Ganha-Ganha

Na semana retrasada, contei neste espaço quem está por trás da Empiricus. A Acta Holding é a sociedade entre um grupo de brasileiros, dentre os quais […]

Compartilhe:
Ganha-Ganha

Na semana retrasada, contei neste espaço quem está por trás da Empiricus.

A Acta Holding é a sociedade entre um grupo de brasileiros, dentre os quais este que vos escreve, e a Agora Group, uma sociedade norte-americana de mídia dona de dezenas de publicadoras de newsletters ao redor do mundo.

Nos Estados Unidos, onde o grupo tem a sua principal atuação, destacam-se empresas como Stansberry ResearchMoney Map PressBanyan HillBonner & Partners e Agora Financial. Com esta última, inclusive, estamos trabalhando em um projeto para trazer ideias de investimento no mercado americano para os investidores brasileiros, com conteúdos 100% traduzidos em português, mas produzidos pelos especialistas de lá. Em breve, teremos mais detalhes.

A Agora Group é uma criação da mente extraordinária de Bill Bonner, que começou o negócio cerca de 40 anos atrás. A primeira publicação chamava-se “International Living” e desde 1979 (a newsletter existe até hoje!) orienta aposentados americanos na escolha de um país tropical onde pudessem fixar residência e aproveitar sua merecida folga, em dólares, desfrutando de temperaturas mais agradáveis.

Além de fundador e principal sócio do grupo, Bill Bonner segue na ativa, escrevendo sua newsletter diária “Bill Bonner’s Diary”. Se você ainda não o fez, recomendo fortemente que se cadastre para receber esta que é simplesmente a melhor newsletter sobre economia e finanças internacionais. E é completamente gratuita.


Visitando Bill em Baltimore (dezembro 2017)

Nela, Bill mostra-se um cético do atual arranjo financeiro mundial. Questiona o artificialismo das políticas monetárias dos bancos centrais, segundo ele sequestrados por poderosos grupos de interesse. Wall Street, empresas multinacionais e organismos políticos concentram seus esforços para garantir que a engrenagem não pare de girar.

A leitura é leve, divertida e, acima de tudo, inspiradora. Bill é um entusiasmado defensor do indivíduo, cada vez mais negligenciado nos tempos atuais.

Ao mesmo tempo, critica duramente o que ele chama de “crony capitalism”, o equivalente ianque ao nosso capitalismo de compadrio. Claro que lá tudo é mais sofisticado e sutil quando comparado aos gângsteres brasileiros, porém, as consequências de longo prazo à economia americana também são graves.

Recentemente, vem se concentrando no tema dos “win-win deals”, ou “negócios ganha-ganha”. Segundo ele, os melhores acordos, com permanência no longo prazo, são aqueles que criam valor para ambas as partes. Isso vale para as relações pessoais, comerciais e institucionais.

O casamento é defendido por Bill Bonner como um exemplo de “ganha-ganha”. Marido, mulher, filhos e mesmo a sociedade se beneficiam da estabilidade e da estrutura criadas pelo núcleo familiar. Lamentavelmente, políticas públicas americanas que se iniciaram com a boa intenção de apoiar mães solteiras incentivaram a desintegração das famílias.

Relações de trabalho também devem ser “ganha-ganha”, para o bem do funcionário e das empresas. A nossa decrépita CLT distorce isso, comprometendo negócios e inviabilizando projetos. Perdem empresários e trabalhadores; ganham sindicatos e advogados trabalhistas.

Empresas que não entregam valor aos seus consumidores não prosperam. Podem até se aproveitar de alguma oportunidade, mas, no longo prazo, só progridem aqueles que são percebidos como virtuosos por seus clientes.

Pense agora. Olhe à sua volta e procure identificar onde estão as suas relações “ganha-ganha”. Definitivamente não a encontrará na sua condição de cidadão e no trato com o Estado. Você paga impostos e recebe muito pouco em troca. E o Estado é uma ficção. Os verdadeiros beneficiados são aqueles montados na máquina estatal. E nem estou falando do funcionalismo público, composto em sua maioria por indivíduos dedicados e zelosos. Falo dos “comparsas”, os sanguessugas empenhados lícita e ilicitamente em transferir para os seus bolsos a riqueza arrecadada de todos os cidadãos brasileiros.

Olhando para a frente, somente uma sociedade com indivíduos livres e independentes oferece condições para a proliferação de acordos do tipo “ganha-ganha”. A política tradicional é justamente o oposto, pois coloca os interesses de grupos em detrimento do indivíduo. É o clássico “ganha-perde”, em que sempre estamos do lado mais fraco da corda.

A desilusão com o establishment político, justificada pela natureza perversa da relação acima descrita, cria espaço aos outsiders que se posicionam como alternativa ao que vem se apresentando há tanto tempo. Trump, Macron e os italianos do 5 Estrelas são exemplos bem distintos do mesmo fenômeno.

Aqui no Brasil, o início da Copa deu uma distraída, mas as eleições estão chegando. Ao ouvir as propostas dos candidatos, lembre-se dos negócios do tipo “ganha-ganha”. Vai ser difícil encontrá-los…