(Imagem: ChatGPT)
Junho começou trazendo mais dúvidas do que certezas para os investidores. Depois de um primeiro trimestre marcado pelo forte desempenho dos ativos brasileiros, maio foi um mês de correção.
O fluxo estrangeiro perdeu força, as expectativas para os juros mudaram e os conflitos no Oriente Médio adicionaram uma nova camada de preocupação aos mercados globais.
Ao mesmo tempo, o mercado de criptomoedas também atravessa um período desafiador. O bitcoin acumula meses de fraqueza em 2026, enquanto investidores tentam entender se a queda recente representa apenas uma correção dentro do ciclo ou algo mais estrutural.
Esses foram alguns dos temas debatidos por Matheus Spiess, estrategista macroeconômico da Empiricus Research, e Valter Rebelo, especialista em criptomoedas, no novo episódio do Empiricus Podca$t, apresentado pela jornalista Paula Comassetto.
Ao longo da conversa, os analistas mostraram que, embora pareçam mercados completamente diferentes, Brasil e criptomoedas vêm reagindo às mesmas variáveis:
- Juros globais;
- Liquidez;
- Inflação; e
- Apetite por risco.
O que mudou para Brasil e criptomoedas nos últimos meses?
Segundo Matheus Spiess, a correção observada nos ativos brasileiros não pode ser analisada isoladamente. Na visão do estrategista, o movimento está diretamente ligado às mudanças no cenário global.
“O mercado brasileiro vivendo uma reversão da tendência que observou no primeiro bimestre do ano. Essa reversão não é isolada de um contexto estrangeiro; pelo contrário, está completamente relacionada com o que está acontecendo no mundo”, afirmou.
Entre os fatores que mudaram a percepção dos investidores estão a deterioração das expectativas de inflação, o choque energético provocado pelo conflito no Oriente Médio e a consequente pressão sobre os juros ao redor do mundo. Para Matheus, esse ambiente reduziu significativamente o espaço para cortes de juros tanto no Brasil quanto em outras economias relevantes.
Já no universo cripto, Valter Rebelo destacou que o mercado vive um momento diferente daquele observado nos ciclos anteriores. Assim, em sua avaliação, o contexto macroeconômico passou a exercer influência muito maior sobre o desempenho dos ativos digitais.
“O mercado está o tempo todo precificando dois riscos: o risco de crescimento e o risco de inflação”, explicou o analista. “O bitcoin é muito mais sensível a esse contexto macroeconômico e de liquidez do que muita gente imagina.”
Como navegar um cenário cheio de ruídos?
Se existe uma mensagem comum nas análises dos dois especialistas, ela é a necessidade de separar ruído de fundamento.
Em meio a guerra, tarifas comerciais, discussões sobre juros e mudanças geopolíticas, Matheus acredita que o investidor deve evitar decisões impulsivas e focar na qualidade dos ativos.
“A gente tem vivido um mundo de excesso de ruídos e isso é muito prejudicial para tomar decisões”, alertou.
Já para Valter, a era em que praticamente qualquer criptomoeda subia ficou para trás. Agora, a seleção dos ativos e a disciplina na gestão da carteira se tornaram ainda mais importantes.
Esses foram apenas alguns dos destaques do episódio. Contudo, ao longo da conversa, os analistas também discutiram o futuro dos juros nos Estados Unidos, o impacto das novas tarifas comerciais de Donald Trump, sobre os mercados, o que esperar para Brasil e criptomoedas e como o investidor deve se posicionar em junho.
Para assistir à análise completa de Matheus Spiess e Valter Rebelo, basta dar o play no vídeo abaixo para novo episódio do Empiricus Podca$t: