Brasília vs. Brasil

Há uma tese de que o isolamento geográfico de Brasília seja uma das causas da desconexão entre o Planalto Central e o que acontece no […]

Compartilhe:
Brasília vs. Brasil

Há uma tese de que o isolamento geográfico de Brasília seja uma das causas da desconexão entre o Planalto Central e o que acontece no resto do país.

Sua criação artificial e sua arquitetura elaborada para enaltecer o poder central, saída da cabeça do comunista Oscar Niemeyer, faz com que a nossa capital seja o berço ideal para a proliferação de burocratas e asseclas.

Será que esses seres nocivos prosperariam da mesma forma exuberante em ambientes menos acolhedores?

Mais expostos à pressão popular, teriam nossos líderes mais pudor ao conduzir seus planos e tramoias, evitando assim constrangimentos e embaraços na sua vida cotidiana?

É impossível fazer testes científicos em fenômenos sociais. No caso, não há como ter dois “Brasis” paralelos, um com a capital atual e outro onde a sede do governo federal estivesse localizada em uma grande metrópole como São Paulo, por exemplo. Nesse caso, poderíamos comparar o desenvolvimento de cada cenário e, assim, comprovar (ou não) a tese de que um maior controle popular sobre a burocracia beneficiaria o progresso do país como um todo.

E mesmo se fosse viável realizar um teste como esse – e fosse apoiada a tese de que o isolamento é nocivo –, teríamos chances nulas de mudança, pois seria justamente contra os interesses dos que decidem.

Dada a realidade apresentada, fico com a impressão de que, nos últimos meses, Brasília não está mais isolada. Está em outra dimensão espacial. E de lá, joga contra o restante do país.

editorial do “Estadão” dessa sexta, dia 29, revela o tamanho da traição. Mostra o saque aos cofres públicos que os congressistas estão perpetrando, aproveitando a fraqueza do Executivo e a distração do país com a Copa e as festas de junho.

Bilhões em benefícios, na forma de renúncias fiscais, estão sendo concedidos a grupos de interesse.

Dane-se a periclitante situação fiscal das contas públicas e o risco que isso traz à recuperação econômica do país. A essa gente pouco importa o que vai acontecer no futuro, desde que estejam devidamente eleitos e agradando a quem lhes convém.

Se o Legislativo está aprontando conosco, o que dizer da mais alta corte do Judiciário?

O STF, defensor da Constituição e da segurança jurídica, perdeu a vergonha. Ministros soltam bandidos condenados, revelando para quem realmente trabalham.

Não contentes com isso, agora resolveram atacar em conjunto os magros avanços realizados pelo governo Temer. A reforma trabalhista e o programa de privatizações estão sendo seriamente ameaçados. E o teto dos gastos pode ser revisto em seguida.

Já o Executivo acabou naquele “Joesley Day” de maio de 2017. Desde então, Michel Temer e sua turma só fazem se esquivar das graves denúncias que lhes são imputadas.

Estamos, portanto, à mercê desses gângsteres instalados no Distrito Federal.

Inconformado com os últimos acontecimentos, o Felipe revisitou sua tese do Fim do Brasil. É fundamental sua leitura.