O discurso do presidente

Neste fim de semana, começou o horário eleitoral no rádio e na TV. Antes disso, vimos os principais candidatos sendo entrevistados ao vivo no Jornal […]

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O discurso do presidente

Neste fim de semana, começou o horário eleitoral no rádio e na TV.

Antes disso, vimos os principais candidatos sendo entrevistados ao vivo no Jornal Nacional, da TV Globo.

Com o início oficial da campanha eleitoral, estaremos expostos a doses cavalares de políticos. Eu já estou preparado com o Engov no bolso para evitar transtornos desagradáveis.

Nesses primeiros dias de náusea, não consegui tirar da cabeça o brilhante neurologista e escritor Oliver Sacks, falecido em 2015.

Em sua obra-prima, “O Homem que Confundiu sua Mulher com Um Chapéu”, o autor britânico escreve sobre uma série de condições e distúrbios neurológicos, apresentando casos que nos auxiliam a compreender o funcionamento do cérebro humano.

O capítulo que destaco é “O discurso do Presidente”. Nele, Sacks descreve o “rugido de gargalhadas” que ouviu de uma ala do hospital que abrigava pacientes afásicos no momento em que assistiam a um pronunciamento televisivo do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.

Afasia compreende uma colação de distúrbios de linguagem normalmente caracterizados por uma dificuldade severa de entender as palavras.

“Alguns pareciam desconcertados, alguns pareciam indignados, um ou dois pareciam apreensivos, mas a maioria parecia se divertir”, escreveu Sacks.

“Como os pacientes de afasia não estavam distraídos com a retórica e teatralidade do discurso de Reagan, informações não verbais sutis que iludiram a maioria de seus ouvintes foram particularmente percebidas pelos afásicos. Assim, o sentimento que às vezes tenho é de que não se pode mentir a um afásico”, completou.

Em suma, os pacientes com afasia percebiam as contradições na fala de Reagan e viam claramente a desconexão entre o discurso verbal e o não verbal. Em outras palavras, viam que Reagan mentia e divertiam-se com a farsa.

Talvez estejamos todos desenvolvendo alguns traços de afasia, porém, cada vez mais se põe em xeque as formas tradicionais de “enrolar” a audiência.

Existe uma busca crescente por autenticidade na comunicação. Em contrapartida, estamos descrentes e desiludidos com as instituições tradicionais. Governos, partidos, grandes empresas – principalmente as de comunicação –, são recebidos com desconfiança ou até repúdio.

Fico imaginando a reação de portadores de afasia ao serem expostos ao discurso politicamente correto que contamina qualquer debate de ideias hoje em dia. Ninguém mais pode dizer o que pensa sem ser rotulado e descartado.

Fenômenos como Trump e Bolsonaro exemplificam uma reação ao discurso padrão vigente.

Sei que vou levar pedrada aqui, mas considero a posição do candidato do PSL sobre a remuneração das mulheres correta. A tese da diferença salarial não para em pé estatisticamente, afinal, comparam-se médias entre populações de distribuição diferentes.

O psicólogo canadense Jordan Peterson, sensação atual na lista dos autores mais vendidos nos Estados Unidos, tem chocado os politicamente corretos quando afirma que diferenças na média da remuneração entre homens e mulheres estão baseadas em traços de personalidade de cada gênero e suas respectivas escolhas profissionais.

Em resumo, homens são (na média) mais agressivos, e tal característica ajuda a explicar uma proporção maior de homens em postos de comando de empresas. A contrapartida é também uma participação masculina desproporcional na população carcerária.

Tratar de diferenças nas naturezas entre gêneros é ofender o discurso aceitável. Prega a cartilha política tradicional que Bolsonaro deveria amenizar sua posição, acenando com promessas óbvias de implementar políticas para reduzir a diferença da remuneração entre os sexos. Prefere, porém, manter posição firme de que o mercado deve se ajustar e que já existe lei para isso.

Em um nível mais simplista, parece um erro político. Entretanto, o capitão da reserva demonstra uma enorme sintonia com a demanda crescente por autenticidade na comunicação.

A linguagem direta tem se mostrado uma ferramenta efetiva para impactar os leitores, com o risco de ofender certas sensibilidades.

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