Mensageiros do apocalipse

Martin Luther era um padre e teólogo alemão que previu, uma vez, que o mundo terminaria no máximo até o ano de 1600. Ele estava […]

Martin Luther era um padre e teólogo alemão que previu, uma vez, que o mundo terminaria no máximo até o ano de 1600.

Ele estava errado.

John Napier era um matemático. Ele tinha grandes objetivos predicativos. E, de acordo com seus cálculos do “Livro do Apocalipse”, o mundo estava previsto para terminar no ano de 1688.

Ele também estava errado.

Leland Jensen disse que em 29 de abril de 1986 o cometa Halley iria atingir a Terra, acabando com o mundo como o conhecemos.

Como você acha que isso se desenrolou?

Grigori Rasputin havia previsto, no início do século 20, que o mundo iria queimar em 23 de agosto de 2013.

O mundo vai acabar, o céu vai cair, as pessoas vão morrer e as coisas vão ficar ruins, já cansamos de ouvir isso.

Até agora, qualquer um que tenha previsto o fim do mundo em toda a história da humanidade tem uma taxa de sucesso de 0 por cento.

Mesmo assim, esse tipo de tese atrai a atenção de todos em qualquer momento da história, basicamente por dois motivos.

O primeiro é que o ser humano, em seus instintos, é basicamente um homem das cavernas, que foi criado com medo e, por isso, conseguiu sobreviver a ataques de animais selvagens e seus inimigos, perpetuando seu gene pelo mundo.

Por isso, qualquer coisa que nos gere medo, pega nossa atenção.

O outro motivo é que mensageiros consistentes chamam bem mais nossa atenção do que os que têm dúvidas dos seus vereditos.

Aquele cara na roda de amigos, que fala que tem certeza que uma próxima crise mundial se aproxima, mesmo sem possuir dados ou mostrar gatilhos para que isso aconteça, chama mais atenção que o outro que tem dúvidas sobre o futuro.

E, com esses dois elementos, os previsores do apocalipse ficam com o microfone nas mãos e alardeiam suas teses.

No entanto, o futuro sempre será opaco e o previsor com mais dúvidas tem mais chances de chegar a algum lugar mais certo do que aquele irracionalmente convicto.

A história só parece linear porque é contada depois do fato, mas a verdade é que existem múltiplos caminhos que ela poderia ter tomado no passado, os quais ignoramos.

Depois que aconteceu todos conseguem explicar que era óbvio que iria ocorrer.

Basta imaginar a história do mundo, como a Guerra Fria entre EUA e União Soviética. Naquele momento, qualquer cavaleiro do apocalipse poderia prever o fim do mundo facilmente.

Mas, como todos sabem, nenhuma das potências fez o primeiro ataque e o que ocorreu foi, de fato, um não evento, ou uma não guerra.

Hoje vivemos um período parecido com as criptomoedas: enquanto alguns têm a absoluta certeza de que esse experimento fará ainda mais milionários, outros acham apenas uma idiotice humana generalizada.

Ainda me considero do lado long do bitcoin e cripto, mas nem por isso descarto a possibilidade de estar errado.

Como falei, as dúvidas é que vão fazê-lo tomar as melhores decisões, porque fazem você ter medo de estar errado.

Com as criptomoedas, a sua defesa são os 5 por cento, no máximo, do seu patrimônio investido nessa tecnologia.

Não tenha medo de ter dúvidas; tenha medo da sua confiança exagerada. Isso serve para todo o seu portfólio de investimentos.

E, falando exclusivamente de criptoativos, ou melhor, do bitcoin, ainda negociamos abaixo dos US$ 3.800 e sem gatilhos de curto prazo para alavancar o preço.

As equipes de desenvolvimento por trás de cada projeto ainda seguem sofrendo com o preço do ether e algumas já utilizam parte do seu caixa para fazer trade em cripto e conseguir sobreviver no mercado.

Faltaram CFOs nesses projetos no ano passado e continuam faltando hoje.

Aquele abraço,

André Franco

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