1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Empiricus 24/7

Voltando a voar

“No seu Crypto Legacy desta semana, o Vinícius Bazan, nosso head de análise de criptomoedas, trouxe a seguinte lembrança […]”.

Por Caio Mesquita

18 mar 2023, 08:00

Crypto
Imagem: Freepik

No seu Crypto Legacy desta semana, o Vinícius Bazan, nosso head de análise de criptomoedas, trouxe a seguinte lembrança:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A imagem acima mostra o primeiro bloco da rede do Bitcoin e traz a manchete do jornal The Times de 3 de janeiro de 2009, reportando a iminência da atuação do Tesouro britânico no sentido de resgatar bancos em dificuldade financeira.

Como lembrou Bazan, o armazenamento da manchete tinha como objetivo mostrar o marco inicial da mineração do bitcoin, provando seu início naquela data.

Provavelmente não foi coincidência que Satoshi Nakamoto tenha escolhido justamente o tema que embala a própria razão existencial da primeira e mais importante criptomoeda: a sua natureza antissistêmica.

Em um mundo capturado – e fragilizado – por crescentes intervenções monetárias, a ideia de uma moeda digital protegida de governos e grupos de interesse, com uma política monetária própria e predefinida, surgia como um conceito com um potencial disruptivo.
Catorze anos depois, a visão de Satoshi Nakamoto parece mais viva do que nunca.
A criação do bitcoin acontece no rescaldo da crise de 2008. O necessário resgate do sistema financeiro, à custa do dinheiro do pagador de impostos, gerou imensa raiva e indignação, exemplificado pelo movimento “Occupy Wall Street”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Desde então, a confiança nas autoridades trincou de forma irreversível. Não adiantou Janet Yellen, a secretária do Tesouro dos EUA , ter afirmado em 2017 que não veríamos uma nova crise financeira em nossas vidas.

Como estamos assistindo nos últimos dias, os desequilíbrios são estruturais. O aperto monetário em curso, promovido pelo Fed e outros bancos centrais, ainda não logrou resultado pretendido, com uma inflação ainda teimando em manter-se elevada, mas já faz vítimas indesejadas.

Nos Estados Unidos, três bancos já afundaram, e há risco de outros irem pelo mesmo caminho. Na Europa, a ameaça do colapso do Credit Suisse forçou o banco central de seu país a oferecer uma linha de crédito equivalente a inacreditáveis 6% do PIB suiço.

Desta vez, porém, ao contrário de 2008, os bancos não haviam apostado seus balanços nas arriscadas estruturas subprime, tendo apenas alocado recursos captados em títulos de longo prazo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É bem verdade que esses mesmos bancos têm, sim, parcela de culpa, já que simplesmente rasgaram o manual de gerenciamento de risco e de gestão entre ativos e passivos (asset liability management). Todavia, o cavalo de pau promovido pelos Bancos Centrais, que durante anos fomentaram taxas de juros artificialmente baixas, negativas em certas ocasiões, foi o principal causador do debacle.

Vamos lembrar que Jerome Powell, o presidente do Fed, passou boa parte de 2021 afirmando que não havia nada com que se preocupar, já que a alta da inflação era um fenômeno transitório. Quem acreditou, como pode ter sido o caso dos bancos agora em apuros, teve prejuízos enormes.

Da mesma forma, quem seguiu as orientações do mesmo Powell há duas semanas e entendeu que os juros nos Estados Unidos seguiriam subindo, sofreu perdas enormes por conta da dramática queda nas taxas que ocorrem depois do debacle do Sillicon Valley Bank e companhia.

Sabemos que o aperto do ciclo monetário atual derrubou os preços dos ativos de longa duração (long duration). A dramática queda nas cotações da criptomoedas faz parte desse processo de ajuste. Os mais críticos apontaram o dedo, afirmando que a promessa de proteção inflacionária do bitcoin havia sido assim desbancada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Note, porém, que a mera possibilidade de termos chegado próximo ao topo do ciclo trouxe novamente ar para debaixo das asas das criptos.

Ademais, a atual crise nos sistemas bancários dos países desenvolvidos vem resgatando a promessa antissistêmica do bitcoin e demais criptomoedas.

Depois do inverno de 2022, as criptomoedas começam a resgatar a visão inicialmente lançada por Satoshi Nakamoto. Baseadas em um sistema descentralizado e livre das intervenções incompetentes de governos e burocratas, as criptos demonstram sua relevância para as incertezas do mundo moderno.

Deixo você agora com os destaques da semana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Boa leitura e um abraço.