Imagem criada com auxílio de inteligência artificial e edição da equipe Empiricus.
A semana começa com uma combinação rara: alívio geopolítico e desconforto monetário.
Estados Unidos e Irã chegaram a um entendimento preliminar para encerrar as hostilidades, reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz e iniciar uma janela de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A reação dos mercados foi a esperada diante da redução de um risco de cauda: petróleo em queda, bolsas em alta, dólar mais fraco e ativos de risco ganhando algum fôlego depois de semanas de pressão.
A leitura correta, porém, é menos complacente. A paz reduz a probabilidade de um novo choque de oferta, mas não apaga o legado inflacionário deixado pela crise. Energia mais cara não afeta apenas o preço da gasolina. Ela se espalha pelo frete, pelos custos industriais, pela produção de alimentos, pelas tarifas de serviços, pelos seguros de navegação e, sobretudo, pelas expectativas. Quando um choque desse tipo dura tempo suficiente, deixa de ser apenas um evento de mercado e passa a contaminar a formação de preços de maneira mais ampla. Por isso, o alívio em Ormuz não entrega, por si só, uma folga automática aos bancos centrais.
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