O jogo só acaba quando termina

“So many tears I’ve cried So much pain inside But baby it ain’t over ‘til it’s over So many years we’ve tried To keep our […]

O jogo só acaba quando termina

“So many tears I’ve cried
So much pain inside
But baby it ain’t over ‘til it’s over
So many years we’ve tried
To keep our love alive
But baby it ain’t over ‘til it’s over”

Lenny Kravitz

Pode-se dizer que o placar final de maio não reflete o que foi o jogo.

Tanto nos mercados como no noticiário político, foi um mês de movimentos dramáticos, mas, ao final, terminamos empatados.

E, apesar do empate, o jogo foi movimentado, com ambos os times (touros e ursos) criando chances e marcando gols. Ninguém pode reclamar de tédio ou de passes laterais.

Aqui vai meu comentário pós-jogo.

Jair Bolsonaro segue com seu estilo “chaotic good”. Como somente nerds entenderão, explico. O seu governo é uma bagunça, mas as intenções são boas. Muita frustração no começo, mas entendo que há avanços importantes que só serão percebidos no longo prazo. O protesto a favor do dia 26 de maio foi histórico.

O mês foi de grande calor para o presidente, com ênfase no aspecto caótico de sua administração. Olavo de Carvalho e Carluxo de um lado e militares do outro garantiram um tiroteio pesado de fogo amigo. Teve até comparação com Jânio Quadros. Mas no final, daquele jeito que nos acostumamos a ver nos filmes blockbuster, o herói salvou a mocinha. A reunião com os líderes dos três Poderes nesta semana foi uma baita demonstração de força.

Reforma da Previdência passa e passa grande. Haverá pouca desidratação na proposta do governo e o placar deve ser folgado. Se você desligar o noticiário e observar em perspectiva, notará que a tramitação no Congresso está passando como faca quente na manteiga. A esquerda está morta e nem o Mês do Trabalhador motivou uma mobilização maior.

Como presidente de um grupo editorial, com um modelo novo e disruptivo, tenho ido muito a Brasília — mais do que gostaria e menos do que deveria, devo admitir. Nada contra a cidade, que me é muito agradável, por sinal. A cada chegada minha no aeroporto, noto menos gente protestando contra a reforma da Previdência. No meu último desembarque, nesta semana, não encontrei uma simples alma defendendo os “direitos dos trabalhadores”. Tal evidência vale mais do que mil horas de comentários dos especialistas da GloboNews.

Lá fora, Trump segue bagunçando as cartas. A guerra comercial com a China domina o noticiário e tira o foco do que realmente importa, que é a fragilidade da economia americana. A curva de juros invertida (juros longos abaixo dos curtos) aponta a chegada de uma recessão, fazendo com que o sonho do MAGA (Make America Great Again) fique cada vez mais distante. Não parece ser coincidência então que maio tenha sido o pior mês do ano para as Bolsas americanas. O Felipe acha que está nos EUA o principal risco para os próximos meses, e eu concordo com ele.

Por falar em Estados Unidos, e apesar do cenário preocupante, o dólar assustou em maio. A moeda americana fechou o mês um pouco mais comportada depois do pânico do dia 17. Converso com gente que entende de câmbio — talvez o tema mais complexo do mercado financeiro — e a maioria afirma que o dólar está fora do lugar, sustentado por fatores técnicos que serão revertidos nos próximos meses. Até lá, melhor focar nos planos de férias de meio de ano aqui mesmo neste Brasilzão de meu Deus.

Ainda sobre o dólar, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, anunciou nesta semana planos ambiciosos para liberar o câmbio e transformar o real numa moeda verdadeiramente conversível. Em um futuro não tão distante, poderemos ter conta em dólar aqui no Brasil. Para quem viveu nos anos 80, com moratória e dólar black, isso seria absolutamente revolucionário.

Por fim, e o bitcoin, hein? Maio marcou o renascimento do ativo digital, flertando com a cotação de 9 mil dólares. Quem não fraquejou e não vendeu barato já começa a se animar.

Maio realmente provou que “it ain’t over ‘til it’s over”.

Um abraço e boa leitura.

Caio


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