Imagem: Canva
Em seus Insights Assimétricos, Matheus escreveu ontem no Seu Dinheiro sobre as lições que a eleição colombiana pode trazer para o contexto brasileiro.
A virada do pêndulo político na América do Sul rumo a governos mais disciplinados fiscalmente parece ter contagiado também a Colômbia, com prontas respostas via apreciação cambial e valorização dos ativos de risco.
Isso explica por que o MSCI Colombia (linha preta) descolou do EWZ (linha azul) no último mês, e pode continuar outperformando em caso de vitória de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda.

Embora especialmente valiosa por ser próxima e sintomática, a experiência colombiana não é a única a nos ensinar que não dependemos de milagres.
Dentro dos BRICS originais, o melhor momentum atual está com a África do Sul e sua exemplar conduta fiscal.
Rodando a um superávit primário de 1,1% do PIB – acima da expectativa de 0,9% – o governo sul-africano fez a dívida bruta se estabilizar rapidamente abaixo de 80% do PIB, e já apontando para uma nova convergência rumo aos 70%.
A “mágica” foi executada sem grandes sacrifícios, combinando algum aumento de arrecadação com cortes de despesas supérfluas. E deve se traduzir em menores taxas de juros, acompanhadas por uma futura obtenção do investment grade.
Analogamente, a Argentina chega forte para a Copa com sua nova combinação de superávits gêmeos na conta corrente e no fiscal, enquanto o Brasil ocupa, de longe, a pior posição do ranking.

Estamos falando de Argentina, Colômbia e África do Sul, não de Suíça. Os comparativos são próximos e factíveis, estão ao nosso alcance técnico, político e social.
Sem exagero, o potencial de melhora desses ciclos virtuosos é avassalador. Basta não se iludir com os ímpares e copiar os pares exemplares.