssimos e ele tomou a melhor decisão.

Esses são os mesmos que veem a corrida dos investimentos como 100 metros rasos, e não uma maratona.

Não é preciso acertar cada passada que você der nem contar quantas passadas são necessárias para chegar até o fim de uma maratona. Nela, o que importa é manter o ritmo.

E, falando do preço em si, o bitcoin não conseguiu sustentar os 4.000 dólares e já negocia abaixo dos 3.800 dólares.

O mercado segue ansioso para ver como vai ser o lançamento da Bakkt, que está engatilhada e nos preparativos finais.

Muito dinheiro já foi levantado para o lançamento dessa iniciativa, e a expectativa em relação ao barulho que ele pode fazer no mercado institucional é muito grande.

E, só para colocarmos as expectativas no lugar delas, a Bakkt tem que ser algo tedioso e chato, e não acompanhar todo o hype de cripto, pois é o que falta no mercado.

Isso porque os investidores institucionais não vão ao parque de diversões para andar de montanha-russa. Eles são aqueles que comem algodão-doce e andam, no máximo, de roda-gigante.

Aquele abraço,

André Franco