Um frango com múltiplos corações

Em um churrasco: Cara 1: – Rapaz, tu já prestou atenção no tanto de coração de frango que vem nesse pacote comparado com o preço que […]

Em um churrasco:

Cara 1: – Rapaz, tu já prestou atenção no tanto de coração de frango que vem nesse pacote comparado com o preço que é?

Cara 1: – Dez reais é muito pouco por isso tudo de coração. Imagina aí, cada coração desse é um frango. Como que pode isso? Devia ser a parte mais cara do frango e é a mais barata.

Cara 2: – E tu acha que esses frangos transgênicos só têm um coração cada um? Cada frango desse tem três corações, cara!

Cara 3: – Três? Tu tá é doido. Cada frango tem no mínimo 10.

Cara 4: – Rapaz, vocês tão viajando. Esses frango de granja, esses “maiozão”, tem cada um 20 coração.

Cara 1: – Não fala besteira, rapaz. Onde tu acha que tem frango? Hoje, nessas granja, o cara cria só um coração grande com vários corações pequenos dentro.

Essa situação aconteceu em um churrasco com meus amigos no Maranhão e foi muito engraçada na hora.

No entanto, apesar de não comprar a história do frango transgênico de 20 corações, ou a do granjeiro de 50 corações, eu não sabia responder por que um espetinho de coração é mais barato do que um espeto de peito de frango.

Depois, descobri que, com um total de 25 bilhões de galinhas no mundo, temos em média três corações para cada pessoa.

Além disso, o nosso país exporta 30 por cento da produção de frango, mas em sua maioria são cortes que não incluem o coraçãozinho. Por isso temos uma grande oferta dessa iguaria no Brasil.

Por outro lado, a tese dos meus amigos era mais palatável em um churrasco.

Mas que diabos uma newsletter de cripto está falando de frango?


Leitura recomendada

Luciana Seabra mostra como lucrou (e ajudou os leitores a lucrarem) muito com ações sem precisar comprar ações. Ela ensina os assinantes da sua séria a investirem da mesma forma que os maiores investidores profissionais do mercado financeiro. E tudo depende de uma simples atitude, que pode te mostrar esse novo mundo de rentabilidade em menos de 24 horas. Veja aqui o recado que ela gravou.


Primeiro, porque hoje é sexta-feira, e o churrasco do fim de semana tá logo ali.

Segundo, porque quero mostrar que a falta de algumas premissas básicas para a construção de uma tese te leva a discutir o melhor caminho em um mapa errado.

E isso tem a ver com cripto, pois diariamente vemos algumas narrativas sendo criadas ex-post e, por se encaixarem muito bem, são lidas como verdade.

Depois que a SEC (a CVM americana) declarou que ficaria paralisada por algumas semanas, houve aqueles que verbalizaram a possibilidade de o ETF de bitcoin ser aprovado simplesmente porque o prazo de decisão do órgão chegaria ao fim.

Pelo regimento da SEC, um pedido desse tem que ser decidido em até 240 dias. Caso o órgão não dê uma resposta negativa dentro desse prazo, ao final, o pedido será automaticamente aprovado.

Logo, para aqueles mais otimistas, com a SEC paralisada, o pedido seria aprovado ao fim do período.

A narrativa é linda, mas o regulador não deixaria uma decisão tão importante ser aprovada por esse motivo.

Então, o pedido da CBOE de ETF de bitcoin é retirado e os mais otimistas falam que isso é bom.

Bom não foi, mas foi o “menos pior”, porque, logo na sequência, a mesma proponente colocou o pedido nas mãos do regulador e adiou em até 240 dias a nova decisão.

É, meu parça, ETF de bitcoin só no fim do ano agora. Pode até ser que saia antes, mas o mais provável é termos mais uma longa temporada da mesma série do ano passado.

Voltando à nossa tese do mapa errado: as premissas que assumimos ajudam a delinear o formato do nosso mapa. Se estas estiverem erradas, estaremos discutindo um caminho errado que com certeza irá nos levar ao… erro.

Por isso, o primordial aqui é gastar muito tempo nas premissas, sempre que possível revê-las e, claro, contestá-las.

Só assim teremos mais chances de ter um mapa certo nas mãos.

Aquele abraço,

André Franco

Inscreva-se em nossa newsletter