This is not America

There was a time A storm that blew so pure For this could be the biggest sky And I could have the faintest idea For […]

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This is not America

There was a time
A storm that blew so pure
For this could be the biggest sky
And I could have the faintest idea
For this is not America
This is not America
This is not

David Bowie/Pat Matheny

Neste ano antecipamos as férias.

Pela primeira vez, viemos passar o Natal aqui em Miami. Tanto o meu pai como o meu sogro estarão por aqui também, o que garante uma comemoração com o devido aconchego familiar.

À primeira vista, nada mudou. Os Estados Unidos seguem nos impressionando com sua pujança econômica. Novas construções para todo lado, tanto privadas como de infraestrutura.

Com o dólar turismo acima dos 4 reais, as coisas estão caras para os padrões brasileiros, exceto os eletrônicos e os combustíveis (a gasolina gira em torno de 2,50 reais o litro).

Porém, verifico sinais pontuais de que Trump terá dificuldades em tornar a “América grande novamente”. Os preços dos imóveis aqui no sul da Flórida, que venho acompanhando há alguns anos, estão pressionados pela primeira vez desde a grande crise de 2008.

Cadastrei-me no mailing de sites imobiliários e rotineiramente recebo alertas anunciando a redução de preços.

Ao ler as notícias do mercado financeiro, nota-se apreensão e ansiedade.

Salvo uma virada espetacular, as ações americanas devem fechar o mês com o pior dezembro desde a Grande Depressão de 1929.

 

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A edição dessa quinta-feira da newsletter Bill Bonner’s Diary, do nosso sócio do Grupo Agora, mostra o tamanho do estrago.

O índice Russell 2000, uma diversificada cesta de duas mil ações norte-americanas, já cai 20 por cento desde o pico de agosto. E, como os bear markets são comumente definidos como reduções de 20 por cento ou mais, isso significa que cerca de metade de todas as ações dos EUA está abraçada com o “urso” neste momento.

Os indicadores econômicos pintam um quadro ainda mais negro.

No mês passado, os EUA produziram o maior déficit fiscal registrado em um mês de novembro. Inacreditavelmente, o Tesouro americano gastou o dobro do que arrecadou.

O pacote fiscal anunciado por Trump na virada do ano produziu um voo de galinha digno das políticas de estímulo e desoneração da dupla Dilma-Mantega. Como consequência, a dívida americana não para de crescer, agora num ritmo cerca de duas vezes mais rápido do que o PIB.

Com uma maioria de democratas na Câmara dos Representantes, dificilmente veremos os cortes de gastos necessários para fazer frente à queda na arrecadação.

O diário britânico Financial Times lembrou que Trump prometeu em sua campanha zerar a dívida pública em oito anos (já contava com a reeleição), mas, ao adicionar 1 trilhão de dólares anuais em déficit, já conseguiu levá-la a inacreditáveis 16 trilhões de dólares agora no início de dezembro.

Ao que parece, nosso presidente, ancorado firmemente em seu “Posto Ipiranga”, está comprometido em diminuir o déficit e conter o crescimento de nossa dívida. Caso consiga, temos uma oportunidade única de nos posicionarmos como uma alternativa interessante para o assustado capital financeiro internacional.

O tal “flight to quality” em tempos de crise definitivamente não tem o mesmo destino das minhas férias.