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Day One

Pares exemplares

A virada do pêndulo político na América do Sul rumo a governos mais disciplinados fiscalmente parece ter contagiado também a Colômbia.

Por Rodolfo Amstalden

03 jun 2026, 13:00

Imagem: Canva

Em seus Insights Assimétricos, Matheus escreveu ontem no Seu Dinheiro sobre as lições que a eleição colombiana pode trazer para o contexto brasileiro.

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A virada do pêndulo político na América do Sul rumo a governos mais disciplinados fiscalmente parece ter contagiado também a Colômbia, com prontas respostas via apreciação cambial e valorização dos ativos de risco.

Isso explica por que o MSCI Colombia (linha preta) descolou do EWZ (linha azul) no último mês, e pode continuar outperformando em caso de vitória de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda.

Embora especialmente valiosa por ser próxima e sintomática, a experiência colombiana não é a única a nos ensinar que não dependemos de milagres.

Dentro dos BRICS originais, o melhor momentum atual está com a África do Sul e sua exemplar conduta fiscal.

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Rodando a um superávit primário de 1,1% do PIB – acima da expectativa de 0,9% – o governo sul-africano fez a dívida bruta se estabilizar rapidamente abaixo de 80% do PIB, e já apontando para uma nova convergência rumo aos 70%.

A “mágica” foi executada sem grandes sacrifícios, combinando algum aumento de arrecadação com cortes de despesas supérfluas. E deve se traduzir em menores taxas de juros, acompanhadas por uma futura obtenção do investment grade.

Analogamente, a Argentina chega forte para a Copa com sua nova combinação de superávits gêmeos na conta corrente e no fiscal, enquanto o Brasil ocupa, de longe, a pior posição do ranking.

Estamos falando de Argentina, Colômbia e África do Sul, não de Suíça. Os comparativos são próximos e factíveis, estão ao nosso alcance técnico, político e social.  

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Sem exagero, o potencial de melhora desses ciclos virtuosos é avassalador. Basta não se iludir com os ímpares e copiar os pares exemplares.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.