Big Cheddar

O mercado de capitais americano é tão dinâmico que permite que uma empresa seja não só viável, mas também bem-sucedida, focada exclusivamente em finanças para o público de 30 anos ou menos.

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Big Cheddar

Cumpro agora a segunda parte das minhas férias, mais uma vez nos Estados Unidos.

Escrevo de Nova York, a gigante que foi minha casa por cinco anos na década de 1990, entre meu MBA na Columbia e meus anos de trabalho no escritório do banco francês Paribas aqui na Big Apple.

Fomos recepcionados na pista do Aeroporto LaGuardia pelo jato customizado de Donald Trump, talvez a melhor encarnação do espírito abrasivo desta cidade.

Aproveitei também para provar, pela primeira vez, uma estada oferecida na plataforma da Airbnb – provado e aprovado. Pudemos ter aquele gostinho do que é ser um morador local, com o Empire State Building nos inspirando.

Meu companheiro de viagem

Programação intensa com a criançada. Central Park, Metropolitan, Museu de História Natural, MoMA, Times Square. Na agenda, tivemos ainda o musical do Bob Esponja e, hoje, vamos fazer a alegria da Isabella e da Valentina assistindo ao show da “teen idol” Taylor Swift (o pai se sobrepõe tranquilamente ao roqueiro amante de heavy metal) no MetLife Stadium.

Consegui, porém, encaixar um compromisso de trabalho e aceitei um convite para visitar a sede da Cheddar, uma emissora “post-cable” de notícias financeiras fundada por Jon Steinberg (ex-presidente e ex-COO do site BuzzFeed). Jon me recebeu nos descolados escritórios da State Street, do ladinho de Wall Street.

Focada nos millennials, a Cheddar atinge sua audiência por meio de dezenas de plataformas diferentes – por isso o título de “post-cable”. Além dos tradicionais YouTube, Facebook e Twitter, a Cheddar chegou aos seus jovens seguidores através de canais de streaming como Hulu, Sling, Philo, Twitch, Amazon Prime, TuneIn e por aí vai.

A empresa tem estúdios dentro da New York Stock Exchange e da Casa Branca, de onde transmite dez horas de programação diária ao vivo.

Para alguém que trabalha com mídia e com temas de investimentos, conhecer uma empresa dessa natureza é de morrer de inveja, em vários níveis.

Note o quão dinâmico é o mercado de capitais americano para permitir que uma empresa seja não só viável, mas também bem-sucedida, focada exclusivamente em finanças para o público de 30 anos ou menos. E capaz de produzir conteúdos e entrevistas exclusivas para preencher uma grade diária de programação.

Também não pude deixar de me impressionar com as mais de duas dezenas de plataformas para distribuição de conteúdo que a Cheddar usa para difundir sua programação.

Enquanto isso, seguimos na contramão da informação financeira. A Bloomberg fechou sua programação brasileira alguns anos atrás. Agora foi a vez de a Globo cancelar seu único programa especializado no assunto, o “Conta Corrente”.

Veja, aqui nos Estados Unidos, a Cheddar é uma alternativa jovem à CNBC que, por sua vez, segundo Jon Steinberg, “it’s for people like you, Caio”. No Brasil, porém, não temos nada. Nem para “pessoas como eu”, nem para ninguém.

E ninguém importante parece muito preocupado com isso.

Na Acta, porém, temos um projeto que pode finalmente preencher esse vácuo. Ainda não posso divulgá-lo, mas a ideia, em termos gerais, é trazer notícias financeiras para o grande público, em texto e vídeo. Em breve, terei novidades.

Para finalizar, me inspiro em Nova York e seu espetacular skyline de arranha-céus para convidá-lo a conhecer uma fórmula de investir em imóveis ganhando dinheiro já na compra. Até o Trump quer saber mais a respeito.