O novo novo normal

Como seria o novo normal? Desde que a Covid-19 chegou ao Ocidente, pergunta-se como seria a vida não apenas durante, mas, principalmente, depois da pandemia.

Como seria o novo normal?

Desde que a Covid-19 chegou ao Ocidente, pergunta-se como seria a vida não apenas durante, mas, principalmente, depois da pandemia.

Trabalho, escolas, viagens, lazer. Os mais diversos aspectos da convivência humana passaram a ser questionados.

No início, em meio ao pânico, as previsões eram sombrias. Projetávamos um mundo envelopado na bolha do isolamento permanente até que descobrissem uma vacina que finalmente nos daria proteção contra o maldito vírus.

Nesse apocalíptico cenário inicial, sair de casa seria uma aventura com riscos letais e, portanto, reservada a momentos verdadeiramente essenciais.

Quando desdobrávamos para a economia, as consequências então eram simplesmente devastadoras.

A prolongada queda na atividade econômica prometia dizimar setores inteiros. Estimavam-se quedas de dois dígitos nos PIBs das principais economias do mundo. E pior: sem perspectiva para um retorno rápido. O formato em “L” de uma longa e demorada recuperação indicava que repetiríamos o desalento da década pós-crise de 1929.

Mais do que natural, os mercados derreteram de forma violenta e inédita.

O índice Dow Jones caiu 23,2% no primeiro trimestre de 2020, cravando o pior início de ano de sua história.

Por aqui, tivemos nada menos do que seis circuit breakers no Ibovespa. Todos em março, com direito a duas paralisações no mesmo fatídico dia 12 de março. Navegávamos num mar de dor e desesperança.

A formidável intervenção dos governos evitou o cenário de hecatombe zumbi. Combinando volumes sem precedentes de liquidez aos mercados, incluindo compra direta de créditos privados, com programas de complementação de renda, autoridades monetárias e governos trouxeram alívio no primeiro momento. 

Mais calmos, os mercado entraram no segundo trimestre em recuperação. Pairavam, contudo, dúvidas tremendas quanto à firmeza da base. Suspeitava-se que a melhora do paciente era apenas uma reação automática à massiva intervenção medicamentosa, com chances de uma recaída a qualquer momento.

O espectro de um novo normal, com altas doses de distanciamento social e confinamento doméstico, amedrontava a todos. Novas doses de intervenção governamental seriam ineficazes caso a crise conjuntural passasse a ser permanente (ou de longa duração).

E aí que entrou o que talvez seja a principal causa do sucesso da espécie humana e seu diferencial no mundo animal, nossa capacidade de adaptação.

Nenhuma outra espécie não só vive — mas prospera — em habitats tão distintos como a nossa. Das tundras siberianas às areias do Saara, passando pelas selvas equatoriais, encontramos refúgio em qualquer parte do nosso planeta.

Com protocolos e máscaras (adotadas até pelos carroceiros de São Paulo), aos poucos fomos retomando o que o vírus tentou nos roubar. 

O longo caminho para a recuperação foi sendo encurtado. 

O tal do novo normal aos poucos vem evoluindo para algo mais amistoso, mais "user-friendly". Consistentemente, os indicadores econômicos têm superado as previsões. Nesta sexta-feira, por exemplo, o PMI (índice de confiança) do setor de serviços chinês chegou ao seu valor mais alto da última década. Naturalmente animados, os mercados começaram a apostar mais fichas em uma recuperação.   

Surpreendentemente, o segundo trimestre mostrou uma performance impressionante. As Bolsas americanas tiveram o seu melhor trimestre das últimas duas décadas, enquanto por aqui o Ibovespa mostrou sua maior valorização desde 2003.

Alguns setores são francos ganhadores nesse novo novo normal. Ações de empresas de e-commerce, tecnologia e do setor imobiliário têm se destacado.

Mas ainda há riscos importantes a serem enfrentados. Antes de tudo, o coronavírus continua a fazer vítimas, sem perspectiva clara de um arrefecimento. E, no consolidado, estamos saindo mais pobres, haja vista o aumento generalizado nas dívidas públicas dos países mundo afora. Somente no Brasil, e somos regra, não exceção, a relação dívida bruta/PIB terá um aumento neste ano de 20 pontos percentuais, no melhor cenário. 

Aqui na Empiricus, terminamos bem o semestre, com todas as nossas carteiras em franca valorização. A Carteira Empiricus, nosso carro-chefe, subiu 5,01% em junho. As carteira de ações, por sua vez, tiveram uma rentabilidade ainda maior, naturalmente.

Ainda sobre a Carteira Empiricus, aproveito para reproduzir sua espetacular performance desde sua criação, em 2014:

E, assim, vamos caminhando para o nosso novo normal.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço,
Caio

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